Especialistas alertam que o uso indiscriminado nem sempre traz benefícios e que a suplementação deve ser indicada de forma individualizada
Jamis Gomes Jr. - estagiário
Nos últimos anos, os suplementos de magnésio se tornaram presença constante nas redes sociais, impulsionados por promessas de melhora do sono, redução da ansiedade, mais energia e prevenção de cãibras. No entanto, especialistas destacam que, apesar da popularidade, nem sempre há evidências científicas robustas que justifiquem o uso indiscriminado do mineral.
Em análise publicada pelo The Washington Post, a médica Trisha Pasricha, professora da Harvard Medical School e colunista do jornal norte-americano, explica que a suplementação pode ser útil em situações específicas, mas que, para a maioria das pessoas saudáveis, a melhor estratégia continua sendo uma alimentação rica em fontes naturais de magnésio.
Segundo a especialista, alguns tipos de suplemento apresentam resultados mais consistentes em casos de constipação intestinal. Já em relação à melhora do sono, as evidências ainda são limitadas. Para ansiedade e depressão, os estudos disponíveis são considerados insuficientes para comprovar benefícios claros.
A médica também ressalta que a experiência individual de algumas pessoas não substitui os resultados obtidos em pesquisas clínicas e que a decisão sobre a suplementação deve ser tomada em conjunto com um profissional de saúde.
Para a nutricionista e professora da UNIFASE, Juliana Giglio, a maioria das pessoas consegue atingir as necessidades diárias de magnésio apenas por meio da alimentação.
“Para a maioria das pessoas saudáveis, é perfeitamente possível atingir as necessidades diárias de magnésio por meio de uma alimentação equilibrada e variada. As recomendações para adultos variam em torno de 310 a 420 mg por dia, dependendo do sexo.
O magnésio está amplamente distribuído nos alimentos, especialmente nos alimentos de origem vegetal. As principais fontes incluem castanhas e sementes (como amêndoas, castanha-do-pará, castanha de caju e sementes de abóbora), leguminosas (feijão, lentilha, grão-de-bico e soja), cereais integrais, vegetais verde-escuros (espinafre, couve e brócolis), além de cacau e chocolate com alto teor de cacau.
Uma alimentação rica em alimentos minimamente processados geralmente fornece quantidades adequadas do mineral. O problema costuma ocorrer quando há grande consumo de alimentos ultraprocessados e baixa ingestão de frutas, verduras, legumes e grãos integrais”, diz Juliana.
O magnésio participa de centenas de reações metabólicas no organismo e está relacionado ao funcionamento dos músculos, nervos, coração e ossos. Por isso, a deficiência do mineral pode afetar diferentes sistemas do corpo.
O aumento da procura por suplementos também está relacionado à grande quantidade de conteúdos sobre o tema na internet. Para Juliana Giglio, muitas vezes os benefícios acabam sendo divulgados de forma exagerada.
“Nos últimos anos, o magnésio ganhou grande visibilidade nas redes sociais e na mídia, sendo frequentemente associado à melhora do sono, redução da ansiedade, prevenção de cãibras, aumento da energia e melhora da saúde cardiovascular. Embora algumas dessas funções tenham respaldo científico, muitas vezes os benefícios são divulgados de forma exagerada, levando à percepção de que o suplemento seria necessário para todos.
Outro fator é que sintomas inespecíficos, como cansaço, estresse, dificuldade para dormir ou dores musculares, são frequentemente atribuídos à falta de magnésio sem uma avaliação adequada. No entanto, esses sintomas podem ter inúmeras causas.
É importante destacar que a suplementação não deve substituir uma alimentação equilibrada. Em indivíduos sem deficiência ou sem fatores de risco específicos, não há evidências consistentes de que o uso indiscriminado de suplementos de magnésio traga benefícios adicionais à saúde”, explica a nutricionista e professora da UNIFASE.
Especialistas lembram que o excesso de vitaminas e minerais também pode causar efeitos indesejados. Por isso, a recomendação é evitar a automedicação e procurar orientação profissional antes de iniciar qualquer suplementação.
Embora a alimentação seja suficiente na maioria dos casos, existem situações em que a dieta isoladamente pode não garantir níveis adequados do mineral.
“A deficiência de magnésio pode causar sintomas como fraqueza muscular, fadiga, perda de apetite, náuseas, cãibras, tremores e alterações do ritmo cardíaco. Em casos mais graves, podem ocorrer manifestações neurológicas, como formigamentos, alterações de humor e até convulsões.
Entretanto, esses sinais não são exclusivos da deficiência de magnésio e não devem ser utilizados isoladamente para o diagnóstico. A confirmação deve ser feita por avaliação clínica e, quando necessário, por exames laboratoriais.
A dieta pode não ser suficiente em algumas situações específicas, como em pacientes com doenças gastrointestinais que causam má absorção, alcoolismo crônico, diabetes mal controlado, uso prolongado de diuréticos ou determinados medicamentos, além de algumas doenças renais. Nesses casos, a suplementação pode ser indicada, sempre com orientação profissional para evitar tanto a deficiência quanto o consumo excessivo”, conclui.
Assim, apesar do crescente interesse pelos suplementos, especialistas reforçam que não existe uma fórmula única válida para todos. Antes de recorrer às cápsulas, a recomendação é investir em uma alimentação equilibrada e buscar avaliação profissional para identificar se realmente existe necessidade de reposição.
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