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Renda disponível das famílias atinge menor nível em 15 anos e preocupa especialistas

Foto: Magnific
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Jamis Gomes Jr. - especial para o Diário de Petrópolis

Sobrar dinheiro no fim do mês tem se tornado uma realidade cada vez mais distante para grande parte dos brasileiros. Segundo levantamento divulgado com repercussão em veículos como TV Globo e Valor Econômico, a chamada renda disponível para consumo, ou seja, o valor que resta após o pagamento de impostos, aluguel, alimentação, contas básicas e dívidas, chegou ao menor patamar dos últimos 15 anos.

Em fevereiro deste ano, essa “sobra” no orçamento familiar caiu para 21%, contra 23,6% registrados no início de 2024. Embora a diferença pareça pequena, ela representa bilhões de reais a menos circulando em setores como comércio, lazer, turismo, vestuário e serviços, impactando diretamente a economia e o consumo das famílias.

Além disso, a percepção da população confirma esse cenário de aperto financeiro. Uma pesquisa Datafolha apontou que 59% dos brasileiros consideram a própria renda insuficiente para cobrir as despesas básicas do mês. O levantamento também mostrou que 45% das pessoas precisaram buscar fontes alternativas de renda recentemente para conseguir equilibrar as contas.

Mesmo com a taxa de desemprego em baixa, atualmente em 5,8%, o poder de compra da população segue pressionado. Isso acontece porque o aumento do custo de vida não tem sido acompanhado pelo crescimento dos salários, criando um cenário em que trabalhar mais nem sempre significa conseguir respirar financeiramente.

Para a vice-presidente de Tecnologia da Informação e Inovação do CRCRJ, Daniele Marinho, muitas vezes o problema não está apenas no valor recebido, mas na forma como o dinheiro é administrado.

“A sensação de trabalhar muito e ver o saldo zerar antes do esperado é a realidade de mais de 54% dos brasileiros em 2026. O problema raramente é o valor do salário, mas sim pequenos hábitos que drenam o orçamento”, explica.

Segundo ela, gastos considerados pequenos acabam se tornando grandes vilões no fim do mês. “O efeito invisível acontece com aplicativos de entrega, cafezinhos e assinaturas esquecidas, que não são registrados e somam centenas de reais ao mês. Além disso, o uso excessivo do cartão de crédito para compras básicas cria uma bola de neve que compromete meses de salário futuro”, alerta.

Daniele também destaca que, em momentos de orçamento apertado, recorrer ao crédito pode ser uma armadilha ainda maior.

“O endividamento excessivo apenas adia um problema que pode se tornar uma bola de neve. A chave para sobreviver a esse cenário é a gestão de danos. Primeiro, é preciso listar os custos inegociáveis, como aluguel, luz e comida. O que sobrar deve ser administrado com muito rigor”, afirma.

Ela recomenda ainda mudanças simples no dia a dia, como substituir o cartão de crédito pelo débito, reduzir gastos com alimentação fora de casa e priorizar o consumo consciente. “Em tempos difíceis, o maior aliado do seu bolso é a capacidade de dizer não, para promoções aparentemente imperdíveis, para pequenos luxos diários e principalmente para o uso do limite do banco. Organização financeira não depende apenas de quanto se ganha,
mas de como se protege o que se tem”, reforça.

Sobre a busca por renda extra, a especialista ressalta que ela pode ser positiva, desde que não se transforme em dependência.

“A renda extra deve ser um acelerador de sonhos, não uma muleta para um orçamento quebrado. Quando ela passa a ser necessária para pagar aluguel, conta de luz ou juros do cartão, isso já é um sinal de alerta. O ideal é que ela sirva para quitar dívidas e construir patrimônio, e não para sustentar despesas fixas”, conclui.

Com menos dinheiro circulando além do essencial, o comércio e o setor de serviços tendem a desacelerar, criando um ciclo que afeta tanto o consumidor quanto a economia como um todo. Em cidades como Petrópolis, onde o comércio local tem forte peso na geração de renda, esse cenário também acende um sinal de atenção.

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