A maior parte dos óbitos poderia ter sido evitada pela assistência adequada durante a gestação
Larissa Martins
Entre 2020 e 2024, Petrópolis registrou 240 de crianças menores de 5 anos por causas classificadas como evitáveis. Os dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) revelam que 28,7% das ocorrências poderiam ter sido reduzidas com assistência adequada à mulher durante a gestação.
Outras 13,7% poderiam ter sido evitadss com atenção adequada ao recém-nascido, enquanto 12,5% por ações de promoção à saúde.
O levantamento mostra também que 7,5% das mortes teriam sido reduzidas por ações de diagnóstico e tratamento adequados e 7% pela atenção adequada à mulher no parto (7%). As demais são causas mal definidas e não claramente evitáveis.
Relatório ONU
Um relatório global do Grupo Interagencial das Organização das Nações Unidas (ONU) para Estimativas de Mortalidade Infantil (UN IGME), divulgado recentemente, aponta que somente em 2024 houve 4,9 milhões de mortes de crianças de até 5 anos de idade no mundo. A maioria desses óbitos decorreu de causas evitáveis ou que demandavam tratamento de baixo custo.
Em uma perspectiva mais dramática, cerca de 2,3 milhões das mortes, quase metade do total, foram de recém-nascidos, especialmente causadas por prematuridade (36%) e complicações durante o parto (21%). Infecções, incluindo sepse neonatal e anomalias congênitas, também foram causas importantes.
"Essas condições amplamente evitáveis destacam a urgência de investir em cuidados pré-natais de qualidade, profissionais de saúde qualificados, cuidados para recém-nascidos pequenos e doentes e serviços essenciais de saúde neonatal", aponta o relatório.
Situação brasileira
No caso brasileiro, o relatório sobre mortalidade infantil da ONU aponta progressos notáveis nas últimas décadas.Segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), um conjunto de políticas adotadas nacionalmente têm diminuído as mortes preveníveis de crianças, em consonância com a tendência global.
O estudo mostra que o país alcançou as menores taxas de mortalidade neonatal e abaixo dos cinco anos dos últimos 34 anos.
Em 1990, a cada mil crianças nascidas, 25 morriam ainda recém-nascidas, antes de completar 28 dias de vida. Em 2024, o número caiu para sete a cada mil.
O mesmo aconteceu com a probabilidade de morrer antes dos cinco anos de idade. No Brasil, em 1990, a cada mil crianças que nasciam, 63 faleciam antes do quinto aniversário. Nos anos 2000, a taxa caiu para 34 a cada mil e, em 2024, chegou a 14,2 mortes.
Entre as políticas públicas citadas como fundamentais para este resultado, está o Programa Saúde da Família, o Programa de Agentes Comunitários de Saúde, a Política Nacional de Atenção Básica e a expansão da rede pública de saúde.
"Estamos falando de milhares de bebês e crianças que não sobreviveriam, e hoje podem crescer, se desenvolver com saúde e chegar até a vida adulta", explica Luciana Phebo, chefe de Saúde e Nutrição do Unicef no Brasil.
*Com informações da Agência Brasil
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