Adicional é de R$ 4,46 para cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos
Larissa Martins
Após dois meses de aplicação da Bandeira Tarifária Vermelha patamar 2 nas contas de luz, com adicional de R$ 7,87 para cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos, o preço será reduzido em outubro. A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) anunciou na última sexta-feira (26) a bandeira vermelha patamar 1 para o próximo mês.
Isso significa que os consumidores receberão um adicional de R$ 4,46 para cada 100 quilowatts-hora (kWh) de energia consumidos: uma redução de 43% comparado aos meses anteriores.
Segundo a ANEEL, a indicação do volume de chuvas abaixo da média e o consequente reflexo no nível dos reservatórios não são favoráveis para a geração das usinas hidrelétricas. Diante desse cenário, há necessidade de acionamento de usinas termelétricas, que são mais caras.
“É importante ressaltar que a fonte solar de geração é intermitente e não injeta energia para o sistema o dia inteiro. Por essa razão, é necessário o acionamento das termelétricas para garantir a geração de energia quando não há iluminação solar, inclusive no horário de ponta”, informou.
Condições regionais
Maikon Del Ré Perin, Executivo de Risco e Inteligência de mercado da Ludfor empresa de gestão de energia para empresas explica que, embora a bandeira seja única para todo o país, as condições regionais influenciam indiretamente a decisão.
“A região Sudeste/Centro-Oeste, concentra a maior parte dos reservatórios hidrelétricos, então níveis baixos de vazão e reservatórios podem ocasionar o aumento do preço do mercado de curto prazo (PLD) e o acionamento da bandeira vermelha em todo o país. O sistema elétrico brasileiro é todo interligado, então a geração de energia de uma região pode ser transportada para as demais regiões do país. Na região Nordeste, a seca prolongada e a menor geração eólica em alguns períodos (devido a ventos menos intensos) aumentam a dependência de termelétricas locais, elevando custos. Na região Sul, chuvas irregulares e reservatórios com níveis abaixo do ideal (próximos a 50% em algumas usinas) também contribuem para o cenário nacional de escassez. Na região Norte, apesar de ter usinas como Belo Monte, a seca local pode forçar o uso de termelétricas regionais”, explica.
Segundo ele, o período chuvoso tem um impacto significativo na geração de energia elétrica no Brasil, especialmente por causa da dependência do país da energia hidrelétrica, que representa cerca de 65% da matriz elétrica.
“O impacto do período chuvoso é o aumento dos níveis dos reservatórios, redução do acionamento das termelétricas, não acionamento das bandeiras tarifárias (permanecendo na verde ou me bandeiras mais baratas), estabilidade e confiabilidade do sistema elétrico. Isso considerando que o período chuvoso ocorrerá na média ou acima da média, pois mudanças do período chuvoso, como bloqueios atmosféricos prolongados, podem atrapalhar o período de chuvas e frustrar expectativa”, observa.
Para ele, ainda que não sejam cobrados adicionais, é importante economizar energia.
“Mesmo com a bandeira tarifária verde, que indica ausência de acréscimos na conta de luz devido a condições favoráveis de geração de energia, economizar energia continua sendo importante pois preserva os reservatórios de água para geração de energia hidrelétrica em momentos de escassez, e isso ocasiona a redução de custos no longo prazo. Além disso, economizar energia reduz a necessidade de fontes poluentes e contribui com um menor impacto ambiental. E, além disso, economia financeira para as pessoas”, reforça.
Maikon destaca quais são as melhores práticas para consumidores reduzirem o consumo sem comprometer o conforto:
- Otimizar o uso do ar-condicionado: manter o aparelho entre 23°C e 25°C;
- Gerenciar o uso do chuveiro elétrico;
- Iluminação eficiente: utilização de lâmpadas a LED ou iluminação natural;
- Uso eficiente de eletrodomésticos como, por exemplo, evitar abrir a porta de geladeiras, frequentemente;
- Gerenciamento de aparelhos em stand-by: desligue aparelhos da tomada ou use réguas com interruptor para evitar o consumo em modo stand-by, que pode representar até 10-15% da conta de luz.
O especialista separou também dicas para empresas reduzirem os gastos. São elas:
- Migração para o Mercado Livre de Energia. Nesse mercado, você escolhe o fornecedor de energia, deixando de pagar a geração de energia para a distribuidora, e pagando essa parcela diretamente ao gerador de energia do sistema elétrico brasileiro com um custo mais competitivo, reduzindo os custos com energia e sem investimentos em geração. A economia pode alcançar até 35%;
- As empresas de pequeno porte podem contratar os serviços de Geração Distribuída, como o produto Simplifica da Ludfor, nele não há necessidade de aderir ao Mercado Livre de Energia. No entanto, a empresa acaba contratando energia de alguma usina conectada à sua distribuidora e ganhando créditos por essa geração, reduzindo os custos, isso também sem investimentos. A economia pode alcançar até 35%;
- Investimentos em fontes renováveis, como as usinas fotovoltaicas;
- Adoção de Tecnologias Eficientes, como LED, equipamentos mais novos e eficientes, acabam consumindo menos energia e reduzindo o total a ser pago para a concessionária de energia.
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