Darques Júnior especial para o Diário
Segundo dados do 1° Informe Epidemiológico sobre a Situação da Saúde da Juventude Brasileira: Violências e Acidentes, realizados pela Agenda Jovem Fiocruz em agosto de 2025, a taxa de mortalidade entre jovens negros no Brasil entre 15 a 29 anos ocasionados por causas externas é de 227,5 por 100 mil habitantes, número que representa quase o dobro da taxa de mortalidade da mesma faixa etária da população branca (118,1/100 mil habitantes). O informe também aponta que 73% dos óbitos da população jovem por causas externas, como acidentes e violência urbana, ocorreram com jovens negros, o que corresponde a 61.346 dos óbitos registrados. As principais causas apresentadas incluem armas de fogo e ações policiais (3%), acidentes de transportes (84%) na juventude, sendo motocicletas compondo metade dos números (53%).
O Rio de Janeiro registra aumento nos casos de injuria racial segundo o Instituto de Segurança Pública (ISP). O Instituto registra 1.315 casos até junho deste ano, aumento de 19% registrados em comparativo com o mesmo período do ano anterior (1.105 casos registrados em 2024). Válido pontuar que 2024 o estado registrou 2.363 casos de injuria racial. Em Petrópolis foram registrados 19 casos de injuria racial até junho desde ano. A estimativa corresponde a três casos a mais, comparados com o mesmo período no ano passado (16 casos em 2024). Os números de casos de injuria racial registrados no ano passado completo (38 casos), até junho deste ano são de 19 casos a menos, até o momento.
Saúde mental da população preta
Outro ponto de atenção para a população negra é a saúde mental. Segundo dados do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) mediante a cartilha sobre Saúde Mental da População Negra de 2018, o risco de suicídio entre as jovens negras é 36% maior quando comparada a jovens brancas. Os dados do Ministério da Saúde de 2022 apontam que o índice de suicídio entre jovens negros registrados no Brasil são de 45% maior comparado aos brancos. Os homens negros de 10 a 29 anos chegam a 50% maior em comparativo aos brancos da mesma faixa etária.
A psicóloga Keila Braga considera que o principal motivo para esses dados é a falta de confiança no cuidado com a saúde mental, bem como o medo do julgamento e da falta de compreensão. “O racismo já condiciona o indivíduo a entender que não precisa de ajuda, que pode resolver sozinho e que a revolta deve ser internalizada. Na verdade, isso adoece mais rápido”. Além disso, a psicóloga ressalta que o suicídio neste recorte está ligado à sensação de ser deslocamento em um mundo que já não tem tanta oportunidade.
Keila ainda comenta que a falta de procura da população preta por saúde mental vem da inacessibilidade da psicologia no Brasil, além de destacar o estigma que a população trata o profissional de saúde mental: “A pessoa preta têm dificuldades em admitir que algumas dores devem ser tratadas em terapia, e que isso não é culpa dela, mas de um sistema que a ensinou que sempre precisa ser forte, não importa a circunstância”. A psicóloga ainda destaca como o racismo causa danos diretamente na rotina no individuo, bem como ele se enxerga e encara os aspectos da vida cotidiana como mercado de trabalho, escolaridade, crescimento pessoal e profissional e etc. “Na psicologia precisamos sempre ter uma posição antirracista e entender que o acolhimento da população deve ser diferenciado e mais profundo”, pontuou.
O dia da Consciência Negra ou dia nacional de Zumbi, comemorado nesta quinta-feira (20), foi instituído oficialmente pela Lei n° 12.519, de 10 de novembro de 2011 e faz referencia a morte de Zumbi, o então líder do Quilombo dos Palmares, em Alagoas, maior quilombo da América Latina no período colonial. Zumbi dos Palmares (1655-1695), segundo tornou-se símbolo da resistência negra à escravidão no Brasil, organizando estratégias de defesa, alianças e resistência contra os ataques coloniais e morreu em combate, se tornando símbolo de resistência para a população negra do país.
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