Dados são do relatório “Estado do Clima, Extremos de Clima e Desastres no Brasil em 2025”
Larissa Martins
Petropolis ocupa a 6ª posição no ranking nacional de cidades com o maior número de desastres registrados no ano passado, com 19 eventos geo-hidrológicos no município, é o que aponta o relatório “Estado do Clima, Extremos de Clima e Desastres no Brasil em 2025”.
A publicação foi divulgada em fevereiro pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), unidade de pesquisa vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
Monitoramento intensificado
O estudo mostra também que, no balanço de alertas emitidos, Petrópolis aparece em 3º lugar em todo o país, após ter recebido 30 alertas ao longo de 2025. O ranking reforça a concentração da atividade de monitoramento em territórios com recorrência de condições geo-hidrológicas adversas, observa o levantamento.
Os municípios posicionados no topo do ranking apresentaram elevada frequência de alertas ao longo do ano, indicando não apenas a repetição de episódios de chuvas, mas também a persistência de cenários de risco que demandaram acompanhamento contínuo por parte do Cemaden.
Esse padrão sugere a presença de fatores estruturais, como características fisiográficas, ocupação urbana vulnerável e histórico de eventos, que aumentam a sensibilidade desses territórios à ocorrência de chuvas intensas e seus desdobramentos.
Ao mesmo tempo, o ranking evidencia que o volume de alertas não se distribuiu de forma homogênea entre os municípios monitorados, refletindo a heterogeneidade espacial do risco geo-hidrológico no país e apontando para a relevância de análises territoriais que considerem a recorrência dos alertas como um indicador importante para planejamento de ações preventivas e de redução de riscos de desastres.
Tipos de ocorrências
Enquanto isso, as ocorrências concentraram-se em um conjunto mais restrito de municípios, em comparação aos alertas, com predominância de eventos classificados como de pequeno porte. No caso dos eventos hidrológicos de pequeno porte, esses registros corresponderam a episódios isolados, geralmente pequenos e rápidos, envolvendo alagamentos, transbordamento de córregos ou rios e enxurradas, com danos restritos ao nível de ruas e bairros e caracterizados por resposta rápida das estruturas locais.
Já os eventos geológicos de pequeno porte estiveram associados, sobretudo, a movimentos de massa pontuais e induzidos, como queda de barreiras, instabilização de taludes e pequenos deslizamentos, frequentemente com danos localizados e de menor abrangência espacial.
Ano de seca, calor e chuvas intensas
O Brasil viveu, em 2025, um dos anos mais extremos do ponto de vista climático das últimas décadas, afirma o estudo. Recordes de temperatura, chuvas intensas com alto impacto urbano e uma seca prolongada que atingiu centenas de municípios marcaram o período.
Entre 2020 e 2023, o país registrou 7.539 desastres climáticos, um aumento de 222,8% em relação às 2.335 ocorrências verificadas na década de 1990. No mesmo período, a proporção de municípios afetados saltou de 27% para 83%. As chuvas foram responsáveis por 86% das mortes registradas em desastres climáticos no país.
Entre 2020 e 2023, cerca de 8,7 milhões de pessoas ficaram desabrigadas ou desalojadas devido a enchentes - número que corresponde a 94% de todos os casos no período. Na década de 1990, o total de pessoas afetadas por chuvas era de 43.242; já entre 2020 e 2023, o número saltou para
6.835.168 - um crescimento de mais de 8.000%.
Prejuízos financeiros e materiais
Além dos impactos humanos, os danos materiais associados aos eventos hidrometeorológicos em 2025 totalizaram aproximadamente R$ 2,9 bilhões, com destaque para a Região Sudeste, que concentrou cerca de R$ 1,1 bilhão desse montante.
No detalhamento por tipologia, os maiores prejuízos relacionados a unidades habitacionais foram registrados no município de Beruri (Amazonas), com aproximadamente R$ 33,6 milhões. Os danos em instalações públicas, incluindo unidades de saúde, ensino, prestadoras de serviços e equipamentos de uso comunitário, foram mais elevados no município de Rio Largo (Alagoas), somando cerca de R$ 19,4 milhões.
Já os danos na infraestrutura pública foram mais expressivos no município de Ipatinga (Minas Gerais), em decorrência do episódio de chuvas intensas ocorrido em janeiro de 2025, evidenciando impactos relevantes nos sistemas viários e demais estruturas urbanas.
No que se refere aos prejuízos econômicos, foram contabilizados aproximadamente R$ 3,9 bilhões em perdas, com destaque para a Região Sul, que somou cerca de R$ 1,5 bilhão.
Os prejuízos públicos foram mais elevados no município de Belterra (Pará), em função de um episódio de chuva extrema ocorrido em março de 2025, no qual apenas os custos relacionados à assistência médica, à saúde pública e ao atendimento de emergências médicas totalizaram aproximadamente 356 milhões de reais.
Em relação aos prejuízos privados, o maior destaque foi o município de São Francisco (MG), em decorrência de chuvas intensas registradas em dezembro de 2025, quando foram contabilizadas perdas estimadas em aproximadamente R$ 526 milhões de reais na agricultura local.
O relatório completo está disponível no endereço: https://www.gov.br/cemaden/pt-br/assuntos/monitoramento/estado-do-clima-no-brasil/estado-do-clima-extremos-de-clima-e-desastres-no-brasil-02-2026/relatorioclimaextremosdesastresbrasil2025.pdf/@@download/file .
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