Jamis Gomes Jr. - especial para o Diário
O setor supermercadista brasileiro vive um período de forte expansão e já representa uma das principais engrenagens da economia nacional. Dados do Ranking ABRAS 2026 apontam que o varejo alimentar movimentou mais de R$ 1,145 trilhão em 2025, somando supermercados, atacarejos, minimercados, lojas de conveniência e plataformas de e-commerce. O segmento já responde por 9,02% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil.
O levantamento, realizado pela Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS) em parceria com a NielsenIQ, mostra que o avanço do setor acompanha mudanças importantes no comportamento do consumidor, principalmente em um cenário de inflação, busca por economia e maior planejamento financeiro das famílias.
Segundo o presidente da ABRAS, João Galassi, o varejo alimentar atravessa um novo ciclo de crescimento marcado por eficiência operacional, inovação e aproximação com o consumidor. A tendência, de acordo com o estudo, é que formatos compactos e lojas de proximidade ganhem ainda mais espaço nos próximos anos.
Para o economista Natale Papa, doutor em Administração, o crescimento do setor reflete diretamente uma mudança no perfil de consumo da população, inclusive em cidades como Petrópolis.
“O crescimento do setor supermercadista mostra uma mudança importante no comportamento das famílias brasileiras: o consumidor está mais racional, mais atento ao preço e buscando maximizar o poder de compra. Em cidades como Petrópolis, por exemplo, isso aparece no aumento das compras planejadas, da busca por promoções e também no crescimento de formatos mais econômicos, como atacarejos e marcas próprias. Além disso, houve uma mudança no perfil de consumo após os períodos de inflação elevada, com famílias priorizando itens essenciais e conveniência. Avanço da internet tem seu impacto também nas pesquisas de preço”, explica.
Atualmente, o setor reúne cerca de 9 milhões de empregos diretos e indiretos em todo o país. São mais de 439 mil lojas espalhadas pelo Brasil, atendendo aproximadamente 30 milhões de consumidores todos os dias. O crescimento da rede supermercadista também amplia desafios relacionados à logística, custos operacionais e competitividade.
Entre os modelos que mais cresceram nos últimos anos está o atacarejo, formato híbrido entre atacado e varejo, conhecido por preços mais baixos e compras em maior volume. Redes como Carrefour Brasil, Assaí Atacadista e Grupo Mateus lideram o ranking nacional e ajudam a consolidar essa tendência de consumo mais econômico.
Pequenos mercados tentam se adaptar à concorrência
O avanço das grandes redes, porém, também acende um alerta para os pequenos mercados e comércios de bairro, especialmente em cidades do interior e regiões serranas.
Na avaliação de Natale Papa, os estabelecimentos locais precisarão investir em diferenciação e fidelização de clientes para continuar competitivos diante da força econômica das grandes empresas.
“A expansão dos atacarejos e das grandes redes aumenta bastante a concorrência para os mercados de bairro e o pequeno comércio. As grandes redes conseguem operar com maior escala, negociar preços melhores com fornecedores e oferecer promoções mais agressivas. Por outro lado, os mercados locais ainda possuem vantagens importantes, como proximidade, atendimento mais personalizado e rapidez. O cenário tende a exigir adaptação: muitos pequenos negócios precisarão investir em diferenciação, conveniência e relacionamento com o cliente para continuar competitivos. Fidelizar clientes se faz fundamental”, detalha.
Além do preço, o consumidor brasileiro também passou a valorizar mais praticidade e tecnologia. Aplicativos de entrega, programas de fidelidade, marcas próprias e compras online se tornaram ferramentas importantes para atrair e manter clientes.
Mesmo com a expansão acelerada, especialistas apontam que o setor ainda enfrenta desafios ligados às margens de lucro, custos de energia, transporte e manutenção das operações.
Para os próximos anos, a expectativa é de continuidade do crescimento, mas com foco maior em eficiência e integração entre canais físicos e digitais.
“Nos próximos anos, algumas tendências devem ganhar ainda mais força no varejo alimentar brasileiro. A primeira é a busca por preço baixo e eficiência, fortalecendo atacarejos e marcas próprias. Outra tendência é o crescimento das compras digitais e da integração entre aplicativo, delivery e loja física. Também devemos ver um consumidor mais seletivo, comparando preços com mais frequência e reduzindo desperdícios. Ao mesmo tempo, formatos menores e lojas de proximidade devem crescer, principalmente em cidades médias e regiões urbanas mais adensadas”, concluiu o economista.
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