Boletim Infogripe da Fiocruz alerta para aumento de casos de influenza A no país
Larissa Martins
Petrópolis registrou 194 notificações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) até o momento, em 2026. O levantamento foi feito baseado no Sistema de Informação de Vigilância Epidemiológica da Gripe (SIVEP/Gripe).
Das ocorrências, 104 não tiveram o tipo de vírus especificado, enquanto 35 foram classificados como “outros vírus”, 21 como “ignorado”, 19 por influenza e 15 por Covid-19. Em relação aos óbitos, foram confirmados seis este ano, sendo um por influenza e cinco não especificado.
Boletim Infogripe
A nova edição do Boletim InfoGripe da Fiocruz, divulgada no início do mês, destaca que o número de casos de influenza A continua aumentando no cenário nacional. A análise verificou que a maioria das unidades federativas (UF) no Norte, Centro-Oeste, Nordeste e Sudeste estão com nível de atividade de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em alerta, risco ou alto risco com sinal de crescimento.
A maioria dessas ocorrências de SRAG, que pode causar morte nos casos mais graves, tem sido motivada por influenza A, vírus sincicial respiratório (VSR) e rinovírus.
Importância da vacinação
Este cenário, de acordo com os pesquisadores, torna ainda mais importante a vacinação contra a influenza.
Recentemente, foi promovido o Dia D de vacinação contra gripe Influenza no município. Das nove mil doses disponibilizadas ao município pela Secretaria de Estado de Saúde (SES), foram aplicadas nos 56 pontos de vacinação distribuídos pela cidade 8.726 doses para o público prioritário.
O Dia D marcou o início da Campanha Nacional de Vacinação e, para garantir a continuidade da imunização nos postos, foram disponibilizadas mais 12 mil doses. O objetivo este ano é vacinar 90% do público-alvo para, assim, reduzir complicações, internações e mortes causadas pelo vírus da gripe.
“A vacinação é a principal forma de prevenção contra as complicações da gripe, especialmente entre os grupos mais vulneráveis. Com a chegada das novas doses, conseguimos manter a campanha ativa e ampliar a cobertura vacinal no município”, reforçou o então secretário de Saúde, Dr. Aloisio Barbosa.
A Secretaria de Saúde orienta que o público prioritário leve documento de identificação, CPF ou Cartão do SUS e, se possível, a caderneta de vacinação.
Veja quem pode se vacinar:
Crianças de 6 meses a menores de 6 anos, profissionais de saúde, gestantes, puérperas, professores do ensino básico e superior, povos indígenas, quilombolas, idosos com 60 anos ou mais, pessoas em situação de rua, profissionais das forças de segurança e salvamento, forças armadas, pessoas com doenças crônicas não transmissíveis e outras condições clínicas especiais, pessoas com deficiência permanente, caminhoneiros, trabalhadores do transporte coletivo rodoviário urbano e de longo curso, trabalhadores dos Correios e portuários, população privada de liberdade, funcionários do sistema prisional e jovens em medidas socioeducativas.
Tipo de vírus e óbitos
Ainda sobre o boletim, os registros apontam que, nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a prevalência entre os casos positivos foi de 27,4% de influenza A, 1,5% de influenza B, 17,7% de vírus sincicial respiratório, 45,3% de rinovírus e 7,3% de Sars-CoV-2 (Covid-19).
Em relação aos óbitos, a presença destes mesmos vírus entre os positivos e no mesmo recorte temporal foi de 36,9% de influenza A, de 2,5% influenza B, 5,9% de vírus sincicial respiratório, 30% de rinovírus e 25,6% de Sars-CoV-2 (Covid-19). O estudo é referente à Semana Epidemiológica 12, período de 22 a 28 de março.
Diante desse cenário, a pesquisadora Tatiana Portella, do Boletim InfoGripe, desenvolvido pelo Programa de Computação Científica da Fiocruz, ressalta que a principal forma de prevenção contra casos graves e óbitos por influenza A e o VSR é a vacinação. “Por isso, é fundamental que pessoas dos grupos prioritários como idosos, crianças, pessoas com comorbidades e profissionais da saúde e da educação estejam em dia com a vacina contra a influenza. Também é importante que gestantes a partir da 28ª semana recebam a vacina contra o VSR, garantindo proteção aos bebês desde o nascimento”, afirma.
Portella reforçou ainda que a recomendação é que as pessoas que vivem em estados com alta de SRAG - especialmente as que fazem parte dos grupos de risco utilizem máscaras em locais fechados e com maior aglomeração.” Além disso, é importante também manter a higiene, como lavar sempre as mãos. Em caso de sintomas de gripe ou resfriado, o ideal é manter isolamento. Se isso não for possível, a orientação é sair de casa usando uma máscara de boa qualidade, como PFF2 ou N95”.
Com informações da Agência Fiocruz
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