Mauro Peralta - médico e ex-vereador
A próxima Páscoa, celebrada no domingo, dia 5 de abril, não deve ser vista apenas como o último dia de um feriadão prolongado da Semana Santa. Na quinta-feira, as escolas fecham, assim como a maioria das repartições públicas. Na sexta-feira, boa parte da população também entra em recesso. Para muitos, trata-se apenas de uma pausa para descanso ou viagem. Reduzir esse período a isso, porém, é esvaziar completamente o seu verdadeiro significado.
Para os cristãos, a Semana Santa e a Páscoa representam muito mais. Simbolizam a vida nova, a libertação dos pecados e a vitória de Jesus Cristo sobre a morte, com a promessa da vida eterna para aqueles que seguem seus ensinamentos. Para os judeus, a Páscoa, o Pessach, celebra a libertação da escravidão no Egito rumo à terra prometida. Em ambas as tradições, trata-se de um marco de passagem: da opressão para a liberdade, da morte para a vida.
Esse período é precedido pela Quaresma, iniciada na Quarta-feira de Cinzas, que remete aos quarenta dias vividos por Jesus no deserto, quando resistiu às tentações. É um tempo de reflexão profunda, oração, penitência e caridade. Um convite à reconciliação com Deus e consigo mesmo. Até mesmo os símbolos populares carregam significados. O coelho da Páscoa, embora não bote ovos, representa a fertilidade, a renovação e o renascimento, ideias centrais desse tempo litúrgico.
No entanto, o mundo contemporâneo parece caminhar na direção oposta. Vivemos tempos conturbados, marcados por diversos conflitos armados espalhados pelo planeta, como na Ucrânia, em Gaza, no Irã, no sul do Líbano, no Congo, na Etiópia, na Somália e no Mali, ceifando milhares de vidas. A violência e a intolerância seguem como marcas de uma humanidade que ainda não aprendeu a lição essencial da paz.
A pobreza também grita. Mais de 8% da população mundial ainda convive com a fome. No Brasil, a realidade não é muito diferente. Vivemos no país que mais cobra imposto sobre remédios no mundo. Além disso, escândalos recentes envolvendo instituições como o INSS e episódios financeiros controversos evidenciam o abismo entre a opulência de poucos governantes e o sofrimento de muitos.
Nesse cenário, a mensagem de Jesus se torna não apenas atual, mas urgente. Como está nas Escrituras, o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna. E ainda, Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.
A Páscoa, portanto, não é apenas uma celebração. É um chamado. Um convite à mudança de comportamento, à revisão de atitudes e à prática concreta do bem. Não basta lembrar o exemplo de Cristo, é preciso vivê-lo no cotidiano, nas pequenas e grandes ações.
Se não formos capazes de promover uma transformação real em nós mesmos e na sociedade, estaremos desperdiçando o verdadeiro sentido desta data. Afinal, como em tudo na vida, o livre-arbítrio nos foi dado, e a escolha é individual.
Veja também: