Instituições se movimentam para garantir a manutenção do equipamento na cidade
Larissa Martins e Mariana Machado
Recentemente, começaram a circular informações de que Petrópolis poderia perder o supercomputador Santos Dummont, de inteligência artificial, instalado no Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), localizado no Quitandinha.
A Folha de São Paulo, inclusive, divulgou que o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) está à procura de um novo local para a instalação da tecnologia, incluída no Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (Pbia). O Diário questionou o MCTI sobre a informação, mas não obteve resposta até o fechamento da edição.
Ainda segundo informações da Folha, o alto consumo de energia da atualização do supercomputador teria preocupado a administração do LNCC (Laboratório Nacional de Computação Científica). Mas, que o laboratório não recusou a instalação, e, sim, chamou a atenção para o custo estimado de energia elétrica associado à operação do equipamento.
Luta pela permanência
Logo após os boatos, representantes de diversas instituições se reuniram, junto com o governo municipal, para discutir medidas em defesa de sua permanência no município. O encontro foi convocado pelo prefeito Hingo Hammes e contou com a presença de órgãos de ensino, pesquisa, tecnologia, comércio e representantes da Câmara Municipal. A imprensa de Petrópolis não foi convidada para a reunião.
O secretário de Governo, Fred Procópio, disse ao Diário que uma força tarefa está sendo preparada.
“O prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes, fez uma publicação falando sobre uma estrutura já montada na cidade desde a Copa, que poderia ser utilizada para a instalação do supercomputador. O foco dele é Data Center. Ficamos preocupados porque a capital é mais forte do que o interior, então, começamos a articular esse movimento e convidar entidades para alinhar várias iniciativas. Petrópolis está montando uma força-tarefa para que o supercomputador permaneça na cidade. Estamos trabalhando na infraestrutura para receber a atualização da tecnologia, pois o consumo de energia equivale ao de 15 mil residências. Petrópolis tem capacidade, estamos muito avançados. Aliás, a estrutura do LNCC foi feita pensando em ser o gestor dessa tecnologia, então não faria sentido ela não estar lá”, explica Fred.
O Diário questionou a Prefeitura do Rio, que negou ter solicitado que o supercomputador seja instalado na cidade.
Iniciativas
Entre os encaminhamentos feitos pelo movimento, está a entrega de uma carta assinada pelo prefeito Hingo Hammes destinada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). O documento foi entregue em Brasília pelo diretor do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), Fábio Borges. Além disso, foi definida a elaboração de uma carta coletiva assinada por instituições de todos os setores do município e do Legislativo municipal.
Frente parlamentar
Outra proposta discutida é a criação de uma Frente Parlamentar na Câmara Municipal, com a finalidade de reforçar em Brasília as vantagens de Petrópolis para sediar o supercomputador. Também foi definido um ato simbólico, com um abraço coletivo ao redor do equipamento, que contará com a presença das entidades participantes e um convite formal ao governador do Estado, Cláudio Castro.
Também já foi proposto ao governo estadual, pelo LNCC e reforçado pela Prefeitura, um decreto para garantir a isenção de ICMS, medida considerada estratégica para a sustentabilidade financeira da instituição.
“É gratificante ver a sociedade civil e o poder público reconhecer a relevância do trabalho e de todas as ações do LNCC. Ficou muito feliz com esse movimento”, concluiu o diretor do LNCC, Fábio Borges.
Marcelo Soares, vice-presidente da Associação Comercial e Empresarial de Petrópolis (ACEP) reforçou o apoio à permanência da tecnologia na cidade.
“Não podemos deixar escapar a chance de manter o supercomputador sob a administração do nosso LNCC em Petrópolis. A gente vai participar ativamente de todas as formas que forem necessárias para garantir que esse supercomputador fique na cidade. O avanço da tecnologia em todos os setores é importante, e está acontecendo de forma muito acelerada. Com isso, gostaria de pontuar que, aqui temos musculatura suficiente na questão da tecnologia, principalmente de formação de mão-de-obra em tecnologia, que é talvez a coisa mais importante do momento”, disse.
O Serratec Parque Tecnológico da Região Serrana também apoia a iniciativa. Na Região Serrana são mais de 400 empresas no setor de TI, responsáveis por mais de cinco mil empregos diretos e um faturamento que supera R$ 1 bilhão ao ano, segundo estimativas do Serratec.
“A tecnologia e a inovação já são um ativo, uma vocação, um vetor de desenvolvimento social e econômico de Petrópolis. E, ela está em todas as empresas, na gestão pública, dentro das instituições de ensino e pesquisa. O supercomputador é um símbolo de tudo o que está sendo movimentado em Petrópolis e na Região Serrana. Ele representa um ativo para todo o ecossistema que há mais de 20 anos vem se desenvolvendo e pode ser utilizado por toda a população. Inclusive, tem o nome de Santos Dummont, e está totalmente ligado com a história de Petrópolis”, declara o Presidente do Serratec, Alexandre Macedo.
Participaram da reunião: Alexandre Macedo (Serratec), Maria Isabel Sá Earp Chaves (Unifase/FMP), Lucimar Cunha (Faeterj), Wagner Léo (LNCC), Rafael Simão (Serratec), desembargador José Cláudio Fernandes (TJ-RJ), Marcelo Soares (ACEP), Ana T. Vasconcelos (LNCC), Afonso Chaves (Unifase), Felipe Henriques (Cefet-RJ), Aníbal Augusto Villalponda Ignacio (UFF/Petrópolis) e os vereadores Gil Magno, Wesley Barreto e Thiago Damaceno.
Veja também: