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Solidão ou solitude

Mauro Peralta - médico e ex-vereador

Foto: Reprodução
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Solidão é um estado de isolamento que não desejamos e quase sempre vem acompanhado de uma sensação de falta, um vazio ou mesmo uma dor invisível na pele, mas profundamente dolorosa na alma. Foi algo que não procurei, mas encontrei com a partida de minha companheira de 51 anos, Maria Celi. Já a solitude é uma escolha consciente, sem fatores necessariamente negativos, um momento em que aprendemos a aproveitar a própria companhia e refletir sobre nós mesmos.

Na Ágora da Grécia Antiga, praça onde o povo se reunia para discutir a democracia e a filosofia, muitos pensadores refletiam sobre a solidão. Aristóteles dizia que aquele que gosta da solidão é “uma fera indomável ou um deus”. Para Platão, a solidão poderia representar uma oportunidade de buscar o bem, permitindo que a alma se reconectasse com sua verdadeira natureza antes de retornar ao convívio social. Diógenes valorizava a autossuficiência absoluta, desprezando bens materiais e confortos. Já Marco Aurélio e Epicteto pregavam a necessidade de um espaço mental inabalável, um refúgio na própria consciência para preservar a paz interior e fugir da superficialidade da vida em sociedade.

O filósofo alemão Friedrich Nietzsche afirmava que, para um homem verdadeiramente devoto, não existe solidão, pois Deus preencheria esse vazio existencial. Essa solidão profunda seria reservada apenas aos que vivem sem fé. O médico psiquiatra suíço Carl Jung ensinava que a solidão não nasce da ausência de pessoas ao redor, mas da incapacidade de comunicar aquilo que consideramos importante.

Infelizmente, para mim, a solidão tem sido uma experiência extremamente dolorosa. Ela vem acompanhada de um vazio profundo, mesmo estando rodeado de amigos de pele e de pelo. Como médico, sei que o sofrimento constante pode contribuir para inúmeras doenças e até mesmo para a morte precoce. A Organização Mundial da Saúde alerta para os graves impactos do isolamento social sobre a saúde física e mental.

Ainda bem que não sigo integralmente a visão pessimista de Nietzsche, pois tenho fé. No Antigo Testamento encontramos passagens que associam a solidão ao sofrimento e à morte espiritual. O inferno talvez seja justamente a solidão total e irreversível. Cristo abriu as portas da morte e criou o homem para viver em sociedade. Como está escrito no Gênesis: “Farei para ele alguém que o auxilie e lhe corresponda”.

Meu consolo vem dos Salmos: “O Senhor é meu pastor e nada me faltará”. E também da passagem que diz: “Ainda que meu pai e minha mãe me abandonem, o Senhor me acolherá”.

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