Edição: sábado, 12 de setembro de 2026

Petrópolis precisa planejar hoje a cidade que quer ser amanhã

Vice-presidente da NovAmosanta aponta mobilidade, descentralização, sustentabilidade e ordenamento territorial como prioridades para o desenvolvimento do município

Foto: Divulgação
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Roberto Jones - especial para o Diário

Petrópolis tem pela frente o desafio de planejar seu crescimento sem perder de vista as características que fazem da cidade um lugar atrativo para viver. Na avaliação de Jorge de Botton, vice-presidente da NovAmosanta, esse processo passa por uma agenda ampla, que envolve mobilidade, infraestrutura, gestão pública, sustentabilidade, ordenamento territorial e desenvolvimento econômico.

Para ele, Petrópolis precisa construir um planejamento estratégico que considere suas vocações e possa orientar as decisões do município nos próximos anos. O cenário demográfico também seria um sinal de que essa discussão precisa avançar. Segundo Jorge, no último Censo, a cidade perdeu 6% de seus habitantes em um período de 12 anos. “Esse indicativo por si só mostra que temos problemas a serem analisados. Temos visto vários municípios próximos se desenvolvendo bem, o que indica que o problema está aqui”, avalia.

Mobilidade como prioridade

Entre as principais questões apontadas pelo vice-presidente da NovAmosanta está a mobilidade urbana. A conclusão da nova subida da Serra pela BR-040 é considerada uma das obras mais urgentes para o desenvolvimento econômico e logístico de Petrópolis. Segundo Jorge, a entidade mantém uma mobilização política junto ao Governo Federal para garantir que a obra seja executada.

A atenção, porém, não deve ficar restrita à principal ligação entre Petrópolis e o Rio de Janeiro. Jorge também defende uma participação mais ativa do município no acompanhamento da gestão das rodovias BR-040 e BR-495, de responsabilidade federal, e RJ-123 e RJ-117, estaduais. A avaliação é de que a Prefeitura deve atuar junto ao DNIT e ao DER-RJ para acompanhar as condições e a manutenção dessas vias.

Dentro da cidade, outro ponto é a necessidade de enfrentar os gargalos já identificados no tráfego. Jorge cita um estudo da COPPE-RJ, que já está em posse da Prefeitura, como uma ferramenta que pode ajudar a orientar soluções para o problema. A preocupação inclui especialmente os distritos e regiões como Itaipava e Secretário, onde o crescimento de condomínios aumenta a demanda por infraestrutura viária.

Gestão mais próxima dos distritos

A descentralização da administração municipal também aparece entre as prioridades. A proposta, segundo ele, é que a estrutura tenha gestores capacitados para atender às necessidades específicas de cada região. "A criação de uma Subprefeitura nos Distritos poderia aproximar a gestão pública das demandas locais e melhorar a prestação de serviços básicos, como coleta de lixo, varrição, manutenção viária e iluminação”, elenca.

A fiscalização também é apontada como fundamental para que o crescimento aconteça de maneira ordenada. Nesse sentido, Jorge defende a realização de concursos para a contratação de fiscais, garantindo presença mais efetiva nos distritos em áreas como obras, ordem pública e meio ambiente.

Uma cidade mais preparada para os riscos climáticos

O planejamento do futuro de Petrópolis também precisa considerar os riscos climáticos. " O município deve adotar estratégias integradas de infraestrutura verde, utilizando soluções baseadas na natureza, recuperação de encostas e preservação de áreas de drenagem natural para reduzir os riscos de enchentes e deslizamentos, alinhadas aos princípios da ONU-Habitat", aponta.

Ele também defende um planejamento adaptativo, com revisão constante dos planos de drenagem e desenvolvimento de sistemas capazes de resistir a desastres, em vez de modelos rígidos de planejamento urbano.

A questão ambiental passa ainda pelo saneamento e pela preservação dos recursos naturais. Jorge aponta a necessidade de atualização e execução dos Planos Municipais de Saneamento Básico, com expansão da coleta de efluentes e ações de preservação da Mata Atlântica e das fontes de água. "Também é necessário ampliar a transparência e o controle sobre o licenciamento ambiental de novos empreendimentos", reforça.

Crescimento com planejamento

O ordenamento territorial aparece como outro ponto essencial para conciliar desenvolvimento e qualidade de vida. "Entre as medidas está a aprovação e implementação efetiva do Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV), que poderia funcionar como ferramenta para limitar o crescimento urbano desordenado".

A proposta também envolve uma visão que ultrapasse os limites administrativos do município. Jorge defende a criação de um Plano Diretor Regional de Desenvolvimento, considerando a relação de Petrópolis com as cidades próximas. “Essas prioridades visam equilibrar a preservação do patrimônio histórico e cultural da cidade com a modernização tecnológica, assegurando que o crescimento econômico seja inclusivo e acompanhado pela melhoria da qualidade de vida da população”, finaliza.

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