Jamis Gomes Jr. - especial para o Diário
Celebrado nesta segunda-feira (6), o Dia Nacional de Mobilização pela Promoção da Saúde e Qualidade de Vida chama atenção para hábitos que impactam diretamente o bem-estar da população. Em Petrópolis, especialistas apontam que, apesar de maior acesso à informação, ainda há desafios importantes quando o assunto é alimentação e prevenção de doenças.
A nutricionista Rafaela Cogliatti, formada pela Faculdade Arthur Sá Earp (FASE), explica que o comportamento alimentar da população ainda está distante do ideal. “Apesar de existir muita informação sobre alimentação saudável, na prática o consumo de alimentos ultraprocessados, ricos em açúcar, gordura e sódio, ainda é alto. Ao mesmo tempo, há um baixo consumo de alimentos saudáveis como frutas, legumes e verduras”, afirma. Segundo ela, esse cenário contribui para o avanço de doenças. “Esse padrão alimentar, associado à rotina corrida, acaba contribuindo para o aumento de doenças como obesidade, diabetes e hipertensão.”
Entre os principais erros no dia a dia, a nutricionista destaca escolhas baseadas na praticidade. “Os erros mais frequentes são excesso de alimentos industrializados, baixo consumo de água e pouca variedade alimentar. Também é comum a alimentação baseada em praticidade, com muitos lanches rápidos e pouca comida de verdade”, diz. Ela também chama atenção para a falta de planejamento. “Isso leva a escolhas menos saudáveis ao longo do dia.”
Com o aumento no preço dos alimentos, manter uma alimentação equilibrada virou desafio para muitas famílias. Ainda assim, Rafaela aponta caminhos possíveis. “Algumas estratégias são priorizar alimentos da estação, que costumam ser mais baratos e nutritivos, comprar em feiras locais, substituir produtos industrializados por preparações caseiras e aproveitar integralmente os alimentos”, orienta. Para ela, pequenas mudanças já fazem diferença. “Incluir frutas diariamente, aumentar o consumo de legumes e verduras, beber mais água e reduzir ultraprocessados são passos importantes para melhorar a qualidade de vida.”
Do ponto de vista médico, o cenário também exige atenção. O especialista em Clínica Médica e Medicina Intensiva, Luis Eduardo Santos Fontes, cooperado da Unimed Petrópolis, destaca o perfil das doenças mais comuns na cidade. “Atualmente, observamos uma predominância de doenças crônicas não transmissíveis, como hipertensão, diabetes e doenças cardiovasculares. Isso está muito ligado ao fato de Petrópolis ter uma população predominantemente idosa”, explica. Ele também alerta para outros problemas recorrentes. “Há ainda um aumento de doenças oncológicas e, por sermos uma cidade serrana, as doenças respiratórias são comuns, especialmente no inverno.”
Segundo o médico, a população tem avançado na busca por prevenção, mas ainda há resistência. “Notamos uma mudança positiva nos últimos 10 anos. O petropolitano está mais consciente, buscando check-ups e orientações. No entanto, ainda existe uma parcela que só procura assistência médica em momentos de crise”, afirma. Para ele, o desafio é cultural. “Precisamos transformar a cultura do ‘remediar’ na cultura do ‘cuidar-se continuamente’.”
Entre os hábitos que podem melhorar a saúde, o especialista destaca ações simples. “Caminhar por 30 minutos, cinco vezes na semana, manter uma alimentação equilibrada, evitar álcool e tabagismo e cuidar do sono são fundamentais”, orienta. Ele também reforça a importância da vacinação e do acompanhamento regular da saúde. “O controle da pressão arterial e da glicemia é essencial, porque são doenças silenciosas que podem levar a infarto e AVC.”
Por fim, o médico alerta para o impacto direto do estilo de vida na saúde da população. “O sedentarismo, somado a uma alimentação rica em gorduras e açúcares, é porta de entrada para problemas graves. O melhor investimento na sua saúde é o que você faz entre uma consulta e outra”, conclui.
A data reforça que qualidade de vida não depende de grandes mudanças, mas de escolhas diárias e que, em Petrópolis, ainda há espaço para avançar na construção de uma rotina mais saudável.
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