Mauro Peralta médico e ex-vereador
O dito popular português-brasileiro é claro: nada muda, tudo continua como está. Em outras palavras, tanto faz como tanto fez. Promessas não cumpridas, mudanças que não mudam coisa alguma, expectativas frustradas, trocar seis por meia dúzia.
Deixando a ironia de lado e olhando para a realidade de Petrópolis, infelizmente somos obrigados a concordar com Abrantes. O lixo abandonado e não recolhido nas ruas, estigma do desgoverno do ex-prefeito Rubens Bomtempo, parece também marcar o atual governo. O transporte e destinação ao aterro sanitário passou a custar 179 reais por tonelada em agosto de 2023. Mas nem mesmo esse aumento expressivo foi capaz de melhorar a coleta de lixo na cidade. Recebemos o exato mesmo serviço precário mesmo pagando o triplo do valor anterior.
Some-se tudo isso a grave denúncia que fiz sobre a retirada, autorizada pela Justiça, de recursos do fundo previdenciário do INPAS. Valores que não foram repostos e, o que é ainda mais grave, voltaram a ser retirados no atual governo.
No transporte público, o cenário segue o mesmo. Com a saída das empresas Cascatinha e Petro Ita, nada melhorou com a Turp: ônibus sem freio, goteiras no interior dos veículos, quebras constantes e viagens que simplesmente desaparecem, tudo isso apesar do aumento no valor das passagens. A lei de minha autoria, aprovada com voto favorável do prefeito Hingo Hammes, que determina a fixação da idade dos ônibus na parte traseira dos veículos, segue sendo ignorada. Por quê? Talvez para esconder que temos ônibus com mais de 16 anos de uso circulando pela cidade.
As prometidas reduções de despesas, com cortes de secretarias, redução do número de secretários, motoristas, veículos oficiais, aluguéis de casarões e cargos comissionados, ainda não saíram do papel.
O péssimo serviço da Enel continua intocado. O mesmo vale para a Águas do Imperador, ou pior: houve aumento de tarifas acima da inflação e a prorrogação do contrato por mais 10 anos, com reajustes anuais igualmente superiores à inflação. Continuamos pagando taxa de esgoto onde não há rede instalada e pagando por água mesmo sem consumo, sem qualquer tipo de crédito para o mês seguinte.
Na educação, apesar de decisão judicial, os 37 mil alunos da rede municipal seguem sem receber material escolar, uniformes e merenda de qualidade. Na saúde, tudo igual ao governo esquerdista anterior: falta de remédios, exames e cirurgias.
Hoje, ironicamente, nosso melhor posto de saúde é a 4ª Vara Cível, sob a condução humana e eficiente do juiz Dr. Jorge Luiz Martins Alves, que prontamente julga favoravelmente as ações de obrigação de fazer, garantindo remédios, exames e cirurgias que a Secretaria de Saúde insiste em negar, exatamente como ocorria no governo do Dr. Rubens Bomtempo.
Mas como, no Brasil, dizem que o ano só começa depois do Carnaval, ainda restam 15 dias de esperança para acreditarmos que as mudanças, tão necessárias, finalmente acontecerão.
Enquanto isso, nossa escola de samba desfilará pela Rua do Imperador com o enredo “dias melhores virão”. E, nem que seja em sonho, suas alas da saúde, educação, transporte, segurança e emprego certamente conquistarão o primeiro lugar. No desfile, ao menos, tudo será diferente do eterno e cansativo mundo de Abrantes.
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