Rua Teresa e Rua 16 de Março buscam unir comércio físico, presença digital, eventos e convivência para continuar atraindo consumidores em meio às mudanças nos hábitos de consumo
Roberto Jones - especial para o Diário
Comprar pela internet se tornou parte da rotina de muitos consumidores, mas a experiência de entrar em uma loja, experimentar um produto, conversar com um vendedor e circular por uma rua movimentada ainda oferece algo que o ambiente digital não consegue reproduzir completamente.
Para Heitor Carneiro, CEO da MUDI e membro da Comissão Gestora do Polo de Experiências da Rua 16 de Março e Alencar Lima, esse pode ser justamente um dos principais diferenciais do comércio físico nos próximos anos. “Não tem como falar do comércio varejista sem falar do online. Mas as lojas físicas continuam extremamente relevantes, oferecendo um ponto de contato com o seu público. É importante haver uma adaptação para que os dois mundos caminhem juntos”, afirma.
A avaliação também aparece entre os desafios apontados por Denise Fiorini, presidente da Associação de Lojistas da Rua Teresa (ARTE), e Marcelo Fiorini, presidente do Sicomércio Petrópolis. Para eles, a presença digital não deve ser encarada como concorrente do comércio de rua, mas como uma ferramenta que pode ampliar a relação entre marcas e consumidores.
O que a loja física ainda consegue oferecer
Para Denise o comércio de rua não deve tentar reproduzir o modelo das grandes plataformas digitais. "Precisamos oferecer aquilo que a compra online não consegue entregar: experiência. O consumidor quer ser bem recebido, ter um atendimento personalizado, experimentar as peças, receber sugestões e sentir confiança na compra. O consumidor pode conhecer uma peça pelas redes sociais, conversar pelo WhatsApp e depois ir à loja experimentar. O futuro não é escolher entre loja física ou internet, mas fazer as duas trabalharem juntas", defende.
Marcelo destaca que recursos como vendas por redes sociais, entregas rápidas, retirada na loja, promoções e diferentes formas de pagamento podem aproximar os dois ambientes. “O consumidor valoriza conveniência, mas também busca um atendimento humano e de qualidade. Por isso, os lojistas precisam investir em fidelização e oferecer benefícios para os clientes. Quem consegue unir qualidade, preço competitivo e bom relacionamento tem mais chances de conquistar e manter seus clientes".
Heitor acrescenta: "o ambiente da loja permite explorar elementos que não existem na mesma dimensão no digital. Explorar o branding sensorial é uma ferramenta muito importante, o som, o perfume, o contato com os vendedores. A experiência de compra é completamente diferente”.
A mudança nos hábitos de consumo exige uma nova relação entre comerciantes e clientes. "O cliente precisa ter um motivo para sair de casa e escolher comprar em Petrópolis. Se ele encontrar acolhimento, novidades, bons produtos, segurança, facilidade e uma experiência agradável, existe uma grande possibilidade de voltar e se tornar um cliente fiel", completa Denise.
Ruas que também são lugares de encontro
Para Heitor, a transformação dos polos comerciais passa ainda pela capacidade de fazer com que as ruas sejam destinos, e não apenas locais onde estão concentradas lojas. “A 16, muito charmosa, é uma rua de encontros onde petropolitanos de todas as idades frequentam desde o início da vida”, destaca.
A estratégia, segundo ele, é ampliar cada vez mais o tempo de permanência do consumidor na região. “A Feira da 16 completa dois anos esse ano e conquista cada vez mais público. Nossa ideia é oferecer sempre alguma atração para que o visitante passe mais tempo na rua", conta.
Moda, turismo e experiência
Na Rua Teresa, a aposta passa por transformar a tradição do polo em uma experiência renovada. Denise defende investimentos em infraestrutura, segurança, organização e qualificação, mas também uma aproximação maior entre moda e turismo. "Petrópolis recebe visitantes que precisam saber que aqui existe uma experiência de compras diferenciada. A Rua Teresa e a Rua 16 de Março precisam estar presentes na comunicação turística da cidade”.
Para ela, isso significa criar uma agenda permanente que envolva moda, gastronomia, cultura e entretenimento, além de melhorar aspectos como iluminação, mobilidade, estacionamento e comunicação visual. “A Rua Teresa e a Rua 16 de Março fazem parte da identidade comercial de Petrópolis e seguem como importantes geradores de emprego, renda e movimento econômico. Precisamos valorizar essa história sem ficar presos ao passado, transformando a tradição em um diferencial para o futuro, com a união entre lojistas, poder público e entidades representativas", pontua.
O futuro dos polos
Pensando nos próximos dez anos, os três entrevistados apontam para um comércio mais conectado ao digital, mas que preserve a força do contato presencial e da identidade dos polos. Heitor imagina a Rua 16 de Março cada vez mais consolidada como espaço de encontros e como ponto turístico, além de receber um número crescente de marcas locais. "Olhando para trás e tentando entender o futuro, imagino que a 16 de Março seja cada vez mais uma rua de encontros do petropolitano".
Para Denise, a Rua Teresa precisa se modernizar sem abandonar a história que construiu sua relevância. Ela defende ainda a chegada de novos negócios e novas gerações de empreendedores, ao mesmo tempo em que as empresas tradicionais sejam valorizadas. “A Rua Teresa tem um patrimônio muito importante: sua marca, sua história e sua capacidade de produzir e comercializar moda. Nosso desafio para os próximos dez anos é transformar esse patrimônio em inovação. Eu acredito que o futuro da Rua Teresa não está em competir com o passado, mas em usar toda a sua história para construir um novo futuro", destaca.
Para Marcelo, a adaptação às novas formas de consumo será indispensável para manter os dois polos como referências da cidade. Isso inclui qualificação, tecnologia, turismo de compras e ações permanentes de valorização. "Nos próximos dez anos, a expectativa é que a Rua Teresa e a Rua 16 de Março continuem sendo referências em moda e comércio, mas cada vez mais integradas ao ambiente digital. Para isso, é necessário agir desde agora. A adaptação às novas formas de consumo, aliada ao atendimento de qualidade e à tradição que essas ruas representam, será essencial para manter sua relevância e seu papel como grandes impulsionadoras da economia e do emprego em Petrópolis", finaliza.
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