Demétrio do Carmo - Especial para o Diário
Com o reajuste do salário mínimo em 6,8%, que começou a vigorar em janeiro, o valor passou a ser de R$ 1.621. A correção representou um aumento nominal de R$ 103. Já para os aposentados e pensionistas que recebem acima do salário mínimo, o reajuste aplicado pelo INSS foi de 3,9%. Um beneficiário com renda mensal de R$ 2 mil, por exemplo, terá um acréscimo de R$ 78 no valor do benefício, percentual inferior ao reajuste do mínimo e à inflação e que sacrifica esta parcela da população.
A cada ano, o valor real do benefício encolhe, obrigando muitos aposentados a rever despesas básicas e a reduzir o padrão de vida construído ao longo de décadas de trabalho e contribuição ao INSS. Gastos com saúde, que tendem a aumentar com o avanço da idade, tornam-se ainda mais difíceis de absorver com reajustes abaixo da inflação percebida no dia a dia.
A aposentada petropolitana Rosane Leal, 69 anos, é um exemplo desta realidade. Segundo ela, ao menos metade do que ganha mensalmente é gasto com remédios e consultas. Tenho diabetes, hipertensão severa que necessita de acompanhamento e remédios que não são disponibilizados pela Farmácia Popular, então tenho que arcar com custos todos, lamentou. Ela relata ainda que mesmo com duas aposentadorias precisa recorrer aos filhos quando o dinheiro falta. Acho uma injustiça, porque trabalhei a vida toda para poder ter um pouco de conforto e segurança na velhice, completou.
Outro impacto relevante é a desvalorização das contribuições feitas durante a vida laboral. Muitos segurados optaram por contribuir com valores maiores justamente para garantir uma aposentadoria mais confortável no futuro. No entanto, a política de correção atual faz com que esses benefícios percam valor real ao longo do tempo, enfraquecendo a lógica contributiva do sistema previdenciário.
Especialistas e entidades que representam aposentados alertam que a diferença entre os índices de reajuste provoca perda gradual do poder de compra para quem recebe acima do piso. Esse efeito atinge cerca de 13,2 milhões de aposentados e pensionistas e tende a se acumular ao longo dos anos, reduzindo o valor real dos benefícios e frustrando expectativas de maior segurança financeira após décadas de contribuição à Previdência.
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