Edição anterior (4327):
terça-feira, 14 de julho de 2026


Capa 4327

Quatorze vítimas foram resgatadas de afogamentos em lagos, rios, represas, poços e cachoeiras de Petrópolis neste ano

Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático (SOBRASA) alerta que 66% dos óbitos registrados no país ocorrem nesses locais

Foto: SOBRASA
Foto: SOBRASA


Larissa Martins

De janeiro até essa segunda-feira (13), foram registrados 14 acionamentos para resgates de pessoas em lagos, rios, represas, poços e cachoeiras em Petrópolis. No mesmo período do ano anterior foram registradas 13 ocorrências. E em todo o ano de 2025 os Bombeiros atenderam a 20 chamados no município. Em apenas sete meses, o número de resgates esse ano já se aproxima do total do ano passado. Os dados são do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro (CBMERJ).

A 13ª edição do Boletim Brasil, da Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático (SOBRASA), de 2026, com ano base 2024, alerta que 66% dos óbitos registrados no país ocorrem em rios, lagos e represas.  A cada 90 minutos um brasileiro morre afogado, sendo os  homens as principais vítimas, em média, 6 vezes mais que as mulheres. Além disso, 41% das mortes ocorrem antes dos 29 anos de idade, e 57% das vítimas são solteiras.

O Afogamento também é a segunda causa óbito de crianças entre 1 e 4 anos, a terceira causa na faixa etária de 5 a 9 anos e quarta entre pessoas de 10 a 24 anos. De acordo com o levantamento, quatro crianças morrem afogadas diariamente, uma delas dentro da própria casa. As residências são os locais de morte de 52% das crianças de até 9 anos.

Além disso, dois adolescentes morrem pela mesma causa diariamente. Cerca de 30% dos casos ocorrem no verão de dezembro a fevereiro. O cenário traz um padrão recorrente e perigoso, onde ambientes considerados seguros, como residências e áreas de lazer privadas, têm se tornado palco de tragédias evitáveis.

"A cada caso noticiado, famílias são devastadas por uma tragédia que poderia ser evitada. Os afogamentos acontecem em locais muito diferentes, como baldes, piscinas, rios, poços e praias, o que demonstra que qualquer ambiente com água exige atenção e medidas de segurança. A maioria dessas ocorrências está relacionada à falta de supervisão adequada, barreiras de proteção e conhecimento sobre os riscos", destaca o secretário-geral da SOBRASA, Dr. David Szpilman.

Considerando o tempo de exposição, o afogamento tem 200 vezes mais risco de óbito que os incidentes de transporte. No entanto, houve redução de 45% na mortalidade em 29 anos (1996 a 2024).

Traumas

Além das mortes, há também a possibilidade de traumas por mergulho. Dentre todos os mais comuns,  o cervical em águas rasas, é usualmente uma situação desastrosa em questão de minutos. Estudo de 10 anos da SOBRASA no Brasil de 2013 a 2022, com o uso do CID W16 (Mergulho pulo ou queda na água causando outro traumatismo que não afogamento ou submersão), revela:


A idade mais afetada foi entre 15 e 44 anos (76%) e 95% eram homens.

Total de traumas por mergulho foi 4.986.

503 mortes por mergulho (10%), sendo 28% (143) antes de chegar ao hospital ou Unidade de Pronto Atendimento (UPA).

4.843 pessoas foram hospitalizadas, em média por 5,8 dias, com um custo hospitalar total de R$ 9.797.360,33 e mortalidade intra-hospitalar de 7,4% (360 pessoas).

O risco de lesão por mergulho na população geral sem considerar a exposição foi de 0,24/100.000 habitantes.A região Sul destaca-se com um risco 4 vezes maior.

Foram incluídos apenas os casos registrados como hospitalar e óbitos, excluindo todas as pequenas lesões que não necessitaram de atendimento pelo sistema SUS ou que tiveram internações na saúde privada sem cobrança/notificação ao sistema SUS.

Dia Mundial da Prevenção

No dia 25 de julho é celebrado o Dia Mundial da Prevenção do Afogamento. A data foi instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2021 e tem como objetivo conscientizar a população sobre o problema que ainda provoca milhares de mortes evitáveis todos os anos.

Por isso, a SOBRASA está mobilizando instituições públicas e privadas, organizações sociais e voluntários para as ações realizadas na data. A campanha deste ano convida a sociedade a participar de três grandes mobilizações nacionais que unem conscientização, educação e atividades aquáticas + seguras.

A primeira delas é o movimento "Go Blue" (Vista-se de Azul), que pretende reunir mais de 10 mil voluntários em uma grande corrente de conscientização. A proposta é que monumentos, prédios públicos, pontos turísticos e espaços emblemáticos sejam iluminados na cor azul em referência à campanha. A população também é convidada a usar roupas azuis no dia 25 de julho e compartilhar nas redes sociais fotos, vídeos e mensagens de prevenção ao afogamento utilizando o selo oficial da campanha e as hashtags do movimento. A iniciativa busca chamar a atenção para um problema de saúde pública que pode ser prevenido por meio da informação e da adoção de comportamentos + seguros.

A segunda ação, intitulada "Celebrando sua Cidade", incentiva a realização de palestras, workshops, rodas de conversa e cursos de emergências aquáticas em municípios de todo o país. Escolas, universidades, academias, clubes, órgãos públicos e entidades da sociedade civil podem promover atividades educativas voltadas à prevenção dos afogamentos e à capacitação da população para agir de forma + segura em ambientes aquáticos. Diversas cidades já programaram ações para este ano, entre elas Rio de Janeiro, Vitória, Salvador, Recife, Fortaleza, Natal, Manaus, Belém, Porto Alegre, Curitiba, Santos, Guarujá, João Pessoa, Maceió, Rio Branco, Boa Vista, Macapá, São Luís e Brasília.

A terceira mobilização é o desafio "Dando a Volta no Planeta Azul", que convida praticantes de esportes aquáticos e amantes da água a participarem de atividades como natação, surf, stand up paddle, remo, canoagem e outras modalidades realizadas com equipamentos de flutuação e segurança. O objetivo é somar simbolicamente as distâncias percorridas por participantes de diferentes regiões do Brasil e do mundo, representando uma volta completa ao redor do planeta Terra e reforçando a mensagem de que a prevenção salva vidas. Os participantes são incentivados a compartilhar suas atividades nas redes sociais, explicando sua adesão ao movimento pela redução dos afogamentos.

“Em 2025, a mobilização reuniu participantes nos 27 estados brasileiros, com 554 instituições envolvidas, 369 ações presenciais e mais de 8.300 voluntários atuando na campanha. Para 2026, a nossa expectativa é ampliar ainda mais o alcance da iniciativa, fortalecendo a cultura da prevenção e disseminando informações que contribuam para reduzir as ocorrências de afogamento no país”, afirma o Secretário-Geral da Sobrasa, David Szpilman. “O Dia Mundial da Prevenção do Afogamento é uma oportunidade para transformar informação em atitude e salvar vidas", acrescenta.

Orientações do CBMERJ

O Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro alerta quanto aos riscos do banho em rios e lagos, locais que parecem seguros, mas escondem perigos que muitas vezes não são visíveis, como profundidade, correnteza, raízes e galhos, que podem ser fatores que podem levar ao afogamento.

Mesmo em rios conhecidos, o relevo do solo pode mudar por deslocamento de pedras e troncos, alterando a profundidade da água. Não é aconselhável o salto nesses locais, tendo em vista o risco de lesões e traumas. A correnteza forte é outro risco do banho em rios, principalmente quando os níveis estão acima da normalidade.

Caso se depare com uma em situação de perigo na água, acione imediatamente o Corpo de Bombeiros pelo telefone 193. Se possível, disponibilize algum material flutuante para a vítima e aguarde a chegada do socorro. Não se arrisque entrando na água para tentar efetuar o salvamento por conta própria. Você pode se tornar mais uma vítima.

Nas praias, a orientação do Corpo de Bombeiros RJ é que os banhistas procurem os locais próximos aos postos de guarda-vidas, que respeitem as orientações dos profissionais e a sinalização das bandeiras informando as condições do mar e o local indicado para o banho seguro.

Além disso, a corporação alerta para os cuidados com as crianças. Jamais deixe elas sozinhas, mantendo sempre próxima com a distância de no máximo um metro. Além disso, a orientação é não mergulhar à noite ou após ingestão de bebida alcoólica.

Mais informações estão disponíveis no manual da SOBRASA, no endereço: https://sobrasa.org/afogamento-boletim-epidemiologico-no-brasil-ano-2026-ano-base-de-dados-2024/ .

Edição anterior (4327):
terça-feira, 14 de julho de 2026


Capa 4327

Veja também:




• Home
• Expediente
• Contato
 (24) 99993-1390
redacao@diariodepetropolis.com.br
Rua Joaquim Moreira, 106
Centro - Petrópolis
Cep: 25600-000

 Telefones:
(24) 98864-0574 - Administração
(24) 98865-1296 - Comercial
(24) 98864-0573 - Financeiro
(24) 99993-1390 - Redação
(24) 2235-7165 - Geral