Jamis Gomes Jr. - especial para o Diário de Petrópolis
O rendimento médio dos brasileiros atingiu o maior patamar da série histórica em 2025. Dados divulgados nessa sexta-feira (8) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que a renda mensal média da população chegou a R$ 3.367, representando um crescimento real de 5,4% em comparação com 2024. O levantamento faz parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua. As informações são do g1 e do IBGE.
Segundo a pesquisa, mais brasileiros passaram a ter alguma fonte de rendimento no último ano. Ao todo, 67,2% da população residente no país recebeu dinheiro vindo de trabalho, aposentadoria, programas sociais, aluguel ou outras fontes de renda. O trabalho segue sendo o principal motor da economia doméstica no Brasil.
A soma dos salários recebidos pelos trabalhadores chegou a R$ 361,7 bilhões por mês em 2025. Já o rendimento médio mensal vindo exclusivamente do trabalho atingiu R$ 3.560, também o maior valor já registrado pela série histórica do IBGE.
O crescimento ocorre em um cenário de mercado de trabalho mais aquecido, impulsionado pela redução da taxa de desemprego e pelo aumento da população ocupada. Segundo os dados divulgados pelo instituto, o avanço da renda vem sendo registrado de forma consecutiva nos últimos anos, especialmente após o período mais crítico da pandemia.
O economista Tiago Abranches Velloso, formado pelo Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (IBMEC), especialista em investimentos e atualmente especialista de investimentos no Santander Brasil, avalia que os números mostram um avanço importante da economia brasileira, sobretudo no mercado formal de trabalho. Ele possui certificações CEA, da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (AMBIMA), e ANCORD, além de experiência em gestão patrimonial, construção de portfólios e aulas na área de finanças.
“O aumento da renda média é positivo e mostra um mercado de trabalho ainda relativamente aquecido, principalmente quando olhamos o avanço do emprego formal e da massa salarial. O rendimento médio real chegou ao maior patamar da série histórica do IBGE, acima de R$ 3,3 mil, o que mostra ganho real descontando a inflação”, afirmou.
Apesar do cenário positivo apresentado pelos indicadores econômicos, o especialista ressalta que a percepção da população no dia a dia nem sempre acompanha os dados estatísticos.
“Mas isso não significa que a população necessariamente sente melhora proporcional na qualidade de vida. Porque a percepção das pessoas está muito ligada ao consumo do dia a dia. E justamente os itens que mais pesam para a população, principalmente classe média e baixa renda, continuam pressionados, como alimentos, aluguel, energia, plano de saúde e serviços. Então existe uma diferença entre melhora estatística da renda e sensação real de poder de compra. A renda cresceu, mas o custo de vida também continua elevado”, completou.
Comércio e serviços podem sentir reflexos positivos em Petrópolis
O aumento da renda e da empregabilidade também pode gerar impactos diretos na economia de cidades como Petrópolis, especialmente em setores ligados ao comércio, turismo e prestação de serviços, considerados pilares importantes da economia local.
Segundo Tiago Velloso, quando a população possui mais estabilidade financeira, o dinheiro tende a circular com maior intensidade dentro da própria cidade.
“Em cidades como Petrópolis, aumento de renda e emprego tende a gerar um efeito multiplicador importante na economia local. Quando as pessoas têm mais renda e mais segurança no emprego, o primeiro impacto geralmente aparece no comércio e nos serviços. Restaurante, varejo, turismo, salão de beleza, pequenos negócios e prestadores de serviço acabam sendo diretamente beneficiados”, explicou.
O economista destacou ainda que Petrópolis possui características econômicas que favorecem esse movimento.
“Petrópolis tem uma economia muito ligada a serviços, turismo e comércio regional. Então melhora de renda normalmente gera aumento de circulação de dinheiro dentro da própria cidade”, disse.
Além do impacto no consumo, especialistas apontam que o aumento da renda também pode estimular investimentos, abertura de pequenos negócios e fortalecimento do mercado local. Em períodos de maior estabilidade econômica, consumidores tendem a retomar gastos que antes eram adiados, como lazer, viagens, reformas e compras de maior valor.
Apesar disso, o levantamento do IBGE mostra que as desigualdades continuam profundas no país. A renda média ainda varia significativamente entre homens e mulheres, pessoas brancas, pretas e pardas, além de diferenças ligadas à escolaridade e às regiões do Brasil.
Em 2025, pessoas brancas tiveram rendimento médio de R$ 4.577, enquanto pessoas pretas receberam, em média, R$ 2.657. Já entre os pardos, a média ficou em R$ 2.755. A diferença salarial entre homens e mulheres também permanece elevada.
Outro fator apontado pela pesquisa é o peso da escolaridade no rendimento do trabalhador brasileiro. Pessoas com ensino superior completo tiveram renda média de R$ 6.947, valor mais de quatro vezes maior do que o recebido por trabalhadores sem instrução formal.
Para Tiago Velloso, a desigualdade estrutural do país continua sendo um dos principais obstáculos para uma distribuição mais equilibrada da renda.
“A desigualdade persiste porque o crescimento da renda no Brasil não acontece de forma homogênea. Existe uma diferença estrutural muito grande de acesso à educação, qualificação, mercado formal, mobilidade social e oportunidades econômicas. Quem possui maior escolaridade tende a acessar empregos mais produtivos e melhor remunerados. Regiões mais desenvolvidas também concentram investimentos, infraestrutura e maior dinamismo econômico”, afirmou.
O especialista ressalta que, embora os números mostrem evolução econômica, o avanço ainda não alcança toda a população da mesma forma.
“Então, mesmo com melhora da renda média, isso não significa que todos avançam na mesma velocidade. O país melhora na média, mas ainda mantém uma desigualdade estrutural muito elevada”, concluiu.
De acordo com o IBGE, o rendimento domiciliar per capita também alcançou recorde em 2025. Mesmo assim, Norte e Nordeste seguem apresentando os menores níveis de renda do país, embora tenham registrado crescimento nos últimos anos. Já as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste continuam concentrando os maiores rendimentos médios do Brasil.
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