Para Irene Medeiros, qualidade de vida, natureza e identidade fazem da cidade um destino desejado para morar, mas crescimento exige planejamento para preservar essas características
Roberto Jones - especial para o Diário
Petrópolis continua despertando o interesse de pessoas que buscam mais do que um imóvel para morar. Na avaliação de Irene Medeiros, consultora imobiliária com mais de 15 anos de experiência no mercado, a cidade oferece uma combinação que vai da natureza e da história à proximidade com o Rio de Janeiro e a uma rotina com características próprias.
Para ela, esse conjunto ajuda a explicar por que tantas pessoas chegam ao município em busca de uma nova forma de viver. "Nossa cidade oferece clima, áreas verdes, bairros com características muito próprias, arquitetura, gastronomia, história e uma sensação de acolhimento muito particular. Muitas pessoas chegam por uma oportunidade profissional, fácil acesso ao Rio, por uma mudança familiar ou simplesmente porque conheceram a cidade e se apaixonaram", afirma.
Uma cidade que oferece um jeito diferente de viver
A qualidade de vida, para Irene, está justamente no equilíbrio entre aquilo que Petrópolis oferece e a maneira como seus moradores se relacionam com a cidade. Montanhas, áreas verdes, cachoeiras e clima diferenciado convivem com escolas, comércio, serviços, gastronomia e atividades culturais.
Mas, para ela, há também um aspecto subjetivo que ajuda a explicar a procura pelo município. “Qualidade de vida não é apenas aquilo que uma cidade oferece objetivamente. Também é a maneira como a pessoa se sente vivendo naquele lugar. Eu tenho uma relação de muito amor com a cidade. Ela faz parte da minha história, me acolhe e me faz sentir pertencente. Acredito que esse sentimento também esteja presente em muitas pessoas que escolhem construir suas vidas aqui", avalia.
A identidade própria de Petrópolis aparece, nesse sentido, como um dos diferenciais. “Petrópolis tem identidade. Você não está simplesmente morando em um município da Serra; está vivendo em uma cidade com história, personalidade e características muito próprias”, ressalta.
Crescer sem perder o que atrai
O aumento do interesse em morar em Petrópolis é visto por Irene como um sinal positivo, mas também como um alerta para o planejamento da cidade. Mais moradores significam novas demandas por serviços e infraestrutura e, por isso, o crescimento precisa ser acompanhado por preparação. “O crescimento é positivo e mostra que Petrópolis continua sendo uma cidade desejada. Mas crescimento, por si só, não significa desenvolvimento”, alerta.
Para ela, o desafio é garantir que a expansão aconteça de maneira planejada, responsável e sustentável. O aumento da população traz impactos sobre moradia, transporte, saúde, educação, saneamento, segurança e infraestrutura, exigindo que essas áreas acompanhem as transformações do município.
O planejamento também precisa considerar uma característica que, para Irene, não pode ser ignorada: a vulnerabilidade da cidade diante das chuvas intensas. As tragédias já vividas por Petrópolis, segundo ela, precisam servir como aprendizado para as decisões dos próximos anos. “Pensar no futuro significa também investir em prevenção, drenagem, monitoramento, sistemas de alerta, mapeamento e gestão das áreas de risco, além de políticas habitacionais adequadas”, defende.
Desenvolvimento sem descaracterização
Conciliar crescimento urbano, infraestrutura e mobilidade com a preservação das características naturais, históricas e culturais aparece como um dos principais desafios para os próximos anos. Mas Irene considera que estes não precisam ser caminhos opostos. “Preservar não significa impedir o desenvolvimento. Da mesma forma, desenvolver não significa descaracterizar”, afirma.
A tecnologia e o uso de dados também podem ajudar a antecipar problemas, principalmente diante de eventos climáticos extremos. Para ela, o objetivo é fazer com que a cidade consiga preservar suas características sem abrir mão de ser funcional e segura. “Uma cidade bonita precisa ser também uma cidade funcional e segura. O futuro de Petrópolis precisa ser construído respeitando o passado, mas sem ficar preso a ele”, destaca.
Uma cidade para viver, trabalhar e permanecer
Pensando nos próximos anos, Irene defende que Petrópolis avance em infraestrutura, mobilidade, saneamento, drenagem e prevenção de desastres, mas também em segurança, educação, saúde, habitação e desenvolvimento econômico. A preocupação não é apenas manter a cidade como um lugar desejado. “Precisamos criar condições para que as pessoas não apenas queiram morar em Petrópolis, mas possam construir aqui suas vidas, trabalhar, empreender e criar seus filhos”, afirma.
Ao mesmo tempo, há elementos que, para ela, precisam ser preservados justamente porque não podem ser reproduzidos em outro lugar. A relação com os moradores também reforça essa percepção. “Todos os dias, no mercado imobiliário, vejo famílias que chegam, retornam ou decidem permanecer aqui. E quase sempre existe uma razão que vai muito além do imóvel: existe um vínculo com a cidade. Petrópolis encanta primeiro pelos olhos, mas conquista mesmo pelo coração", declara.
Para Irene, permitir que esse sentimento continue existindo enquanto a cidade cresce é um dos principais desafios para as próximas gerações. “Eu acredito profundamente nessa cidade. Petrópolis não é apenas o lugar onde moro ou trabalho. É a cidade que escolhi amar, cuidar e defender. E acredito que, com planejamento, responsabilidade e respeito à nossa história e à nossa natureza, podemos construir uma Petrópolis ainda melhor para as próximas gerações, sem perder aquilo que fez e continua fazendo tanta gente se apaixonar por ela", finaliza.
Veja também: