Edição: sábado, 12 de setembro de 2026

Serratec amplia horizontes: tecnologia e inovação para transformar territórios

Fortalecer o setor de TIC e colocar sua capacidade de inovação a serviço das empresas, do poder público e do desenvolvimento de Petrópolis e de outros territórios está entre os horizontes que o Parque Tecnológico projeta para os próximos anos

Foto: Divulgação
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Pensar os horizontes de Petrópolis é olhar para as vocações, potências e oportunidades que a cidade construiu ao longo de sua história, mas também para aquelas capazes de projetá-la para o futuro. Entre elas está a tecnologia. Reconhecida como Capital Tecnológica do Estado do Rio de Janeiro, Petrópolis reúne hoje um ambiente singular de empresas, profissionais, instituições de ensino e pesquisa e capacidade de inovação.

É nesse ambiente que atua o Serratec Parque Tecnológico da Região Serrana. Nascido em Petrópolis a partir do próprio setor produtivo e estruturado como um parque tecnológico aberto, sem fins lucrativos e Instituição Científica, Tecnológica e de Inovação (ICT), o Serratec vem consolidando um ecossistema que conecta empresas, academia, poder público e sociedade.

Entre seus horizontes está fortalecer e ampliar o setor de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) de Petrópolis, da Região Serrana e do interior do Estado do Rio de Janeiro e, ao mesmo tempo, fazer com que essa capacidade tecnológica transborde para outros setores da economia e para a gestão pública, contribuindo para a transformação digital, a inovação e o desenvolvimento dos territórios.

Os números ajudam a dimensionar essa oportunidade. Petrópolis possui um PIB de aproximadamente R$ 19,9 bilhões, o maior da Região Serrana e o décimo maior entre os municípios do Estado do Rio de Janeiro. Serviços e comércio respondem por 47,3% da economia, enquanto a indústria representa expressivos 34,4% do PIB, segundo dados do IBGE referentes a 2023.

A cidade também reúne mais de 50 mil CNPJs ativos, dos quais a maioria é formada por microempreendedores individuais e microempresas, segundo dados da Receita Federal de maio de 2026. É uma economia diversificada, formada por indústria, comércio, serviços, saúde, educação, turismo, economia criativa e uma ampla rede de pequenos negócios.

É justamente na conexão entre essa economia e a tecnologia que o Serratec enxerga uma das grandes oportunidades para os próximos anos. Ao mesmo tempo, as empresas que compõem seu ecossistema já demonstram que a tecnologia produzida no interior não encontra fronteiras geográficas: empresas associadas ao Serratec atendem clientes em mais de 30 países. Assim, o Parque Tecnológico olha simultaneamente para duas direções: atrair empresas, investimentos, projetos e oportunidades para o interior e levar as soluções produzidas no interior para o Brasil e para o mundo.

Da força do setor de TIC à transformação de toda a economia

A Região Serrana vem construindo, nas últimas décadas, um setor de tecnologia relevante. Um Mapeamento do Setor de TIC, em estruturação e validação pelo Serratec e pela Prefeitura de Petrópolis e apresentado em versão preliminar no Tech Summit 2026, identificou no município 402 empresas de TIC e outros 389 CNPJs vinculados ao setor, com faturamento anual de aproximadamente R$ 650 milhões em 2025.

O objetivo agora é aprofundar e validar os dados e a metodologia, manter essa base permanentemente atualizada e, posteriormente, ampliar o levantamento para os demais municípios em que o Serratec atua. A perspectiva é avançar na construção de um observatório do setor, capaz de acompanhar sua evolução e oferecer inteligência para empresas, instituições e gestores públicos, contribuindo para dimensionar com maior precisão a força da tecnologia na Região Serrana e no interior fluminense.

Para Alexandre Macedo, presidente do Serratec, o papel de um parque tecnológico não termina nas fronteiras de seu próprio setor. “Fortalecer o setor de TIC significa também ampliar sua capacidade de transformar outros setores da economia. Para isso, é preciso aproximar quem possui desafios de quem pode desenvolver soluções”, destaca Macedo.

Cada vez mais, tecnologia, dados e inteligência artificial atravessam praticamente todas as atividades econômicas. Uma indústria pode tornar sua produção mais eficiente; uma pequena empresa pode digitalizar processos e acessar novos mercados; o comércio pode conhecer melhor seus consumidores; o turismo pode utilizar dados para aprimorar a experiência do visitante; a saúde pode desenvolver novas soluções; e o poder público pode empregar tecnologia para planejar melhor a cidade e oferecer serviços mais eficientes ao cidadão.

“Nem toda organização precisa dominar tecnologia. Precisa, porém, saber onde encontrá-la e como utilizá-la”, complementa Macedo. “Em uma economia diversificada como a de Petrópolis, os diferentes setores produtivos têm uma oportunidade singular: encontrar, no próprio território, competências capazes de ajudar a responder aos seus desafios”, afirma o presidente.

Conectar para transformar

É nesse ponto que a atuação em rede ganha importância. O Serratec trabalha para conectar empresas de tecnologia a negócios de outros setores; aproximar universidades e centros de pesquisa das demandas do mercado; formar talentos a partir das necessidades reais das empresas; estimular projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação; apoiar empreendedores; e criar ambientes nos quais empresas, governo, academia e sociedade possam desenvolver soluções conjuntamente.

Essa estratégia passa também pelo fortalecimento das próprias empresas do setor. O Serratec acabou de lançar um novo programa de associativismo orientado pela jornada de sucesso dos associados, buscando ampliar a conexão entre as empresas de TIC, gerar negócios, ampliar acesso a mercados e estimular cooperação, além de aproximá-las de organizações de outros setores que procuram soluções para seus desafios.

A agenda se estende à Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I), ampliando a conexão com universidades, Instituições Científicas, Tecnológicas e de Inovação e centros de pesquisa. A perspectiva inclui também o fortalecimento de ambientes e laboratórios capazes de apoiar startups no amadurecimento de suas tecnologias e na chegada de novas soluções ao mercado.

Outro eixo central é o desenvolvimento de talentos. Os programas de qualificação profissional do Serratec vêm formando profissionais em áreas como software, dados, infraestrutura, cibersegurança e gestão de projetos. Mais do que formar, o desafio é criar condições para que esses talentos encontrem oportunidades no território, desenvolvam suas carreiras, fortaleçam as empresas existentes e também transformem conhecimento em novos negócios e empreendimentos. Formação, retenção de talentos, empreendedorismo, geração de empregos e crescimento das empresas tornam-se, assim, partes de uma mesma estratégia de desenvolvimento.

Uma cidade também pode inovar

O mesmo raciocínio vale para o setor público. A transformação digital de Petrópolis não diz respeito apenas à informatização de serviços. Dados, inteligência artificial, inovação aberta e novas tecnologias podem contribuir para enfrentar desafios relacionados à mobilidade, saúde, educação, desenvolvimento econômico, turismo, sustentabilidade, resiliência climática, gestão urbana, energia, entre outros.

Nesse processo, o papel do Serratec não é substituir o poder público, as universidades ou as empresas, mas conectar competências e ajudar a construir pontes entre desafios e soluções.

Petrópolis possui ativos importantes para isso: empresas de tecnologia, instituições de ensino superior, centros de pesquisa e uma instituição de referência nacional como o Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), além do supercomputador Santos Dumont e de uma rede de formação e pesquisa. O desafio é fazer com que esses ativos se encontrem cada vez mais em torno de problemas e oportunidades concretas do território.

O futuro é uma construção coletiva

“Tecnologia, isoladamente, não transforma um território. São as pessoas, empresas e instituições que transformam a tecnologia em desenvolvimento”, destaca Macedo.

Por isso, segundo o presidente, o horizonte do Serratec para Petrópolis não é o de uma cidade simplesmente mais tecnológica. É o de uma cidade capaz de usar tecnologia, conhecimento e inovação para gerar oportunidades, aumentar a produtividade dos negócios, melhorar serviços, formar pessoas e encontrar novas respostas para seus desafios.

“Fortalecer o setor de TIC é parte fundamental dessa construção. Mas talvez a maior medida de sucesso desse ecossistema, nos próximos anos, seja perceber a tecnologia transbordando para além dele: chegando à indústria, ao comércio, ao turismo, à saúde, à economia criativa, ao varejo, ao setor energético, aos pequenos negócios e à gestão pública”, finaliza Macedo.

Petrópolis já construiu uma importante vocação tecnológica. O próximo horizonte é fazer com que essa vocação se traduza, cada vez mais, em desenvolvimento socioeconômico, oportunidades e capacidade de inovação para o território e inspire novas possibilidades para a Região Serrana e para o interior do Estado do Rio de Janeiro.

Edição: sábado, 12 de setembro de 2026

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