Demétrio do Carmo - Especial para o Diário
O coronel Fernando Príncipe, ex-comandante do BOPE (Batalhão de Operações Policiais Especiais) e coronel da reserva da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMERJ), visitou o Diário de Petrópolis, nessa quinta-feira (2). Com ampla experiência na área de segurança pública, ele é reconhecido por fortalecer o BOPE e por implementar treinamentos de alto nível em outras unidades onde atuou.
Pré-candidato a deputado federal pelo Rio de Janeiro, Príncipe demonstrou preocupação com o cenário atual da segurança no estado. Segundo ele, a crescente politização do tema nas últimas décadas contribuiu para o agravamento da crise, marcada pela expansão de facções criminosas e milícias em diversos setores da sociedade, colocando em xeque tanto pequenos negócios quanto grandes empresas. “Hoje, os traficantes não vivem apenas do tráfico, mas de uma grande cadeia de serviços da qual se apropriaram, desde fornecimento de água, gás, energia elétrica, internet e tv a cabo, entre outros, nas comunidades. Se nada mudar, o Rio de Janeiro pode morrer economicamente em 15 anos”, alertou.
Durante a reunião, um dos pontos discutidos foi a implantação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), iniciada em 2008. Na avaliação de Príncipe, embora a proposta tivesse potencial, sua execução acabou contribuindo para a migração de criminosos para outras regiões do estado, incluindo cidades do interior.
“As UPPs não foram orientadas para ações de confronto. O que vemos hoje é a interiorização das facções criminosas, que disputam território em praticamente todos os municípios. Em Itaocara, por exemplo, uma cidade antes considerada pacata, foram registrados 48 homicídios no último ano. Situações semelhantes têm ocorrido em regiões como a dos Lagos e a Costa Verde”, afirmou.
Príncipe também criticou o atual sistema penal, especialmente as audiências de custódia, que, segundo ele, acabam colocando novamente em liberdade criminosos com diversas passagens pela polícia. “Um exemplo é que a PM prende uma média de 40 mil por ano e, nas carceragens do Estado têm, atualmente, apenas 40 mil detentos. Assim como em todo o Brasil que tem 700 mil encarcerados, quando deveria ter pelo menos um milhão”, analisa. Ele defende a tipificação de condutas ainda não enquadradas como crime, o fim da progressão de regime e a redução da maioridade penal medida que considera essencial para tornar a Justiça mais ágil e eficaz.
Ao abordar a estrutura das forças de segurança, o coronel destacou a falta de reajuste salarial para os agentes, sem correção desde 2017, e cobrou investimentos em infraestrutura. “É fundamental investir em tecnologia, inteligência, equipamentos e melhores condições físicas de trabalho, além de aprimorar a legislação para torná-la mais eficiente no combate à violência no Brasil”, concluiu.