Larissa Martins
De janeiro até abril desse ano, o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) emitiu 23 alertas para Petrópolis, sendo 17 para riscos de alagamento e seis para deslizamentos de terra.
Em 2024, a cidade liderou o ranking de ocorrências de desastres entre as cidades brasileiras. Foram 44 registros no município, superando Salvador (BA), que teve 33, e São Paulo (SP), com 27. Para o Cemaden, os dados refletem características geográficas, climáticas e socioeconômicas que tornam as localidades propensas a desastres de origem geo-hidrológica.
Em 2025, o cenário não foi diferente. Petropolis ocupou a 6ª posição no ranking nacional de cidades com o maior número de desastres registrados, com 19 eventos geo-hidrológicos, de acordo com o relatório “Estado do Clima, Extremos de Clima e Desastres no Brasil em 2025”.
No balanço de alertas emitidos, Petrópolis aparece em 3º lugar em todo o país, após ter recebido 30 alertas ao longo de 2025.
A publicação foi divulgada em fevereiro pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), unidade de pesquisa vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
Monitoramento intensificado
Ainda em relação aos alertas enviados, segundo o levantamento, o ranking dos municípios que mais receberam os comunicados reforça a concentração da atividade de monitoramento em territórios com recorrência de condições geo-hidrológicas adversas.
Os municípios posicionados no topo do ranking apresentaram elevada frequência de alertas ao longo do ano, indicando não apenas a repetição de episódios de chuvas, mas também a persistência de cenários de risco que demandaram acompanhamento contínuo por parte do CEMADEN.
Esse padrão sugere a presença de fatores estruturais, como características fisiográficas, ocupação urbana vulnerável e histórico de eventos, que aumentam a sensibilidade desses territórios à ocorrência de chuvas intensas e seus desdobramentos. Ao mesmo tempo, o ranking evidencia que o volume de alertas não se distribuiu de forma homogênea entre os municípios monitorados, refletindo a
heterogeneidade espacial do risco geo-hidrológico no país e apontando para a relevância de análises territoriais que considerem a recorrência dos alertas como um indicador importante para planejamento de ações preventivas e de redução de riscos de desastres.
Tipos de ocorrências
As ocorrências concentraram-se em um conjunto mais restrito de municípios, em comparação aos alertas, com predominância de eventos classificados como de pequeno porte. No caso dos eventos hidrológicos de pequeno porte, esses registros
corresponderam a episódios isolados, geralmente pequenos e rápidos, envolvendo alagamentos, transbordamento de córregos ou rios e enxurradas, com danos restritos ao nível de ruas e bairros e caracterizados por resposta rápida das estruturas locais.
Já os eventos geológicos de pequeno porte estiveram associados, sobretudo, a movimentos de massa pontuais e induzidos, como queda de barreiras, instabilização de taludes e pequenos deslizamentos, frequentemente com danos localizados e de menor abrangência espacial.
O relatório completo está disponível no endereço: https://www.gov.br/cemaden/pt-br/assuntos/monitoramento/estado-do-clima-no-brasil/estado-do-clima-extremos-de-clima-e-desastres-no-brasil-02-2026/relatorioclimaextremosdesastresbrasil2025.pdf/@@download/file .
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