Ligações falsas comprometem o socorro de quem realmente precisa
Larissa Martins
Passar trote pode parecer inofensivo e divertido à primeira vista, mas ao realizar a brincadeira para os serviços de emergência como, por exemplo, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), o autor atrapalha às ocorrências verdadeiras, comprometendo o socorro a quem realmente precisa.
Lidar com a falsa comunicação de demandas segue sendo um desafio para as equipes de Petrópolis. Durante todo o ano de 2025, a Central de Regulação do SAMU registrou 307 trotes na cidade. Em 2024, foram aproximadamente 230 trotes telefônicos apenas no segundo semestre (entre julho e dezembro período que foi implantado o novo sistema).
Em Petrópolis, embora o trabalho de conscientização tenha reduzido a incidência de trotes para cerca de 1% a 2% das chamadas totais, apenas no início de 2026 já foram contabilizadas 43 ligações falsas que poderiam ter atrasado o socorro às vítimas reais.
Os trotes comprometem diretamente a eficiência do socorro, enquanto um atendente filtra um trote, uma pessoa em situação de emergência pode encontrar a linha ocupada e ser fatal
Quando um trote não é identificado na triagem, uma ambulância é enviada ao local, e quando uma equipe se desloca para uma ocorrência falsa, ela fica indisponível para atender um chamado verdadeiro na região.
“O SAMU 192 é um serviço de urgência para salvar vidas e passar trote prejudica o atendimento de quem realmente precisa, além de ser crime previsto no Código Penal. Oriente as crianças e use o serviço apenas em casos de emergência real”, alerta a Secretaria de Saúde.
Programa estadual de conscientização
Para enfrentar esse problema de forma estruturada, existe um Projeto de Lei, nº 6910/2025, recente, que cria o Programa Estadual de Conscientização contra o Trote ao SAMU. A autoria é da deputada estadual Lilian Behring (PCdoB).
A proposta institui uma política pública permanente de educação, prevenção e informação, com campanhas em escolas públicas e privadas, universidades, meios de comunicação e redes sociais, além de parcerias com órgãos de saúde, segurança pública e conselhos tutelares.
O texto do projeto também prevê a divulgação de dados estatísticos sobre trotes e seus impactos na eficiência do serviço, além de reforçar informações sobre as penalidades previstas em lei, como multas e sanções penais. A deputada ressalta, no entanto, que a proposta vai além da punição.
“Punir é importante, mas não resolve sozinho. Precisamos educar desde cedo, formar consciência, ensinar cidadania. Quando uma criança ou adolescente entende que ligar para o 192 sem necessidade pode custar uma vida, a lógica muda”, pontua.
A coordenação do programa ficará a cargo da Secretaria de Estado de Saúde, em articulação com a Secretaria de Educação e outros órgãos, garantindo uma abordagem intersetorial. O Poder Executivo deverá assegurar recursos para a execução das ações, com possibilidade de parcerias institucionais.
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