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  Colunistas
Ronaldo Fiani
COLUNISTA

 

Petrópolis Precisa de um Plano de Recuperação Econômica

Na quarta-feira passada, dia 16, o Banco Central decidiu elevar mais uma vez a taxa de juros básica da economia (a taxa SELIC) em 0,75%, passando de 3,5% ao ano para 4,25%. Conforme afirmei em artigo anterior no Diário de Petrópolis (É Uma Má Ideia Aumentar os Juros Agora, publicado no domingo 6 de junho), esses aumentos da taxa de juros não devem reduzir significativamente a taxa de inflação, como deseja o Banco Central, pelo simples fato de que a inflação atual não é resultado de um excesso de demanda.

É impossível que a economia esteja com excesso de demanda neste momento, com a taxa de desemprego alcançando estratosféricos 14%, o que indica ociosidade na economia e não excesso de demanda. A inflação atual é consequência de choques de custos (como os aumentos nos preços dos combustíveis) e de problemas na oferta de produtos aqui e no exterior, causados pela crise da pandemia e pela expansão da economia chinesa.

Com efeito, o resultado mais importante das elevações da taxa de juros será apenas o de dificultar a recuperação econômica, penalizando os pequenos negócios que são os maiores empregadores de mão de obra. Isso vai atingir ainda mais cidades pequenas e médias como Petrópolis, que vivem ainda em grande medida do pequeno comércio, de manufaturas simples (como as tecelagens) e de serviços intensivos em mão de obra, como o turismo, já duramente atingidos pelas restrições da pandemia.

A perspectiva para o emprego, a renda e recuperação econômica destas cidades não é boa, mesmo que a economia como um todo se recupere, uma vez que a alta dos juros vai atingir os pequenos negócios que tiveram a sorte de sobreviver às restrições às suas atividades, e que agora vão ver o custo do capital de giro de que dependem para retomar seu funcionamento normal encarecer. Isso vai ter impactos adversos não apenas na situação fiscal dos municípios, mas também na situação social, especialmente nas taxas de criminalidade e de violência.

O que fazer?

Obviamente, uma situação tão complexa e difícil não tem uma solução pronta e simples, mas há um caminho. Este caminho vai exigir esforço e coordenação, mas oferece perspectivas bem melhores do que a simples inação, que tem sido a opção de praticamente todas as cidades. A Prefeitura precisa assumir a liderança neste caminho, que envolve reunir as associações empresariais e comerciais de Petrópolis, com o apoio da Firjan (A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro) e elaborar um plano de recuperação da economia da cidade.

Este plano de recuperação deve conter duas etapas. A primeira etapa envolve fazer um levantamento da situação econômica da cidade após dois anos de pandemia. Neste levantamento devem ser respondidas algumas perguntas fundamentais para se apontar saídas para a crise, entre elas: quais foram os setores da cidade mais atingidos? Qual foi o impacto nos principais setores da economia da cidade? Qual foi o efeito estimado no emprego em Petrópolis? Estas são algumas das principais perguntas que devem ser respondidas, para que se possa identificar onde é preciso socorro.

Em seguida, a partir de um panorama dos problemas na economia da cidade, reunir estes atores (sempre com o apoio da Firjan) para tentar identificar os instrumentos que podem ser empregados para reativar a economia de Petrópolis. Somente ouvindo as partes afetadas, com a liderança da Prefeitura e com o apoio e conhecimento da Firjan será possível avaliar adequadamente o que poderá ser feito, e quais instrumentos podem ser empregados.

Mas a Prefeitura precisa assumir este papel de liderança agora.



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