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Soberaninho 2026 conta com iniciativa para alunos da Região Serrana

O Soberaninho na Escola é o novo projeto para incluir a música na educação de meninos e meninas na rede de ensino petropolitana

Foto: Divulgação
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Vitor Cesar estagiário

Entre abril e junho de 2026, o Instituto Soberano de Cultura promoverá o Soberaninho, com apoio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa e do Governo do Estado do Rio de Janeiro, além do patrocínio da GE Aerospace. Para a Temporada 2026, a iniciativa conta com a nova ação “Soberaninho na Escola”, projeto para incluir a música dentro do cotidiano das crianças nas escolas.

“O Soberaninho é o Soberano abrindo espaço para as crianças”, explica a coordenadora geral do projeto, Raquel Saraceni. “A gente decidiu abrir para um projeto social, para levar a música, a cultura e as artes para crianças das escolas públicas de Petrópolis”, completa

Normalmente um clube direcionado ao público adulto, aos domingos, o espaço se transforma, quando qualquer pessoa pode entrar gratuitamente para assistir a espetáculos de alto nível. Já passaram pelo palco do Soberaninho nomes como Bia Bedran, o criador do Boca Livre Cláudio Nucci e Léo Gandelman. Além dos que já se apresentaram, o espaço vai receber um sexteto de jovens da Orquestra Filarmônica de Berlim, considerada a maior orquestra do mundo. . Juntamente com seu cônjuge e também coordenador do Soberano Sérgio Saraceni, Raquel enaltece a acessibilidade dos espetáculos. “Estamos fazendo espetáculos maravilhosos, envolvendo também outros tipos de público. Importante, para formação de plateia, mas também para deficientes. Teremos espetáculos que vão ter a tradução em libras e autodescrição para deficientes visuais”.

Mas, nem tudo são flores. A proponente enaltece o papel dos patrocinadores no projeto e as dificuldades de produzir cultura no Brasil. “Fazer cultura no Brasil não é fácil. Então, você faz um projeto, você tem que esperar ele ser aprovado, depois você tem que fazer uma captação, procurar o patrocinador, isso tudo não é fácil. Já temos quatro anos de Soberano, e estamos segurando o soberano na raça, ou seja, por nossos próprios meios. Por isso, quando o patrocínio da GE Aerospace, que escolheu fazer uma parte do nosso projeto, e aí eles escolheram fazer essa parte do Soberaninho. Se isso não tivesse saído, a gente provavelmente  talvez não tivesse conseguido manter esse aberto”.

Soberaninho na Escola

A novidade fica por parte da inclusão e participação do projeto dentro das escolas. A ideia é uma das principais ações do Instituto Soberano em 2026. Com foco na Rede Municipal de Ensino de Petrópolis, Itaipava e arredores, a iniciativa prevê alcançar indiretamente cerca de 4 mil alunos, por meio da capacitação de até 60 professore do Ensino Fundamental. A dinâmica do projeto é um ciclo, onde os artistas que se apresentarem no Soberano no dia anterior, levem sua arte no dia seguinte diretamente às escolas públicas da região.

Para essa capacitação, o projeto disponibilizou um Guia Pedagógico para Professores com mais de 25 páginas de conteúdo. Para cada obra do programa, o guia traz contexto histórico detalhado e sugestões concretas de atividades em sala de aula.

As propostas são criativas e acessíveis, contendo passo a passo de como fazer instrumentos com materiais do cotidiano, criar o “hino da turma”, imitar o som de um trem com palmas e voz, compor trava-línguas sobre Petrópolis ou simplesmente debater questões históricas importantes. O guia também convida à reflexões mais profundas sobre identidade, diversidade e pertencimento, envolvendo temas como a invisibilização das culturas indígena e africana na história oficial brasileira, o poder transformador da arte em sociedades desiguais e o que significa ser brasileiro.

A programação ainda inclui 20 workshops e oficinas gratuitas. Entre elas, o projeto promove momentos de malabares, de caricatura, de dança, poesia, além de 8 masterclasses de música, voltadas a alunos de projetos sociais e escolas de música da região.

Conteúdo Musical

O auge do projeto são as apresentações do Coral dos Canarinhos de Petrópolis, que realizarão oito concertos gratuitos nas escolas da região. Sob regência do Maestro Marco Aurélio Lischt, o repertório foi organizado em quatro blocos temáticos que percorrem a música brasileira do período pré-colonial até o século XX. Antes de cada apresentação, as turmas recebem um material preparatório envolvendo uma aula gravada pelo próprio regente, explicando os cinco séculos de história musical que serão apresentados.

“Não vai ser assim: a gente chega na escola e começa a apresentação. As crianças vão estudar antes. Quando eles tiverem trabalhado isso com seus professores, aí os Canarinhos vão lá se apresentar. Assim, achamos que eles podem desfrutar e entender melhor. Não vai ser uma coisa que , de repente, vai começar um canto desconhecido e eles não vão se conectar com a apresentação”, disse a produtora.

O programa abre com os “Cantos dos Tupinambás”, um dos primeiros documentos escritos da música indígena brasileira. O repertório passa pela música sacra colonial e pela obra de José Maurício Nunes Garcia, o padre negro, filho de ex-escravizados que se tornou o maior compositor do Brasil colonial e chegou a ser chamado de “Mozart brasileiro”.

No segundo bloco, o público encontra o “Hino da Independência”, composto pelo próprio Dom Pedro I em 1822, ao lado do “lundu” de Gabriel Fernandes da Trindade. A ópera “O Guarani”, de Carlos Gomes fecha esse capítulo.

A viagem continua com Alberto Nepomuceno, Heitor Villa-Lobos, envolvendo músicas que vão do maracatu pernambucano de “Capiba” à marchinha “Tem Gato na Tuba”, passando pela ópera infantil “O Menino Maluquinho”, do compositor petropolitano Ernani Aguiar, e pela “Aquarela do Brasil”, de Ary Barroso .

Uma novidade especial desta edição é a estreia das “Meninas Canarinhas”, que farão uma apresentação especial ao lado do cantor e compositor Dori Caymmi, com a participação de um mímico recebendo o público.

“Estamos levando uma cultura monumental para as crianças. É uma abertura de consciência do que é a música brasileira desde os seus primórdios aqui, as primeiras manifestações, até hoje”, completa a coordenadora.

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