Autor da obra, Airá Ocrespo, lamenta o ocorrido
Larissa Martins
A pintura em homenagem a Marielle Franco, no Centro de Informação Turística (CIT) da Praça da Liberdade, voltou a ser alvo de vandalismo. No mural, foram pichadas a imagem de um órgão genital masculino e frases racistas contra a ex-vereadora do Rio de Janeiro, brutalmente assassinada a tiros, em 2018, junto de seu motorista, Anderson Pedro Mathias Gomes, na Região Central do Rio de Janeiro.
A pintura - que foi feita em novembro de 2022, dentro da programação do Mês da Consciência Negra, promovida pela Prefeitura - já havia sido vandalizada, em 2023, mas foi reparada pela prefeitura dias depois.
Assim como Marielle, outros nomes importantes foram representados nos painéis dentro das ações de valorização do povo negro e da cultura de Petrópolis.
O painel foi pintado pelo grafiteiro Airá Ocrespo, que lamentou o ocorrido.
“Lamentável ver a imagem e saber que anos depois da morte da Marielle, as pessoas continuam sendo imaturas e insensíveis, desrespeitando os símbolos que representam lutas sociais. Lutas as quais, às vezes, essas mesmas pessoas estão envolvidas e contempladas. Esse ato é fruto da ignorância e do ódio ao diferente“, disse.
A Secretaria de Cultura irá entrar em contato com o artista para fazer o reparo.
Autor será identificado
A Prefeitura de Petrópolis repudiou o ato de vandalismo e reafirmou que, além de criminoso, representa uma afronta ao patrimônio público; à liberdade de expressão, cultural e artística; e ao respeito que deve prevalecer em qualquer sociedade democrática.
“É inaceitável que qualquer manifestação de intolerância se traduza em vandalismo. O espaço público é de todos, e deve ser preservado com responsabilidade, diálogo e civilidade”, disse a nota divulgada.
A Secretaria de Serviços, Segurança e Ordem Pública (SSOP) já está revisando as imagens das câmeras de segurança da região para identificar o autor da ação. O caso será tratado como dano ao patrimônio público, e as medidas legais cabíveis serão adotadas.
“O poder público reafirma seu compromisso com a preservação dos espaços coletivos e com a promoção de uma cultura de paz, onde o debate seja sempre bem-vindo mas jamais confundido com violência ou desrespeito”, frisou.
Educafro repudia o ato
O Núcleo Educafro Petrópolis - Sebastiana Silva - que luta pela inclusão de negros e pobres, nas universidades públicas, prioritariamente, ou em uma universidade particular com bolsa de estudos - veio a público manifestar sua indignação.
“Mais um crime racial cometido na cidade imperial. O entulho da Casa Grande permanece na intolerância e racismo que está presente no cotidiano de Petrópolis, a terceira cidade no estado do RJ em casos de racismo (), que continua negando em sua história a contribuição do nosso povo negro na formação dessa cidade. Não é a primeira vez que a imagem e o nome de Mariele Franco são violentados aqui em Petrópolis. Isso só demonstra o quanto o racismo, o machismo e a misoginia estão presentes numa sociedade que ainda respira o mofo do império. É preciso que a polícia e as autoridades da cidade investiguem este ato criminoso e que o/a responsável responda por isso. Mariele Franco é semente de inspiração e esperança para o Povo Negro”, declarou o Professor Zé Luiz, Coordenador do Educafro.
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