Jamis Gomes Jr. e Demétrio do Carmo - especial para o Diário
Petropolitanos já começaram a garantir a ceia da Semana Santa nas 24 barracas da Feira do Pescado, instalada na Rua Visconde de Souza Franco, no Centro. O evento segue até sexta-feira e, na manhã dessa quinta-feira (2), o movimento já era intenso no local.
De acordo com a Prefeitura de Petrópolis, a expectativa é de que cerca de 20 toneladas de pescado sejam comercializadas durante o período. A atuação dos feirantes é acompanhada de perto pela Vigilância Sanitária, que assegura que os produtos sejam vendidos dentro das normas de higiene e segurança alimentar.
A feira oferece uma grande variedade de peixes frescos, com opções para diferentes perfis de consumo e faixas de preço. A reportagem do Diário pesquisou alguns dos itens mais procurados nesta época e constatou pouca variação nos valores praticados.
Para a dona de casa Tamires Souza, de 48 anos, a feira é sinônimo de qualidade e frescor à mesa. Neste ano, ela optou por uma alternativa mais econômica: a sardinha, que será preparada ao forno. “Nem todos gostam de peixe lá em casa, então não preciso comprar uma grande quantidade”, explicou.
Entre os produtos mais procurados, a sardinha é encontrada a R$ 14,90 o quilo, mesmo valor da cavalinha. Em seguida aparecem a corvina e o tira-vira, a R$ 29,99. Outros destaques são a tainha, por R$ 39,90, e o filé de merluza, a R$ 44,99. Entre os itens de maior valor estão o filé de tilápia, a R$ 64,99, e o namorado, a R$ 79,50. Para quem deseja investir mais, o salmão chega a R$ 129 o quilo, enquanto o camarão é vendido por cerca de R$ 60. Para garantir ainda mais o sabor há temperos como cheiro-verde e coentro, duas unidades por R$ 5.
A Feira do Pescado funciona até esta Sexta-feira Santa (3), das 8h às 14h.
Negócio de família
Com a chegada da Semana Santa, a tradicional feira de pescados da Rua Souza Franco, conhecida como “Rua da Feira”, no Centro de Petrópolis, volta a ganhar movimento intenso. Entre bancas cheias e clientes em busca de opções para a Páscoa, histórias de longa data também chamam atenção, como a do feirante Cláudio, que carrega uma tradição familiar de quase 100 anos no ramo.
Presente na feira desde a infância, ele representa a continuidade de um negócio que atravessa gerações na cidade.
“Se for contar de avô para pai e de pai para filho, dá quase 100 anos. Meu avô começou lá na antiga feira, na Praça da Inconfidência, depois passou para o meu pai e agora está comigo. Só eu já tenho uns 40, 45 anos nesse trabalho”, conta.
Durante esse período, Cláudio viu o comportamento dos consumidores mudar, mas alguns hábitos permanecem, especialmente nesta época do ano. Segundo ele, há uma preferência clara por peixes mais tradicionais e também mais acessíveis.
“O que mais sai é corvina, sardinha, cavalinha e também o filé de panga, apesar de estar mais caro. Mas a alternativa mais barata continua sendo a sardinha e a cavalinha”, explica.
Por outro lado, produtos considerados mais nobres seguem com preços elevados, mas ainda encontram espaço entre os consumidores.
“O camarão é um dos mais caros, chega a uns 60 reais o quilo. Tem também o salmão, que vai a 100 reais, o namorado e o cação. Aí vai muito do gosto de cada cliente”, diz.
Além do movimento sazonal da Páscoa, o que chama atenção é a longevidade da atividade. Para Cláudio, o segredo está na ligação afetiva com o trabalho e na força da tradição familiar.
“É tradição mesmo e gosto pelo que faz. Eu trabalho com peixe a semana inteira, tenho peixaria em Cascatinha. Não é só por necessidade, é por prazer mesmo”, afirma.
A feira também é marcada pelo caráter familiar, algo que, segundo ele, ajuda a manter o negócio vivo ao longo dos anos.
“Aqui é tudo família. Meu filho está aqui, minhas cunhadas, agregados virou uma tradição. Somos cerca de 25 feirantes e muitos estão juntos há mais de 20 anos”, destaca.
Com bancas mantidas por gerações e consumidores fiéis, a feira de pescados segue como um dos pontos mais tradicionais de Petrópolis durante a Semana Santa, unindo comércio, cultura e histórias que atravessam décadas.
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