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Salve o Diário de Petrópolis!

- José Luiz Alquéres

Foto: Arquivo
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Em 1808 surgiu aquele que é geralmente considerado o primeiro jornal brasileiro, o Correio Braziliense. Editado por Hipólito José da Costa e impresso em Londres, embora destinado aos leitores brasileiros, começou a circular num ano de profundas transformações na história do país.

Naquele ano, o príncipe regente D. João, futuro D. João VI, transferiu a Corte portuguesa para o Brasil, onde permaneceria até 1821. A abertura dos portos às nações amigas rompeu o monopólio comercial metropolitano e abriu o país ao comércio direto com outras nações. Algo semelhante a uma redução geral das alíquotas de importação, na linguagem de hoje em dia.

Em seu primeiro editorial, o Correio Braziliense defende a liberdade de imprensa, o direito à informação como pré-requisito ao desenvolvimento.

Mais de dois séculos depois, essa concepção permanece atual na trajetória do Diário de Petrópolis.

Fundado em 1954 por Antônio Carlos de Noronha Portella, o jornal teve seu controle acionário transferido no início da década de 70 para José Carneiro Dias e seu filho Paulo Antônio Carneiro Dias, iniciando uma etapa editorial e empresarial que se prolonga até hoje.

O Diário nasceu em período particularmente conturbado da vida brasileira. O suicídio de Getúlio Vargas, em agosto de 1954, foi a expressão dramática de uma crise marcada por acusações de corrupção, radicalização e pressões sobre a estabilidade institucional. Em diferentes campos ideológicos, não faltavam aqueles dispostos a colocar a democracia em segundo plano.

Desde o nascimento, o Diário soube posicionar-se em consonância com os mais elevados anseios políticos e democráticos da população petropolitana. Petrópolis ainda ocupava posição singular na vida nacional. No verão, quando presidentes da República utilizavam o Palácio Rio Negro como residência oficial, a cidade recebia autoridades e sediava eventos de expressão nacional.

O Diário tornou-se voz em defesa da democracia, do respeito à Constituição e do desenvolvimento econômico da cidade e do país.

Ao longo de toda sua vida o jornal manteve-se fiel ao seu ideário, e hoje isto é mais importante do que nunca, face a persistência daqueles problemas vividos quando da sua fundação.

Petrópolis também sofreu profundas transformações. A transferência da capital federal para Brasília, em 1960, reduziu a centralidade política que a cidade desfrutara em sua histórica relação com o Rio de Janeiro, então capital da República. Nas décadas seguintes, assistiu também ao declínio de parte de sua tradicional atividade industrial.

Com os governos militares que dirigiram o país a partir de 64 o Diário conviveu com um ambiente de restrição as liberdades plenas de comunicação, sem perder a sua identidade e a representatividade frente a seus leitores adquirida desde a sua fundação.

Na redemocratização, o Diário estava novamente presente, com seus editoriais, colunistas e a cobertura do Brasil que renascia. O processo teve seu grande marco na Constituição promulgada em 5 de outubro de 1988, elaborada pela Assembleia Nacional Constituinte.

Os acontecimentos mais recentes estão vivos em nossa memória e não precisam ser relembrados. Importa destacar a permanência do Diário e sua capacidade de conciliar duas dimensões que se complementam: tradição e modernidade.

Ao manter simultaneamente suas edições impressa e digital, o jornal presta um tributo à palavra impressa e às realidades fisicamente palpáveis, sem deixar de enfrentar os desafios do mundo informatizado e digital. Pelos novos meios, alcança leitores muito além de Petrópolis.

Há nisso uma continuidade daquele princípio defendido por Hipólito da Costa há mais de dois séculos: uma sociedade em que as ideias circulam livremente e os cidadãos dispõem de informação tem melhores condições de compreender sua realidade, exercer sua liberdade e construir seu futuro.

Por tudo isso, hoje é dia de celebrar uma grande obra. Obra de uma família de empresários, mas também de gerações de jornalistas, tipógrafos, impressores, redatores e de todos aqueles que, ao longo de mais de sete décadas, fizeram do Diário de Petrópolis uma importante voz da Serra Fluminense, do Estado do Rio de Janeiro e do Brasil.

Salve o Diário de Petrópolis! Muitas felicidades e muitos anos de vida.

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