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Ultraprocessados avançam na dieta dos brasileiros e especialistas reforçam alerta em Petrópolis

Foto: Freepik
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Jamis Gomes Jr. - especial para o Diário

O aumento no consumo de alimentos ultraprocessados tem chamado a atenção de especialistas em saúde em todo o país. Nas últimas décadas, segundo a Agência Brasil, esses produtos mais do que dobraram sua participação na alimentação dos brasileiros, saltando de 10% para 23% do total de calorias ingeridas. O cenário acompanha o crescimento de doenças crônicas, como obesidade, diabetes e problemas cardiovasculares.

Desenvolvido por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), o conceito de ultraprocessados surgiu para explicar essa mudança no comportamento alimentar. A classificação NOVA divide os alimentos conforme o nível de processamento, evidenciando a diferença entre produtos naturais e aqueles altamente industrializados, como refrigerantes, salgadinhos e refeições prontas.

Mais do que uma escolha individual, especialistas apontam que fatores como praticidade, preço e publicidade influenciam diretamente o consumo, tornando esses produtos cada vez mais presentes na rotina das famílias.

Nutricionistas explicam como identificar e reduzir ultraprocessados na rotina
Para entender como esse cenário impacta o dia a dia, o Diário de Petrópolis ouviu especialistas que apontam caminhos simples para reconhecer e diminuir o consumo desses alimentos.

A nutricionista e biomédica Juliana Bayeux explica que a composição dos produtos é um dos principais sinais de alerta.

“Os ultraprocessados passam por diversas etapas industriais e geralmente não são feitos a partir de alimentos naturais. Uma forma simples de identificá-los é observar a lista de ingredientes: quando ela é longa, com nomes difíceis de reconhecer, como corantes, aromatizantes e conservantes, já é um sinal de alerta”, afirma.

Ela também destaca uma regra prática para o consumidor.

“Se você não conseguir reproduzir aquele alimento em casa com ingredientes comuns, é muito provável que ele seja ultraprocessado”, completa.

A nutricionista Rafaela Cogliatti reforça que a praticidade desses produtos é justamente o que favorece o consumo excessivo.

“No dia a dia, identificar um ultraprocessado pode ser mais simples do que parece. Eles têm listas extensas de ingredientes e são pensados para conveniência, não para qualidade nutricional”, explica.

Já Nicole Vianna, nutricionista e mestre em Ciência de Alimentos pela UFRJ, chama atenção para um detalhe importante presente nas embalagens.

“A embalagem é o principal ponto de comunicação com o consumidor. Nela, conseguimos observar informações essenciais na hora da escolha. Alimentos ultraprocessados costumam ter uma lista extensa de ingredientes e, desde 2022, aqueles com alto teor de açúcar, gordura saturada ou sódio precisam trazer alertas na parte frontal, com o símbolo de lupa”, destaca.

Quando o assunto é mudança de hábitos, as especialistas concordam que pequenas atitudes já fazem diferença significativa.

“Reduzir o consumo não exige mudanças radicais. Priorizar alimentos in natura, cozinhar mais em casa e planejar as refeições são passos importantes para evitar escolhas por praticidade”, orienta Juliana.

Rafaela resume de forma direta: “Uma boa estratégia é descascar mais e desembalar menos. Substituições simples já trazem benefícios para a saúde.”

Nicole também reforça o papel da organização na rotina alimentar.

“Muitas vezes, a correria do dia a dia leva à escolha de alimentos prontos. Por isso, o planejamento alimentar é fundamental para garantir escolhas mais saudáveis”, afirma.

Além das mudanças individuais, o avanço dos ultraprocessados também levanta discussões sobre políticas públicas e impacto econômico. Estudos apontam que o consumo desses produtos gera bilhões em custos à saúde e poderia estar associado a milhares de mortes evitáveis por ano.

Neste contexto, o Dia da Saúde e Nutrição, celebrado em 31 de março, reforça a importância de escolhas conscientes no cotidiano.

“Não se trata de perfeição, mas de constância. Pequenas decisões ao longo do tempo fazem toda a diferença”, conclui Juliana Bayeux.

Com informação e ajustes simples na rotina, especialistas destacam que é possível reduzir a presença dos ultraprocessados na alimentação e melhorar a qualidade de vida da população.

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