Demétrio do Carmo - Especial para o Diário
Os efeitos da instabilidade no mercado internacional de petróleo já começam a atingir o cotidiano dos consumidores. Em Petrópolis, motoristas enfrentam dificuldades para abastecer, com registros de falta de gasolina em alguns postos e reajustes nos preços.
A origem do problema está no agravamento das tensões no Oriente Médio, envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. A reação iraniana, com o bloqueio do Estreito de Ormuz - rota estratégica para o escoamento global de petróleo -, impulsionou a alta da commodity e gerou preocupação em diversos países.
No município, o principal impacto até agora não é apenas o aumento nas bombas, mas a irregularidade no abastecimento. Fiscalizações do Procon identificaram a ausência de gasolina em postos de bairros como Corrêas e Retiro, levantando suspeitas sobre falhas na logística de distribuição.
De acordo com o órgão, não há, até o momento, indícios de retenção intencional de combustível ou prática de preços abusivos. Ainda assim, a escassez pontual sugere entraves no fornecimento, possivelmente relacionados à redução ou atraso nas entregas por parte das distribuidoras.
“Estamos analisando notas fiscais para verificar possíveis antecipações de reajustes e monitorando a situação do abastecimento”, afirmou o coordenador Fafá Badia.
Dados preliminares apontam uma alta média de cerca de 7% nos preços, com a gasolina comum sendo vendida, em média, a R$ 6,89 em diferentes estabelecimentos. O levantamento considera tanto os valores atuais quanto o histórico recente praticado pelos revendedores.
Segundo o Procon, os casos observados até agora não configuram irregularidades. “Identificamos desabastecimento, sobretudo em postos de bandeira branca, mas a situação indica dificuldade de compra junto às distribuidoras, e não prática ilegal”, explicou Badia.
As equipes de fiscalização seguem em campo e novas vistorias devem ocorrer nos próximos dias. Caso sejam constatadas infrações, os responsáveis poderão ser punidos conforme a legislação.
Em âmbito nacional, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) adota cautela e afirma não haver risco imediato de desabastecimento. Ainda assim, o órgão intensificou o monitoramento do setor, decretando estado de sobreaviso para acompanhar estoques e operações. Desde a última quinta-feira (19), a ANP fiscalizou 138 agentes econômicos incluindo 117 postos, 19 distribuidoras e dois postos flutuantes em 49 cidades de 12 estados. A ação resultou em 36 autos de infração, sendo dez por suspeita de preços abusivos, além de nove interdições por diferentes irregularidades.
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