O salário mínimo no Brasil atualmente fixado em R$ 1.621 cobriria apenas cerca de 22,6% a 22,8% do valor estimado como necessário para manter uma família de quatro pessoas com despesas básicas, segundo a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE).
De acordo com o estudo, o salário mínimo ideal, com base nos custos de alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência, girou em torno de R$ 7.106,83 a R$ 7.156,15 ao longo de 2025 o equivalente a aproximadamente 4,4 vezes o piso oficial vigente.
Para a professora do curso de Administração da Estácio e especialista em finanças Mayanna Marinho, os números explicam por que “viver com dignidade com um salário mínimo é cada vez mais difícil, especialmente quando há mais de uma pessoa dependendo dessa renda”.
“A diferença entre o que se ganha e o que se precisa para cobrir as despesas básicas é enorme, e isso impacta diretamente o poder de compra das famílias”, afirma.
Segundo a especialista, a situação se agrava pela ausência de planejamento financeiro entre parte da população que recebe menos. “As pessoas muitas vezes não conseguem identificar exatamente com o que gastam, não fazem nenhum controle e, então, os recursos parecem sempre insuficientes, porque o dinheiro se dissipa sem estratégia”, observa Mayanna.
O estudo do DIEESE considera a cesta básica mais cara do país para estimar o salário mínimo necessário. Mesmo com o reajuste dado pelo governo em 2025, que elevou o mínimo para R$ 1.621 e impacta a renda de milhões de brasileiros, o piso continua distante de suprir as necessidades de uma família de quatro pessoas.
Organizar um orçamento dentro desse contexto, segundo Mayanna, começa por reconhecer quais são as despesas fixas essenciais como aluguel, alimentação, água e luz e estabelecer limites claros de gasto. “Sem essa análise, não há chance de ajustar o orçamento nem de pensar em objetivos como poupar ou criar uma reserva de emergência”, explica.
Sobre a possibilidade de poupar com um salário mínimo, a especialista admite que é um “exercício delicado”: “Depende da composição familiar e de quantas pessoas contribuem para a renda. Mas, se houver compromisso e clareza de gastos, até valores pequenos por exemplo, guardar R$ 2 por dia podem se transformar em algo relevante ao longo de meses e anos”, pondera. Os dados do DIEESE reforçam o debate sobre políticas públicas de valorização do salário mínimo, educação financeira e medidas de proteção social, ressaltando que o valor atual do piso nacional está longe de garantir aquilo que a Constituição prevê como condição mínima de dignidade para trabalhadores e suas famílias.
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