Demétrio do Carmo - Especial para o Diário
A Companhia Petropolitana de Trânsito e Transportes (CPTrans) encaminhou à 4ª Vara Cível de Petrópolis um relatório técnico com análise sobre a operação da Turp no sistema de transporte público da cidade. O documento integra as exigências determinadas pelo juiz Jorge Luiz Martins no processo judicial que trata do reajuste da tarifa de ônibus no município e aponta preocupação quanto às condições de confiabilidade mecânica da frota e registra a ocorrência de um número expressivo de viagens que deixaram de ser realizadas, principalmente por falta de veículos disponíveis para circulação no mês de fevereiro.
Entre os anexos encaminhados à Justiça está uma avaliação do desempenho operacional da empresa no período compreendido entre novembro de 2025 e janeiro de 2026. Segundo a CPTrans, houve uma melhora parcial em alguns indicadores nesse intervalo, especialmente no que se refere à regularidade das viagens em linhas consideradas mais problemáticas e à diminuição das autuações relacionadas à supressão de viagens no mês de janeiro.
Apesar desse avanço pontual, a análise técnica indica que o sistema ainda apresenta fragilidades estruturais. O relatório destaca que não houve ampliação no número de linhas retomadas, permanecendo apenas aquelas que já haviam sido reativadas anteriormente. Além disso, a quantidade de veículos em circulação segue abaixo do que está previsto em contrato, que estabelece a operação de 124 ônibus em dias úteis.
Outro aspecto observado é a instabilidade no índice de infrações mecânicas, apontando, segundo a companhia, a necessidade de aperfeiçoamento nos processos de manutenção preventiva da frota. O documento também ressalta que a melhora registrada em janeiro pode estar relacionada a fatores sazonais, como a queda na demanda de passageiros e a redução na programação de viagens durante esse período.
O relatório menciona ainda o envio de uma notificação à empresa solicitando esclarecimentos sobre a supressão de viagens registrada em fevereiro. Conforme a CPTrans, o setor de monitoramento operacional identificou um volume significativo de viagens não realizadas, associadas, em sua maioria, à indisponibilidade de veículos para operação.
Em manifestação encaminhada à Companhia Petropolitana de Trânsito e Transportes (CPTrans), a Turp apresentou uma série de esclarecimentos sobre a situação de sua frota. Entre os pontos abordados, a empresa argumenta que a manutenção dos veículos está diretamente condicionada ao equilíbrio financeiro do contrato e às condições da malha viária do município, cuja responsabilidade é do poder concedente. Segundo a concessionária, a precariedade de algumas vias contribui para o aumento do desgaste dos ônibus.
No documento, a empresa também informou que, no dia 26 de fevereiro de 2026, havia 36 veículos temporariamente fora de circulação. Os ônibus estavam classificados em diferentes estágios de manutenção, incluindo unidades próximas de serem liberadas para operação e outras que demandavam intervenções mecânicas mais complexas.
A Turp acrescentou que a lista de veículos indisponíveis é dinâmica, com constante movimentação entre entrada e saída da manutenção. Para evitar impactos maiores no serviço, a empresa afirma utilizar a chamada reserva técnica da frota para suprir momentaneamente a ausência de alguns veículos.
Ainda conforme a concessionária, foi elaborado um plano para recuperar gradualmente os ônibus que permanecem parados na garagem. A expectativa é que a recomposição da frota ocorra de forma progressiva, com prazo estimado de até 40 dias a partir de 2 de março para que a operação seja normalizada.
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