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Petrópolis se prepara para envelhecimento da população; prevenção pode reduzir impactos na saúde e na economia

Cidade tem quase 60 mil moradores com 60 anos ou mais, enquanto estudo aponta que gastos com saúde da população acima dos 50 anos podem mais que dobrar até 2044

Foto: Unplash
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Jamis Gomes Jr. - estagiário

O envelhecimento da população brasileira deve provocar uma forte pressão sobre os sistemas público e privado de saúde nas próximas décadas. Um estudo recente aponta que, até 2044, os gastos com saúde da população com mais de 50 anos devem crescer 126%, passando de R$ 247 bilhões para R$ 559 bilhões. Em Petrópolis, onde vivem 59.429 pessoas com 60 anos ou mais, segundo o Censo 2022 do IBGE, especialistas alertam que investir em prevenção será fundamental para evitar impactos ainda maiores.

De acordo com o levantamento, a participação da população acima de 50 anos no consumo total de serviços de saúde deverá aumentar de 35% para 50% em duas décadas. No mesmo período, o consumo nacional de saúde deve crescer 61%.

O estudo atribui parte desse avanço ao aumento da expectativa de vida e ao predomínio de um modelo voltado ao tratamento das doenças, em vez da prevenção. Como consequência, cresce a demanda por consultas, exames, medicamentos e internações, elevando os custos tanto para o Sistema Único de Saúde (SUS) quanto para os planos privados.

Desafio já faz parte da realidade de Petrópolis

Para o geriatra e professor do curso de Medicina da Uniderp, Marcos Blini, o envelhecimento populacional representa um dos maiores desafios da saúde pública brasileira e tende a impactar diretamente municípios com perfil demográfico mais envelhecido, como Petrópolis.

"É um desafio muito complexo para a saúde pública nos próximos anos. Cada vez teremos mais pessoas aposentadas e uma população economicamente ativa menor para sustentar aposentadorias e serviços públicos. Isso já é um problema e tende a crescer de forma exponencial", afirma.

Segundo o médico, a situação brasileira é ainda mais delicada porque o país envelhece antes de atingir o mesmo nível de desenvolvimento econômico observado em nações europeias.

"Na Europa, os países tiveram décadas para acumular riqueza antes do envelhecimento populacional. No Brasil, esse processo acontece enquanto ainda enfrentamos diversas limitações estruturais, o que pressiona ainda mais as contas públicas", explica.

Idosos ativos significam menos gastos

Embora o envelhecimento aumente naturalmente a demanda por cuidados médicos, Blini explica que manter os idosos independentes pode reduzir significativamente os custos do sistema de saúde.

"Quanto mais autonomia os idosos tiverem, menores tendem a ser os custos para o sistema. Um idoso funcional continua participando da economia, mantém qualidade de vida e necessita de menos intervenções médicas", continua.

Para isso, ele destaca que o envelhecimento saudável começa muito antes da terceira idade.

"O principal é permanecer ativo. O idoso deve continuar dirigindo, administrando suas finanças, participando das decisões da família, trabalhando, se possível, ou desenvolvendo novos projetos. Quanto mais ativo física, mental e socialmente ele estiver, menor será o risco de desenvolver fragilidade e doenças como as demências", destaca.

Entre os principais problemas observados atualmente, o geriatra destaca as síndromes demenciais e a perda de massa muscular.

"Se conseguirmos ter mais idosos com cognição preservada e força muscular suficiente para realizar atividades simples do dia a dia, teremos um sistema de saúde muito mais sustentável e uma população com muito mais qualidade de vida", continua.

Impacto vai além da saúde

Na avaliação do economista Natale Papa, o envelhecimento populacional também produz efeitos importantes sobre a economia local.

"As famílias passam a comprometer uma parcela maior da renda com despesas médicas, exames, medicamentos e cuidados de longa duração. Isso reduz recursos disponíveis para consumo em outros setores da economia", explica.

Para o especialista, o desafio também alcança o orçamento público.

"Municípios como Petrópolis precisarão ampliar investimentos em atenção básica, atendimento especializado, infraestrutura hospitalar e assistência social. Sem planejamento e prevenção, haverá maior pressão sobre os cofres públicos, afetando recursos destinados a outras áreas", continua.

Nova economia voltada à longevidade

Apesar dos desafios, Natale Papa acredita que o envelhecimento da população também abre espaço para novos mercados.

Segundo ele, cresce a chamada "silver economy", voltada às necessidades da população idosa, envolvendo áreas como saúde, fisioterapia, academias, cuidadores, turismo adaptado, alimentação saudável, tecnologia assistiva e serviços especializados.

"O envelhecimento não representa apenas aumento de despesas. Também cria oportunidades para empresas desenvolverem produtos e serviços voltados a esse público, que será cada vez maior", explica.

O economista ressalta que o investimento em prevenção é uma das estratégias com maior retorno econômico.

"Programas de atividade física, alimentação saudável, vacinação e controle de doenças crônicas reduzem internações e custos hospitalares no futuro. Para Petrópolis, fortalecer a atenção primária, estimular programas de envelhecimento ativo e incentivar parcerias entre universidades, empresas e poder público pode transformar essa mudança demográfica em oportunidade de geração de empregos, inovação e melhoria da qualidade de vida", detalha.

Prevenção como caminho

Os especialistas concordam que, diante do envelhecimento acelerado da população, investir em hábitos saudáveis desde a vida adulta será decisivo para reduzir a pressão sobre o sistema de saúde.

Prática regular de atividade física, alimentação equilibrada, acompanhamento médico periódico, vacinação em dia, controle de doenças crônicas e estímulo à vida social e intelectual aparecem entre as principais recomendações para que a população chegue à terceira idade com mais autonomia, menor dependência de medicamentos e melhor qualidade de vida.

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