Darques Júnior especial para o Diário
A Caravana das Periferias veio até Petrópolis nessa terça-feira (14). A ação, realizada pelo Ministério das Cidades e Secretaria Nacional de Periferias, tem a intenção de mobilizar os agentes territoriais como associações, coletivos, grupos e agentes individuais. A pasta também é responsável pelas fiscalizações e monitoramento das obras de contenção de encostas na cidade realizadas com o investimento do Novo PAC, que anunciou, em setembro, mais R$ 25 milhões destinados ao PAC Encostas, sendo R$ 11 milhões para a Rua Nova, no Centro. O Governo do Estado é responsável por esta obra, e a Prefeitura pela do bairro Alcobacinha, com aporte de R$ 13,7 milhões.
O deputado estadual Yuri Moura (PSOL-RJ) e o secretário Nacional de Periferias, Guilherme Simões, visitaram ontem a Rua Nova e a Rua Waldemar Ferreira da Silva, popularmente conhecida como Morro do Pinto, no bairro do Caxambu. Em entrevista, concedida ao Diário, Guilherme explica que, nesse momento de visitas, é muito importante o contato com as lideranças locais: “Parte da equipe, antes de nós chegarmos, já percorreu o local, além de já entrar em contato com o município para entender o cronograma das obras”.
Durante a visita, Guilherme Simões destacou que o Governo Federal assumiu o compromisso de apresentar o percentual de conclusão das obras contempladas pelo PAC de 2012, além da disponibilidade dos recursos do PAC 2024. Segundo Simões, há R$60 milhões disponíveis para Petrópolis, que dependem da apresentação de projetos pela Prefeitura até o dia 30 de novembro. Caso o prazo não seja cumprido, os recursos poderão ser perdidos. O secretário também reforçou que o município foi incluído entre as dez cidades mais vulneráveis do país, com mais de 240 áreas de risco identificadas um número que coloca Petrópolis no centro das ações federais de prevenção e mitigação de desastres.
Articulações do deputado estadual junto ao Governo Federal já somam R$ 105 milhões em recursos para obras de prevenção e reconstrução, o maior investimento para contenção desde as chuvas de 1988: “Após a chuva de 1988 aqui em Petrópolis, uma grande tragédia, a gente teve o investimento do Banco Mundial, uma parceria da Prefeitura e Governo do Estado e, de lá para cá, nós nunca tivemos uma monta de investimentos como agora”, apontou Yuri.
A agenda se encerra no dia 20, com o lançamento do programa “Cidade sem Risco”, voltado para a redução de riscos e adaptação climática nos territórios, desenvolvido em parceria com Frente Parlamentar de Prevenção às Tragédias e em Defesa da Moradia Digna da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), lideranças comunitárias e parlamentares locais, e o curso “Periferia Sem Risco”, uma capacitação oferecida pela Secretaria Nacional das Periferias, com o intuito de fortalecer a comunidade e os gestores para a prevenção de desastres e riscos de áreas de vulnerabilidade: “ A partir do dia 20 nós vamos estar abrindo inscrições, são 500 vagas, com objetivo de criar uma cultura de resiliência nas comunidades, articulando com os movimentos sociais, para preparar a população para esse momento de crise climática e urbana”, comentou o deputado.
Além dos projetos de construção de encostas e visita a cerca de 14 localidades, o deputado também falou sobre alguns projetos para a cidade como os refúgios climáticos, que são locais para a população se abrigar, momentaneamente, do frio ou calor extremo, ideia desenvolvida após visita à Barcelona, na Espanha: “ Por exemplo, você tem aqui o Museu Imperial, uma área ali de convívio, qualquer pessoa pode entrar, independente de comprar ingresso ou não. Se a pessoa estiver passando mal por conta do calor, ela poderia entrar naquele local, ter um lugar para sentar, ter um banheiro disponível, um ponto de hidratação e uma climatização. Lá em Barcelona, só no Centro da cidade, são 150 pontos, museus, galerias e lojas voluntárias”.
O deputado também comentou sobre o desenvolvimento de alguns projetos pilotos de cidades-esponjas, em parceria com algumas universidades. Cidades-esponja são um modelo de planejamento urbano utilizando soluções baseadas na natureza para reduzir inundações, além de absorver, reter e reutilizar essa água da chuva: “São soluções muito fáceis. Podemos trabalhar com teto verde, fazendo com que a água fique retida por mais tempo nos prédios, o bueiro ecológico, que depois das chuvas de 2022, a Prefeitura chegou a instalar 330 cestos de bueiro e depois tudo se perdeu, não virou uma política de governo”, lamentou o deputado.
O secretário ainda enfatiza a satisfação de representar o Governo Federal em Petrópolis, além de destacar a parceria com o deputado Yuri Moura: “Uma cidade como Petrópolis, por ser uma das cidades com maior vulnerabilidade a eventos climáticos externos, precisa de investimento e parceria. Então, é fundamental a parceria do deputado para nós”. Yuri, por sua vez, destacou os papéis cumpridos pelo governo federal, da Secretaria Nacional das Periferias e reforçou: “Construímos isso juntos, inclusive com as comunidades que estão mobilizadas”, concluiu.
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