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Preferência por carteira assinada ainda predomina entre trabalhadores e repercute nas ruas de Petrópolis

Foto: Marcello Casal Jr / Agência Brasil
Foto: Marcello Casal Jr / Agência Brasil

Jamis Gomes Jr. - especial para o Diário de Petrópolis

Uma pesquisa divulgada pela Agência Brasil aponta que o emprego com carteira assinada segue como o modelo mais desejado pelos brasileiros. Em Petrópolis, o cenário não é muito diferente, mas as opiniões nas ruas mostram que a escolha entre estabilidade e flexibilidade ainda divide trabalhadores de diferentes perfis.

De acordo com levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), mais de um terço dos trabalhadores brasileiros que buscaram emprego recentemente opta pelo regime formal, regido pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). A principal justificativa está nos direitos garantidos, como férias remuneradas, 13º salário e acesso à Previdência Social. Os dados foram publicados pela Agência Brasil.

Entre os jovens, essa preferência é ainda mais evidente. A pesquisa mostra que 41,4% das pessoas entre 25 e 34 anos priorizam o vínculo formal, enquanto 38,1% dos trabalhadores de 16 a 24 anos seguem o mesmo caminho, refletindo a busca por segurança no início da carreira.

Direitos e segurança ainda pesam na escolha

Para o advogado Leandro Rodrigues, da Lima Vasconcellos Advogados, com atuação em Direito Empresarial e foco em Direito do Trabalho, o modelo CLT continua sendo valorizado justamente pelo conjunto de garantias que oferece ao trabalhador.

“O emprego com carteira assinada segue valorizado porque oferece um pacote robusto de direitos. O trabalhador tem férias com 1/3, 13º, FGTS, seguro-desemprego e proteção previdenciária automática pelo INSS. Há limites de jornada e normas de saúde”, explica.

Por outro lado, ele alerta para os riscos de vínculos informais ou da atuação como pessoa jurídica. “Sem vínculo celetista, o trabalhador não conta com férias, 13º salário, FGTS ou seguro-desemprego. A proteção previdenciária não é automática, e isso pode gerar insegurança financeira no futuro”, completa.

Opinião nas ruas de Petrópolis: estabilidade x liberdade

Nas ruas de Petrópolis, a preferência pela carteira assinada aparece com frequência, principalmente entre quem busca segurança financeira. Motorista, Eduardo Jesus, de 47 anos, é direto ao explicar sua escolha.

“Hoje eu prefiro trabalhar de carteira assinada, porque tenho mais garantias. Todo mês o salário está na conta. Aqui a gente precisa correr atrás o tempo todo”, afirma.

A balconista Juliana Alves Peixoto, de 32 anos, também destaca os benefícios como fator decisivo. “A CLT dá segurança. Se acontecer alguma coisa, você tem suporte, além de férias e décimo terceiro”, diz.

Já a professora Luana Vieira, de 44 anos, reforça a importância dos direitos. “Acho que o principal são os benefícios. Em um trabalho informal, você fica desamparado em várias situações”, avalia.

Por outro lado, há quem prefira a autonomia. O taxista Cleber Augusto Costa Soares, de 65 anos, optou pelo trabalho por conta própria após anos na CLT. “Hoje eu faço meu horário. Tenho flexibilidade e uma clientela que me garante renda”, explica.

O jornaleiro Diego Siqueira, de 21 anos, também aposta na independência. “Prefiro ter meu próprio negócio. É uma liberdade maior, sem depender dos outros”, afirma.

Já o gerente de vendas Vitor Garcia, de 28 anos, vê no empreendedorismo uma forma de melhorar a qualidade de vida. “Trabalhar para mim mesmo me dá mais possibilidade de crescer e ajudar minha família”, diz.

Cenário em transformação

Apesar do crescimento de alternativas como trabalho por aplicativos e atuação como autônomo, a pesquisa mostra que essas modalidades ainda são vistas, na maioria dos casos, como complemento de renda. Apenas 30% dos entrevistados consideram essas atividades como principal fonte de sustento.

O levantamento também revela alto nível de satisfação entre os trabalhadores brasileiros: 95% afirmam estar satisfeitos com seus empregos atuais, o que ajuda a explicar a baixa movimentação no mercado.

Equilíbrio entre segurança e autonomia

Os dados nacionais e a percepção local indicam que o mercado de trabalho vive um momento de transição. Enquanto a carteira assinada segue como sinônimo de segurança, cresce o interesse por modelos mais flexíveis, especialmente entre quem busca autonomia e maior controle sobre a rotina.

Em Petrópolis, assim como no restante do país, a decisão entre estabilidade e liberdade continua sendo uma escolha pessoal, influenciada pela fase da vida, pela profissão e pelas prioridades de cada trabalhador.

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