Dados divulgados pelo MapBiomas aponta que a cidade tinha cerca de 50 mil hectares de áreas naturais em 2013
Rômulo Barroso - especial para o Diário
A área natural em Petrópolis em 2023 foi de 49.669 hectares, de acordo com mapeamento feito pelo MapBiomas, divulgado esta semana. Esse número reúne o espaço de vegetação nativa, superfície de água e áreas naturais não vegetadas no município e é o maior em quase 40 anos de monitoramento. O total do ano passado é 6.786 hectares maior do que o registrado em 1985, o que representa um aumento de 15,8% desde então.
Os dados do MapBiomas mostram que Petrópolis ampliou a área vegetação nativa: em 1985, eram 38.134 hectares, saltando para 42.876 hectares em 2023, ou seja, um aumento de 4.742 hectares nesses 39 anos de monitoramento. A formação natural não florestal terminou o ano passado com uma área de 3.159 hectares, que é 59 hectares menor do que no início da série histórica.
Também houve uma redução significativa do corpo d'água no município, que passou de 117 para 46 hectares.
Por outro lado, a área natural não vegetada cresceu 2,5 vezes no período: foi de 1.419 para 3.593 hectares.
O tamanho das áreas naturais avançou porque, ao mesmo tempo, houve um encolhimento do espaço usado pela agropecuária. Em 1985, 36.234 hectares eram dedicados para a produção rural na cidade. Já no ano passado, eram 29.444 hectares, ou seja, uma diferença de 6.790 hectares. É a menor área explorada pelo setor agrícola na cidade nessas quase quatro décadas, que desde 2021 ocupa menos de 30 mil hectares no município.
Mais de 50% do território é de vegetação natural em Petrópolis
A ampliação das áreas naturais é uma situação que ocorreu com o estado do Rio de Janeiro, a única unidade federativa em todo Brasil onde isso aconteceu. Nesses 39 anos, a cobertura de vegetação nativa passou de 30% para 32% do território estadual.
Em Petrópolis, o aumento é ainda mais expressivo: a vegetação nativa se fazia presente em 48,2% do território municipal em 1985; no passado, pulou para 55,2%.
A cidade faz parte da Mata Atlântica, bioma com mais municípios que viram a vegetação nativa crescer. Uma situação que vai na contramão de grande parte do Brasil.
Perda de áreas naturais no país
Segundo o MapBiomas, no país todo, a perda de áreas naturais foi de 110 milhões de hectares desde 1985 até 2023. Metade disso só na Amazônia. O MapBiomas ressalta que "A extensão e rapidez da mudança da cobertura e uso da terra são alguns dos fatores que elevam o risco climático do Brasil".
"A perda da vegetação nativa nos biomas brasileiros tende a impactar negativamente a dinâmica do clima regional e diminui o efeito protetor durante eventos climáticos extremos. Em síntese, representa aumento dos riscos climáticos. Uma parte significativa dos municípios brasileiros ainda perde vegetação nativa; mas, por outro lado, os últimos quase 1/3 dos municípios brasileiros estão recuperando áreas de vegetação nativa", comentou o coordenador geral do MapBiomas, Tasso Azevedo.
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