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  Saúde

Presidente do Cremerj aponta para dificuldades dos médicos

Walter Palis afirma que condições de saúde no sistema público têm afastado profissionais

Wellington Daniel

Walter Palis  - Foto divulgação

Com a pandemia, problemas da saúde pública no Brasil vieram à tona e ficaram mais evidentes. Um deles, é a falta de médicos. Em entrevista ao Diário, o presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro, Walter Palis, explicou que a falta de profissionais se dá pelas condições precárias de trabalho.

“Falta profissional, não porque ele não queira trabalhar, mas porque a estrutura é ruim. Vai e, às vezes, não recebe ou de forma fracionada. Somado a isso, o local não é adequado, falta insumos. Desta forma, o médico desanima”, apontando que o déficit oscila de um momento para o outro.

Palis também explica que as formas de contratação, por vezes emergencial, é outro ponto que contribui para a precariedade do serviço. O ideal seria a realização de concursos públicos, com um plano de carreira bem definido. A falta de profissionais também tem feito com que médicos tenham que dobrar plantões.

“Em alguns pontos do país, até podemos ter essa escassez de médicos. Mas, vou falar pelo Estado do Rio, que é o que represento. Aqui, não temos a escassez do profissional médico. O que temos é este conjunto que acaba afastando o médico desse tipo de atividade”, afirmou.

Em Petrópolis o governo municipal informou que, desde que assumiu a prefeitura, a atual gestão mantém o abastecimento de insumos, bem como de EPIs, nas unidades de Saúde da rede pública.

A Secretaria de Saúde disse que vem trabalhando para reforçar as equipes nas unidades de Saúde do município. O município esclarece, no entanto, que em função da pandemia, vem encontrando dificuldades para a contratação de médicos - situação relatada também por responsáveis por unidades da rede privada e que vem ocorrendo também em outras cidades.

 

‘Fases’

Segundo Palis, a pandemia teve fases distintas de desafios ao trabalho do médico. Em um momento inicial, quando a covid-19 pegou a todos se surpresa, a demanda alta por equipamentos de proteção individual (EPI) levou à escassez dos produtos, mas, após um tempo, o problema foi sanado.

“Em um segundo momento, quando a demanda começou a aumentar, começou a faltar área física, como leitos, alguns poucos insumos e recursos humanos. Também tem a história de contratações que foram feitas de forma emergencial, sem vínculo bem estabelecido. Foi uma demanda mais inicial, mas ficou perene ao longo do tempo. Esta forma de contratação persiste até hoje”, explicou.

O recrudescimento da pandemia fez com que alguns problemas ressurgissem. “E agora, mais para o final do ano e início deste, com a chegada dessa nova onda que veio um pouco mais forte, os problemas ressurgiram. Mas, desta vez, o que chegou a um ponto crítico foi a falta de insumos”.

 

Rede privada

Palis explica também que a rede privada sofre com a pandemia, mas consegue passar um pouco melhor, devido a autonomia. Pelo SUS, há um controle maior das ações. O presidente do Cremerj considera que seja algo positivo para a rede pública, pois evita abusos.

“A rede privada, de certa forma, passa um pouco melhor, porque tem uma autonomia que a rede pública não tem. A aquisição de medicamentos e contratação de pessoal é uma coisa direta”, disse.

 

Quantidade de médicos

Nas unidades de terapia intensiva, o correto é que se tenha de oito a dez paciente para cada médico de plantão. Porém, Palis explica que não é apenas isso, pois também são necessários médicos da rotina pela manhã e à tarde. “Se a unidade tem oito leitos, não basta ter um médico de plantão ali”, explicou.

Na visão do presidente do Cremerj, a pandemia aprofundou problemas já vistos na saúde. “A pandemia expôs uma situação que os profissionais de saúde já conheciam, talvez a grande população não. Falta de leitos sempre convivemos um pouco com isso, leitos de UTI sempre foram escassos. É óbvio que, com a demanda mais aumentada, isso ficou mais claro, mas sempre existiu e de forma bastante uniforme entre as cidades e os estados”.

Procurada sobre as questões abordadas na entrevista e também com questionamentos acerca da quantidade de médicos, a Prefeitura não respondeu até o fechamento desta matéria.

 



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