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Ronaldo Fiani
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Recuperando Petrópolis Pós-Pandemia: o papel dos bairros

 

Ronaldo Fiani

Recentemente foram publicados alguns artigos muito interessantes, entre eles os de autoria de Gennaro Angiello. Destaco em especial o artigo “Toward greener and pandemic-proof cities: Italian cities policy responses to Covid-19 pandemic” (Rumo a cidades mais verdes e à prova de pandemia: As respostas das cidades italianas à pandemia da Covid-19), publicado no TeMA-Journal of Land Use, Mobility and Environment, v. 13, n. 2, em 2020, acerca das respostas urbanas das cidades italianas à pandemia da Covid-19. Neste artigo vemos que o futuro das cidades pós-pandemia são os bairros.

Angiello discute inicialmente o ponto de vista de autores como G. Cotella e E. Vitale Brovarone, que chamam a atenção para os riscos de aglomerações urbanas em termos de disseminação de pandemias, e para as dificuldades que estas aglomerações oferecem para a imposição de normas de distanciamento social. Estes problemas, juntamente com a chamada “desmaterialização dos serviços” (isto é, a parcela cada vez maior de serviços que é oferecida virtualmente por meios digitais) e com o crescimento do trabalho remoto teriam condenado as cidades à obsolescência, levando ao renascimento das áreas rurais para a moradia.

Já outros autores (como S. Lai e Carlo Pisano) têm uma visão diametralmente oposta, percebendo na pandemia uma oportunidade para redesenhar as cidades com um perfil mais verde e mais limpo (isto é, atividades menos poluentes). Aqueles que defendem a pandemia como uma oportunidade de renovação urbana citam, entre outras iniciativas, a descentralização das instalações prestadoras de serviços, permitindo, por exemplo, que as pessoas tenham acesso a serviços de saúde, pequeno comércio, atividades culturais ou esportivas a pé ou de bicicleta, evitando o congestionamento das avenidas e ruas centrais.

Outra ênfase desta visão reformista das cidades é no favorecimento de meios de transporte que não sejam automotivos, de forma a estimular o trânsito não poluente local, e nos espaços públicos verdes e abertos nos bairros, como espaços de convivência e socialização. Tudo isto tem levado a experiências de redesenho dos bairros em cidades italianas, de forma a estimular a circulação no interior do bairro. A ideia é que a uma distância curta de qualquer residência em um bairro seja possível alcançar (a pé ou de bicicleta) boa parte dos serviços e produtos que a cidade oferece, sem sair do bairro.

Dispensável dizer que este é um desenho urbano muito diferente do que Petrópolis oferece, com sua estrutura radial, hoje em dia apresentando dois grandes polos que atraem para si todo o movimento da cidade: o Centro e Itaipava. Há que se começar a repensar a realidade dos bairros petropolitanos, que hoje funcionam em grande medida apenas com “dormitórios”, onde os serviços e o lazer ainda são muito limitados ou simplesmente inexistentes. Para isto as áreas de pedestres têm de ser ampliadas, os espaços verdes multiplicados e os órgãos da administração pública descentralizados (a mudança do fórum do Centro para a Barão do Rio Branco foi um passo importante, mas que deve ser ampliado, mesmo que acarrete a redundância dos serviços). O pequeno comércio dos bairros deve ser estimulado, ampliando a quantidade e a variedade ofertada de produtos e serviços.

Em outras palavras, o desenho da cidade tem de valorizar cada vez mais os bairros, não apenas como locais de moradia, mas também de socialização e de desenvolvimento pessoal. Isto é algo muito diferente dos rumos que a expansão de Petrópolis (como a maioria das cidades brasileiras) tomou, em que o problema se resumia a criar vias de acesso dos bairros para o Centro. É preciso repensar a cidade a partir dos bairros.

Para isto, muita atenção deve ser dada à infraestrutura digital, ainda mais nesta época em que o trabalho começa a se deslocar para as residências, e o acesso ao trabalho, à cultura, educação e lazer passa pela internet. Atenção deve ser dada também ao investimento nas pessoas, para que elas se adaptem à nova realidade do trabalho digital.

O futuro das cidades são os bairros, ou as previsões pessimistas se confirmarão, e veremos o renascimento da vida rural.



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