O encontro reuniu 230 pessoas, incluindo representantes do ICMBio, Marinha do Brasil, pesquisadores e comunidades tradicionais
A Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade (Seas) e o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) deram um novo passo para a conservação fluminense. Nesta quinta-feira (5/3), os órgãos realizaram uma consulta pública para debater a criação de um corredor ecológico marinho e de uma nova unidade de conservação. O encontro, no Recreio dos Bandeirantes, Zona Sudoeste do Rio de Janeiro, reuniu cerca de 230 pessoas, incluindo representantes do Instituto Chico Mendes (ICMBio), da Marinha do Brasil, sociedade civil, pesquisadores e comunidades tradicionais.
A proposta em discussão inclui a criação da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Marinha Urupirá (RDS), que ocuparia a área entre a Ilha do Frade, em Barra de Guaratiba, e a Pedra do Pontal, no Recreio. O modelo de reserva escolhido busca aliar a preservação ambiental ao uso sustentável dos recursos naturais por populações tradicionais, especialmente as comunidades pesqueiras da região. A iniciativa pretende fortalecer a gestão territorial e conciliar a conservação dos ecossistemas com a melhoria das condições de vida dessas comunidades.
Já o corredor ecológico marinho, proposto começar na Ilha Rasa de Guaratiba, no município do Rio de Janeiro e se deslocar até as Ilhas de Marica, em Maricá, é um instrumento de planejamento reconhecido pelo Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC) que conecta ecossistemas naturais ou seminaturais, ligando unidades de conservação. Permitindo o fluxo genético e o movimento da biodiversidade, facilitando a dispersão de espécies e a recuperação de áreas degradadas. A medida beneficiará também espécies migratórias como as baleias-jubarte, que utilizam a costa fluminense durante seu período reprodutivo.
Estamos construindo um modelo que protege nossos ecossistemas marinhos ao mesmo tempo em que valoriza as comunidades tradicionais que historicamente mantêm uma relação sustentável com o mar. É um passo fundamental para garantirmos que as próximas gerações possam conhecer e usufruir da riqueza natural da nossa costa afirmou o secretário de Estado do Ambiente e Sustentabilidade, Bernardo Rossi.
Realizada no Hotel CDesign, a consulta também serviu para identificar as principais demandas relacionadas à biodiversidade e às comunidades locais. A mesa de abertura contou com a presença da subsecretária de Mudanças Climáticas e Biodiversidade da Seas, Marie Ikemoto e do diretor de Biodiversidade, Áreas Protegidas e Ecossistemas do Inea, Cleber Ferreira, responsável por apresentar os detalhes da proposta e mediou os debates. Ao longo do evento, representantes da The Nature Conservancy, ICMBio, Marinha, pesquisadores e pescadores discutiram temas como os impactos da pesca, as atividades econômicas locais, a relevância ambiental da região e as interferências das atividades industriais no território.
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