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Recuperações judiciais batem novo recorde e acendem alerta para empresas de Petrópolis

Foto: Reprodução
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Jamis Gomes Jr. - especial para o Diário de Petrópolis

O número de empresas em recuperação judicial no Brasil voltou a bater recorde no primeiro trimestre de 2026 e acende um alerta também para empresários de Petrópolis. Segundo dados do Monitor RGF de Recuperação Judicial, da consultoria RGF & Associados, o país encerrou o período com 5.931 empresas em processo de reestruturação financeira, um crescimento de 4,4% em relação ao trimestre anterior e de 22% na comparação com o mesmo período do ano passado. As informações foram divulgadas pelo Valor Econômico.

Entre janeiro e março, 319 pedidos de recuperação judicial foram deferidos, somando cerca de R$ 18 bilhões em dívidas. Esta é a 11ª alta consecutiva desde o início da série histórica do levantamento, iniciado no segundo trimestre de 2023.

Apesar de o avanço ter sido menor do que no último trimestre de 2025, a consultora Roberta Gonzaga, da RGF, destacou que isso não representa melhora no cenário empresarial.

Segundo ela, o fim de 2025 foi um ponto fora da curva e ainda não há expectativa de desaceleração contínua nos próximos meses.

O professor de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV), Mauro Rochlin, atribui esse cenário principalmente aos juros elevados e à manutenção da taxa Selic em 15%, o que pressiona diretamente o caixa das empresas e dificulta o acesso ao crédito.

A conselheira do Conselho Regional de Contabilidade do Rio de Janeiro (CRCRJ), Mariana Bonfim, explica que, na maioria das vezes, a recuperação judicial não acontece por um único problema, mas por uma sequência de erros financeiros e decisões mal planejadas.

“Um dos problemas mais comuns é o descasamento do fluxo de caixa, quando a empresa financia ativos de longo prazo com dívidas de curto prazo. Se o faturamento não acompanha o vencimento dessas parcelas, a empresa enfrenta falta de liquidez, mesmo sendo lucrativa no papel”, afirma.

Ela também destaca a alavancagem excessiva como um fator recorrente, quando empresários assumem muitos empréstimos baseados em projeções otimistas demais.

“Se a economia desacelera, o custo da dívida passa a consumir toda a margem de lucro. Outro problema muito observado, principalmente em empresas familiares, é a mistura entre finanças pessoais e empresariais, quando o caixa da empresa passa a ser usado para despesas dos sócios”, explica.

Segundo Mariana, o cenário de juros altos agrava ainda mais esse processo.

“Na prática, empresas que antes gastavam 10% do lucro pagando juros passam a gastar 30% ou até 40%. Isso reduz a capacidade de reinvestir, pagar fornecedores e manter o capital de giro funcionando”, pontua.

Ela ressalta, no entanto, que a recuperação judicial deve ser vista como o último recurso.

“Antes disso, o empresário ainda pode buscar alternativas como renegociação com bancos, venda de ativos não estratégicos e uma gestão mais rígida focada em caixa. Existe também a recuperação extrajudicial, que pode ser uma solução mais rápida e menos traumática”, finaliza.

O aumento dos pedidos de recuperação judicial mostra que, mesmo com sinais de crescimento econômico, muitas empresas ainda enfrentam dificuldades para manter as contas em dia, especialmente diante do crédito caro e da pressão financeira acumulada nos últimos anos.

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