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Universidades buscam aproximar formação e mercado para manter talentos em Petrópolis

UNIFASE, UCP, Estácio e Cefet/RJ apostam em estágios, pesquisa, empreendedorismo e parcerias para conectar estudantes às demandas da cidade

Foto: Divulgação
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Roberto Jones - especial para o Diário

Petrópolis reúne instituições de ensino superior que todos os anos formam profissionais em áreas diversas, mas transformar essa formação em oportunidades capazes de manter os jovens na cidade é um dos desafios para o desenvolvimento local. Mais do que preparar estudantes para o mercado, universidades e centros de ensino têm buscado aproximar a sala de aula das empresas, da pesquisa, do empreendedorismo e das demandas do município, criando caminhos para que estudar em Petrópolis também possa significar trabalhar e construir uma carreira por aqui.

Para Abílio Aranha, pró-reitor de Ensino e Extensão da UNIFASE, formar talentos também significa conectá-los ao território onde estão inseridos. “Buscamos proporcionar uma formação que vá além da sala de aula, aproximando os estudantes, desde o início de suas trajetórias, de diferentes cenários de prática, organizações, serviços e experiências profissionais. Essa conexão com a realidade permite que nossos estudantes conheçam de perto as demandas da cidade e da região, desenvolvam competências importantes para o mundo do trabalho e também consigam enxergar possibilidades de atuação e crescimento profissional em Petrópolis", afirma.

A formação, a prática, a pesquisa e a extensão precisam dialogar com as necessidades da sociedade, defende Abílio. "Ao longo dos anos, muitos dos profissionais que formamos permanecem em Petrópolis e continuam contribuindo para o desenvolvimento local, seja atuando em suas áreas, empreendendo, assumindo posições de liderança ou retornando à própria instituição como docentes e preceptores. Mais do que preparar o estudante para ingressar no mercado de trabalho, queremos ajudá-lo a compreender seu papel na sociedade, identificar oportunidades e construir conexões que possam acompanhar sua trajetória profissional".

Da sala de aula para o mercado

Uma das principais ferramentas para essa aproximação são os estágios e as parcerias com empresas e instituições locais. No Cefet/RJ Petrópolis, a relação com órgãos públicos, empresas e indústrias tem sido ampliada por meio de convênios e oportunidades de estágio.

Segundo Felipe Henriques, diretor do Cefet/RJ Petrópolis, a instituição mantém contato com o CIEE para apresentar aos estudantes oportunidades de estágio e também possui uma relação próxima com a CETER. “Essa aproximação é importante porque permite que os estudantes conheçam as demandas do mercado local ainda durante a formação e, ao mesmo tempo, que as empresas tenham contato com os profissionais que estão sendo formados na cidade”, explica.

A instituição também mantém parcerias com empresas e com o Parque Tecnológico da Região Serrana, o Serratec, em projetos de pesquisa e oportunidades profissionais. A participação dos estudantes em eventos como o Petrópolis Tech Summit também é utilizada para apresentar trabalhos, estabelecer contatos e aproximar os jovens de empresas e profissionais da região.

Na Estácio Petrópolis, essa conexão ocorre, entre outras iniciativas, por meio da Feira Nacional de Estágio e Emprego e de uma plataforma interna de empregabilidade para alunos e egressos. A instituição também mantém convênios com órgãos públicos, hospitais, clínicas, escritórios e indústrias para estágios curriculares e extracurriculares.

Outra frente está nos projetos de extensão, nos quais estudantes aplicam conhecimentos para atender demandas reais da comunidade e do empresariado local, com iniciativas que incluem atendimentos jurídicos, consultorias de gestão, projetos arquitetônicos e serviços de saúde. "Entendemos que para manter o jovem na cidade é preciso gerar empregos qualificados e incentivar a inovação local", comenta Patrícia Bach, gestora da Estácio Petrópolis.

Pesquisa, inovação e empreendedorismo

Na UCP, a aproximação com o mercado também passa pela tentativa de transformar o próprio campus em um ambiente de empreendedorismo. Uma das iniciativas em desenvolvimento é a possibilidade de instalação de uma incubadora em parceria com o Serratec, voltada à criação de startups de alunos. A universidade também firmou convênio com o Sebrae e parceria com a TEKNE para oferecer cursos de curta duração em inteligência artificial.

Para Jaime Laufer, pró-reitor de Graduação e de Pesquisa e Pós-Graduação da UCP, essas ações fazem parte de um esforço maior para aproximar a formação das necessidades do mercado. “A formação de mão de obra qualificada é um fator decisivo para que novas empresas e investimentos escolham Petrópolis”, afirma.

A universidade também participa da Associação Comercial e Empresarial de Petrópolis (ACEPE), onde integra discussões sobre o desenvolvimento econômico e tecnológico da cidade. "Entendemos que consolidar Petrópolis como uma verdadeira cidade universitária é um dos caminhos mais efetivos para reter talentos e atrair novos empreendimentos para a região", acrescenta Jaime.

Na UNIFASE, grupos de pesquisa e projetos de iniciação científica fazem parte dessa estratégia, ao lado da participação em iniciativas relacionadas ao empreendedorismo e à inovação. Um exemplo é a Cantina Escola Sabor & Saber, que envolve estudantes de Nutrição e Administração em uma experiência que aproxima gestão, produção, marketing e prática profissional. “Acreditamos que empreender também é desenvolver a capacidade de identificar desafios, criar soluções e transformar conhecimento em novas possibilidades”, afirma Abílio.

O desafio de fazer o talento ficar

Apesar das iniciativas, as instituições reconhecem que a retenção de jovens não depende apenas das universidades. É necessário que exista um mercado capaz de absorver profissionais qualificados e oferecer perspectivas de crescimento.

Para Abílio, essa é uma construção que envolve universidades, empresas, poder público e organizações da sociedade. “Precisamos criar cada vez mais espaços de encontro e colaboração, aproximando quem forma, quem pesquisa, quem empreende e quem gera oportunidades. Mas entendemos que a universidade tem um papel importante na construção de pontes: entre o conhecimento e os desafios reais, entre a pesquisa e a sociedade, entre os estudantes e o mundo do trabalho”, defende.

Jaime acredita que consolidar Petrópolis como uma verdadeira cidade universitária pode ser um dos caminhos para esse processo. "Precisamos continuar avançando internamente, com melhorias em processos, laboratórios e infraestrutura já em andamento para este e o próximo ano, de forma que a UCP esteja cada vez mais preparada para formar profissionais que a cidade e o mercado local demandam, fortalecendo Petrópolis como um polo de conhecimento capaz de gerar emprego, renda e desenvolvimento, sem que seus talentos precisem buscar oportunidades em outras cidades", pontua.

O Cefet/RJ também aponta a necessidade de ampliar a colaboração entre instituições. Felipe destaca que a integração entre educação, pesquisa, inovação e setor produtivo é essencial para criar um ambiente capaz de fortalecer e reter talentos. "Algumas ações importantes que estamos projetando são a criação de novos cursos, inclusive com a possibilidade de implantação de cursos de Mestrado e Doutorado, já existentes no Cefet/RJ, aqui na unidade Petrópolis".

Na Estácio, Patrícia aponta que "nossos próximos passos são a ampliação das parcerias com empresas de tecnologia e inovação, a aproximação com polos industriais e comerciais para a criação de programas de trainee e o fortalecimento de iniciativas voltadas ao primeiro emprego e à transição de carreira".

Uma cidade que também forma para o futuro

O desafio, portanto, não está apenas em aumentar o número de profissionais formados em Petrópolis, mas em fazer com que o conhecimento produzido nas instituições se conecte cada vez mais à economia local.

Para as universidades, isso significa aproximar estudantes de empresas, estimular a criação de negócios, fortalecer a pesquisa aplicada e ampliar os espaços de colaboração. Para a cidade, significa transformar a presença de instituições de ensino em uma vantagem para a geração de empregos qualificados, inovação e desenvolvimento.

Abílio resume a questão dizendo que “o futuro de uma cidade também está na sua capacidade de acreditar nas pessoas que forma. Petrópolis tem talentos, conhecimento e potencial. O desafio é ampliar as conexões entre esses ativos e criar condições para que cada vez mais pessoas enxerguem na cidade não apenas um lugar para estudar, mas também para trabalhar, empreender, pesquisar e construir suas trajetórias”.

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