InfoGripe aponta para aumento recente de casos de SRAG nessa faixa etária
Larissa Martins
Dados da Secretaria Municipal de Saúde de Petrópolis mostram que houve queda na vacinação contra covid-19 e influenza em crianças menores de dois anos neste ano em comparação a 2025.
De 01/01 a 14/05 de 2025, cerca de 2,8 mil doses da do imunizante da gripe foram aplicadas nesse público, caindo para 2,4 mil no mesmo período de 2026. Em relação à vacina da covid, 1,4 mil doses foram aplicadas nas crianças de até dois anos no ano passado, enquanto nesse ano foram 895.
No entanto, o Sistema de Informação da Vigilância Epidemiológica da Gripe (SIVEP-Gripe) aponta para redução no número de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em crianças de até 1 ano em Petrópolis neste ano. Os dados específicos de até 2 anos não foram disponibilizados. De janeiro a abril, 146 casos foram notificados, contra 168 no mesmo período de 2025.
InfoGripe
Nessa quinta-feira (14), o boletim InfoGripe, da Fiocruz, alertou para o aumento de casos de SRAG em todo o país, principalmente entre crianças menores de 2 anos, sendo impulsionado pelo vírus sincicial respiratório (VSR). As demais faixas etárias apresentam estabilização do número de casos. O estudo destaca também que as hospitalizações por influenza A continuam aumentando em todos os estados da Região Sul e em alguns estados do Norte (Roraima e Tocantins) e do Sudeste (São Paulo e Espírito Santo). A atualização é referente à Semana Epidemiológica 18, período de 3 a 9 de maio.
“A principal forma de prevenção contra agravamentos e óbitos por VSR e influenza A é a vacinação. Por isso, é essencial que as pessoas com maior risco de agravamento por esses vírus se vacinem. A vacina contra o VSR é aplicada em gestantes a partir da 28ª semana e protege os bebês principalmente durante os seis primeiros meses de vida. Também existem anticorpos monoclonais contra o VSR disponíveis de graça no SUS, que podem ser aplicados em crianças prematuras ou menores de dois anos com comorbidades. Já a vacina anual contra a influenza é destinada aos grupos prioritários, como idosos, gestantes, pessoas com comorbidades e crianças de até 6 anos”, afirma a pesquisadora Tatiana Portella, do Boletim InfoGripe e do Programa de Computação Científica da Fiocruz.
O Boletim mostra que em relação aos óbitos registrados no período, as mortes por influenza A respondem por 51,8% dos casos. A seguir vem as por rinovírus com 15,4%, Sars-CoV-2 (Covid-19) com 11,8%, 11,4% por vírus sincicial respiratório e influenza B com 4% dos casos. Apesar da baixa incidência dos casos de SRAG por Covid-19 em todas as faixas etárias, o vírus continua sendo a segunda causa de mortalidade entre os idosos. Os casos de SRAG por Covid-19 estão em baixa na maior parte do país, e já mostram sinais de desaceleração do crescimento no Maranhão e no Ceará.
Estados e capitais
O número de hospitalizações por influenza A, informam os pesquisadores do InfoGripe, continua aumentando em todos os estados da Região Sul e em alguns estados do Norte (RO e TO) e do Sudeste (SP e ES). O rinovírus também tem contribuído para o aumento de SRAG em alguns estados do Norte (AM, AP), Sudeste (MG e RJ) e Sul (RS, SC). Segundo a análise, estão com incidência de SRAG em nível de alerta de risco ou alto risco Acre, Amapá, Amazonas, Bahia, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Paraíba, Pará, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Santa Catarina, São Paulo e Tocantins.
As ocorrências de SRAG por VSR têm aumentado em estados de todas as regiões. No entanto, já apresentam indícios de interrupção do crescimento ou queda em boa parte da região Norte (AM, RR, RO, TO) e em alguns estados do Centro-Oeste (GO e MT). Por outro lado, os casos de SRAG por Covid-19 estão em baixa na maior parte do país e já mostram sinais de desaceleração do crescimento no MA e CE.
O Boletim verificou que 15 das 27 capitais apresentam nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas) com sinal de crescimento de SRAG na tendência de longo prazo (últimas seis semanas) até a Semana 18. São elas Belém (PA), Belo Horizonte (MG), Campo Grande (MS), Cuiabá (MT), Florianópolis (SC), Macapá (AP), Maceió (AL), Manaus (AM), Palmas (TO), Porto Alegre (RS), Rio Branco (AC), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA), São Paulo (SP) e Teresina (PI).
Dados epidemiológicos
Em nível nacional, o cenário atual sinaliza aumento na tendência de longo prazo (últimas seis semanas) e estabilidade ou oscilação na tendência de curto prazo (últimas três semanas). Em 2026, já foram notificados 57.585 casos de SRAG, sendo 26.338 (45,7%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 21.500 (37,3%) e cerca 5.653 (9,8%) aguardando resultado laboratorial.
A nova edição do sinaliza ainda que este ano já foram verificados 26,3% de influenza A, 2,2% de influenza B, 25,3% de vírus sincicial respiratório, 36,1% de rinovírus e 7,4% de Sars-CoV-2 (Covid-19). Nas últimas semanas epidemiológicas, a prevalência entre os casos positivos foi de 27,2% de influenza A, 3,7% de influenza B, 41,5% de vírus sincicial respiratório, 25,5% de rinovírus e 2,9% de Sars-CoV-2 (Covid-19).
Os dados de resultados laboratoriais por faixa etária mostram que o aumento dos casos de SRAG em crianças menores de 2 anos tem sido impulsionado pelo VSR. Já o sinal de estabilização dos casos de SRAG nas faixas etárias de 2 a 14 anos e acima de 15 anos reflete a desaceleração do crescimento ou queda das hospitalizações por rinovírus e influenza A, respectivamente, em muitos estados.
Incidência e mortalidade
A incidência e a mortalidade semanais médias, nas últimas oito semanas epidemiológicas, mantêm o padrão característico de maior impacto nos extremos das faixas etárias analisadas. A incidência de SRAG é mais elevada nas crianças pequenas e está associada principalmente ao VSR e ao rinovírus. Já a mortalidade é maior entre os idosos, liderado pela influenza A. Em relação aos casos de SRAG por influenza A, a incidência tem apresentado maior impacto nas crianças menores de 2 anos, enquanto a mortalidade tem maior impacto na população a partir de 65 anos.
O Boletim InfoGripe é uma estratégia do Sistema Único de Saúde (SUS) voltada ao monitoramento de casos de SRAG no país. A iniciativa oferece suporte às vigilâncias em saúde na identificação de locais prioritários para ações, preparações e resposta a eventos em saúde pública.
Com informações da Agência Fiocruz de Notícias
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