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  Colunistas
Ronaldo Fiani
COLUNISTA

 

Se Petrópolis Produzir Conhecimento, Todos Ganham

No último domingo destaquei que o desenvolvimento das tecnologias digitais e de comunicação abriu espaço para pequenas e médias empresas, que distribuem seus produtos (principalmente softwares) para o mundo todo. Assim, modernamente desenvolvimento não é mais sinônimo de grandes fábricas. Esta nova situação possibilita que empresas tecnologicamente dinâmicas se situem em cidades médias, ou mesmo pequenas.

Ou seja, o que importa agora não é mais que a cidade possua grande população e, por conseguinte, disponha de grande volume de força de trabalho disponível para movimentar grandes fábricas. Estas novas tecnologias de ponta demandam, na verdade, força de trabalho altamente qualificada, incluindo especialistas com doutorado na área técnica e científica.

Para se ter uma ideia de como o tamanho da cidade deixou de ser importante para o desenvolvimento, considere o exemplo de Palo Alto nos Estados Unidos, com apenas 66 mil habitantes. Outro exemplo é Cambridge na Grã-Bretanha, com menos de 124 mil habitantes (menos da metade da população de Petrópolis). Mesmo Dresden, na Alemanha, considerada uma das cidades mais tecnológicas no mundo, possui menos de 600 mil habitantes.  Apesar de pequenas quando comparadas a São Paulo e Rio de Janeiro, essas cidades possuem forças de trabalho extremamente sofisticadas, com profissionais de altíssimo nível.

Tenho repetido que Petrópolis já possui uma base tecnológica para se tornar cidade tecnológica, isto é uma cidade produtora de conhecimento: temos universidades, um polo de empresas de tecnologia, o Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), que abriga o Santos Dumont, o maior supercomputador da América Latina (que ajudou a sequenciar variantes do Coronavírus), e até o Fundo Municipal de Inovação (FMI). Além destas instituições, temos hospitais de excelência e uma faculdade de medicina de primeira linha, que poderiam se integrar em um complexo de tecnologia em saúde.

Mas não há um doutorado strictu sensu (sentido estrito em latim) em ciência ou engenharia em Petrópolis, ou seja, um doutorado voltado para a pesquisa e a produção de conhecimento científico. São os doutorados strictu sensu que produzem o conhecimento que se materializa em tecnologia de ponta, ao contrário dos doutorados latu sensu (sentido amplo em latim), o outro tipo de doutorado que visa apenas à especialização e atualização.

A constituição de doutorados strictu sensu é fundamental para oferecer suporte para empresas de tecnologia de ponta. Sem a mão de obra altamente qualificada que este tipo de doutorado produz, não apenas as empresas de tecnologia em Petrópolis vão sempre enfrentar limitações ao seu crescimento por falta de especialistas, mas também vão ter dificuldades para se manter na fronteira tecnológica, pois não vão se beneficiar plenamente da circulação e debate de novas ideias a que este tipo de profissional tem acesso em seu trabalho cotidiano.

O leitor pode estar se perguntando: um doutorado na área de ciências e engenharia pode beneficiar as empresas na cidade, mas o que a própria cidade ganha com isso? Muita coisa. Em primeiro lugar, a presença deste tipo de doutorado favorece o surgimento e crescimento de empresas de alta tecnologia, que pagam salários mais elevados e arrecadam mais impostos. Em segundo lugar, a própria administração municipal passa a ter acesso a profissionais e consultores de alto nível, no momento de elaborar políticas públicas para a cidade.

Apenas para citar um exemplo disto, todos nós sabemos que Petrópolis enfrenta permanentemente o risco de desabamentos, dependendo do volume acumulado de chuvas. Em importante trabalho, Krasimira Schwertner, Plamena Zlateva e Dimiter Velev apontam para as possibilidades do uso de tecnologia de ponta na prevenção de desastres naturais, a partir de unidades móveis e sensores conectados à internet, com o recurso a tecnologias digitais em sistemas integrados, fornecendo apoio à tomada de decisão (veja: “Digital technologies of industry 4.0 in management of natural disasters”. In: Proceedings of the 2nd International Conference on E-commerce, E-Business and E-Government. 2018. pp. 95-99). Este é apenas um exemplo de um campo que vem se expandindo rapidamente.

Se Petrópolis se tornar uma cidade produtora de conhecimento, todos vão ganhar: as empresas, a administração municipal e a própria sociedade.

 

 



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