Especialista alerta que matar o animal pode ser mais perigoso que deixar vivo
Larissa Martins
A Secretaria Municipal de Saúde registrou, de janeiro a julho de 2025, 261 acidentes com animais peçonhentos em Petrópolis. No mesmo período de 2024 foram 172, subindo 51% desde então.
Do total de casos de 2025, foram 14 com serpentes, 169 com aranhas, 57 com escorpiões, 16 com lagartas, um com abelha e quatro não identificados/ ou por outro tipo de animal.
Do total de casos de 2024, foram 14 com serpentes, 91 com aranhas, 50 com escorpiões, 14 com lagartas, um com abelha e dois não identificados.
Cenário Nacional
No Brasil, os acidentes por picada de escorpião estão em crescimento e já representam um problema de saúde pública. Em 2024, foram registrados mais de 195 mil casos, segundo dados do Ministério da Saúde. As regiões Sudeste e Nordeste concentram a maior parte das ocorrências.
Com a chegada das altas temperaturas e a presença de entulhos e resíduos urbanos, cresce o risco de encontros indesejados com escorpiões em ambientes internos, como casas, apartamentos, ou até em espaços coletivos. O clima propicia o encontro principalmente com os escorpiões amarelos, espécie comum na região Centro-Oeste.
Cuidados
Fabrício Escarlate, professor de Ciências Biológicas do Centro Universitário de Brasília (CEUB), traz orientações práticas sobre o que fazer ao encontrar um escorpião e os cuidados essenciais para reduzir riscos.
“Os escorpiões são discretos e silenciosos, mas podem ser perigosos. Informação e prevenção são nossas melhores ferramentas”, destaca Escarlate.
Segundo o especialista, o mais importante ao encontrar o animal é manter a calma e evitar o contato direto. Apesar disso, muitos ainda tentam matar o escorpião, atitude que, segundo o especialista, aumenta os riscos.
“O mais seguro é acionar uma equipe de controle de pragas e, enquanto isso, isolar o espaço. Se necessário, utilizar algum objeto longo para conter o animal, sem nunca usar as mãos. O escorpião não vai correr atrás da pessoa nem atacar de forma ativa. Ele tende a fugir ou se esconder”, orienta.
Fabrício ressalta que o cuidado também vale ao encontrar o escorpião sem vida, podendo indicar infestação - que está ligada principalmente às condições ambientais. O docente do CEUB cita o caso do escorpião-amarelo, que se reproduz por partenogênese e todas as fêmeas conseguem gerar filhotes sem machos.
“Materiais acumulados, entulho e sujeira atraem baratas, que são a principal fonte de alimento dos escorpiões. Onde há baratas, há chance de escorpião. Nesses casos, é recomendada uma dedetização para maior segurança”, reforça.
Risco aos pets
Além dos humanos, os pets também correm riscos. Em caso de picada, a orientação é levar o animal de estimação imediatamente ao veterinário.
“Não tente remover o ferrão, não esprema o local nem aplique substâncias caseiras. Só o profissional pode avaliar a gravidade. Mesmo quando não há certeza da picada, a observação é essencial. Mudanças bruscas de comportamento, como apatia ou dificuldade para andar, já são motivo para buscar ajuda”, alerta o professor.
Diante desse cenário, prevenção é a palavra-chave: manter a casa limpa, vedar ralos e frestas, evitar acúmulo de entulho e procurar apoio especializado em caso de suspeita de infestação são medidas fundamentais.
Unidade hospitalar
Em caso de acidentes com animais peçonhentos, as referências em Petrópolis para atendimento de saúde são a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Cascatinha e a Unidade Pré-hospitalar (UPH) do distrito de Pedro do Rio.
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