Demétrio do Carmo - Especial para o Diário
O Sindicato das Empresas de Transportes Rodoviários de Petrópolis (Setranspetro) enviou à CPTrans, nesta semana, um relatório detalhado com a planilha de custos operacionais do Sistema de Transporte Público Coletivo de Petrópolis. Segundo o sindicato, o documento atende a uma obrigação estatutária de atualizar periodicamente os custos do sistema, além de representar um procedimento técnico e necessário para a avaliação da tarifa.
De acordo com a planilha, a projeção final do custo da tarifa básica na cidade é de R$ 7,05 por passageiro. O estudo foi elaborado com base nos custos médios do sistema e considera variáveis como combustível, manutenção, pessoal, depreciação e despesas administrativas.
Entre os custos variáveis, que estão diretamente relacionados à utilização dos veículos, o valor chega a aproximadamente R$ 3,36 por quilômetro rodado. O principal item é o combustível, que representa R$ 1,89 por quilômetro, considerando o preço do litro do diesel atualizado para o período. Também entram nessa categoria os gastos com lubrificantes, estimados em R$ 0,26 por quilômetro, e peças de reposição, como pneus e acessórios, que somam cerca de R$ 1,08 por quilômetro.
Custos fixos
Os custos fixos, que incluem manutenção da frota, remuneração de capital, despesas com pessoal e gastos administrativos, atingem aproximadamente R$ 6,24 por quilômetro.
A depreciação da frota representa uma parcela significativa desse montante. A estimativa é de aproximadamente R$ 3,51 por mês por veículo, considerando a redução do valor dos veículos ao longo de sua vida útil. Já a remuneração de capital, que engloba juros e retorno financeiro, soma cerca de R$ 2,75 por veículo por mês.
Os gastos com pessoal, incluindo motoristas, cobradores, fiscais e equipe administrativa, também representam uma parcela importante dos custos. Segundo o levantamento, esse item corresponde a cerca de R$ 1,19 por passageiro, considerando os custos mensais totais do sistema.
As despesas administrativas variam entre R$ 0,43 e R$ 0,66 por quilômetro e incluem taxas, impostos, seguros e outros encargos.
Demanda e arrecadação
A demanda de passageiros é outro fator considerado na composição da tarifa. O estudo aponta um índice de passageiros por quilômetro de aproximadamente 1,4071, indicador utilizado para calcular o valor necessário para cobrir os custos e manter o equilíbrio financeiro do sistema.
Cálculo da tarifa
A soma dos custos variáveis, de R$ 3,36 por quilômetro, com os custos fixos, de R$ 6,24 por quilômetro, resulta em um subtotal de R$ 9,60 por quilômetro, antes da incidência dos tributos.
Com a inclusão de ISS, INSS patronal e outros encargos, que representam cerca de 3,2% do valor, o custo total chega a aproximadamente R$ 9,92 por quilômetro. Dividido pelo índice de passageiros por quilômetro de 1,4071, o resultado é uma tarifa de R$ 7,05 por passagem, valor sugerido para 2026.
Comparação com a tarifa anterior
Em comparação com a tarifa vigente em julho de 2025, de R$ 5,90, o valor projetado representa um aumento de cerca de 19,5%. Segundo o estudo, a elevação reflete principalmente o crescimento dos custos de operação, com destaque para despesas com pessoal, combustíveis e encargos.
O levantamento também aponta uma redução na demanda de passageiros por quilômetro, que passou de 1,5365 para 1,4071. Esse fator também influencia a necessidade de reajuste da tarifa.
Ainda de acordo com o relatório, a revisão tarifária tem como objetivo garantir a sustentabilidade financeira do sistema de transporte, diante dos aumentos nos custos de manutenção e operação. O valor proposto também busca assegurar a continuidade do serviço e a manutenção da qualidade oferecida à população, sem prejuízo à acessibilidade.
A expectativa do Setranspetro é de que, após as análises e discussões com os órgãos reguladores e entidades representativas, o novo valor seja oficializado para o próximo período. A atualização da tarifa é apontada pelo sindicato como uma medida necessária para o equilíbrio econômico do transporte público em Petrópolis e para garantir a continuidade e futuras melhorias no serviço.
Antes de qualquer eventual reajuste, no entanto, a proposta precisa ser analisada pelo Conselho Municipal de Trânsito e, posteriormente, autorizada pelo Executivo.
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