Sintect-rj alerta para precarização das condições de trabalho
Larissa Martins
Recentemente, os Correios colocaram o prédio histórico da Agência do Centro de Petrópolis, localizado na Rua do Imperador nº 350, à venda na modalidade de venda direta, destinada exclusivamente à Administração Pública Federal, Estadual e Municipal. A decisão faz parte do Plano deReestruturação dos Correios, segundo a estatal.
“No âmbito das ações de otimização da carteira imobiliária previstas no Plano deReestruturação dos Correios, após estudos técnicos, o imóvel encontra-se em fase de instrução para eventual alienação. Demais informações serão divulgadas em breve. A racionalização de ativos ociosos ou subutilizados contribui para a redução de despesas de manutenção e viabiliza o reinvestimento em modernização, além de apoiar o processo de reequilíbrio financeiro da estatal”, declarou ao Diário.
Sindicato teme venda
No entanto, para o Sintect-RJ - Sindicato dos Trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios Telégrafos, o modelo apresentado pela empresa preocupa trabalhadores e a sociedade, principalmente diante da possibilidade de fechamento de unidades, programas de desligamento incentivado e venda de imóveis históricos em diversas regiões do país.
No estado do Rio de Janeiro, imóveis históricos dos Correios localizados na capital, em Niterói e Campos dos Goytacazes também estão entre os patrimônios colocados à venda. Para o sindicato, a medida representa um grave ataque à história e à presença pública da estatal, além de demonstrar que a atual gestão escolheu começar o processo de ajuste financeiro penalizando a estrutura operacional da empresa.
A entidade alerta que a reestruturação não pode significar redução da presença dos Correios nas cidades, aumento da sobrecarga de trabalho e retirada de direitos. Segundo o sindicato, trabalhadores já enfrentam falta de efetivo nas unidades, acúmulo de funções, pressão por metas e condições precárias em diversos setores operacionais. Mesmo após a realização do concurso público de 2024, a convocação de aprovados segue insuficiente para recompor o quadro de pessoal.
O presidente do sindicato, Marcos Sant’Aguida, criticou duramente a forma como a reestruturação vem sendo conduzida.
“Os trabalhadores não podem pagar a conta dessa reestruturação. Enquanto carteiros, atendentes e operadores enfrentam sobrecarga, falta de condições adequadas de trabalho e insegurança nas unidades, a direção anuncia venda de imóveis históricos e redução da estrutura operacional. A reestruturação precisa começar pelos altos salários, pelos excessos da alta administração e pelos cargos de confiança, não por quem mantém os Correios funcionando diariamente”, afirmou.
Sant’Aguida também destacou que fortalecer os Correios exige investimento na operação, valorização dos trabalhadores e recuperação da imagem institucional da empresa perante a população.
“Os Correios têm uma função social estratégica para o país. Não se fortalece a empresa vendendo patrimônio histórico, fechando unidades e precarizando o trabalho. O caminho precisa ser o fortalecimento da marca Correios, investimento em tecnologia que melhore as condições de trabalho e contratação de pessoal para garantir qualidade no atendimento e na distribuição”, completou.
O sindicato defende que qualquer debate sobre reestruturação passe, obrigatoriamente, pela valorização dos trabalhadores de carreira, convocação de concursados, preservação das agências e revisão dos gastos da alta estrutura administrativa. Para a entidade, modernizar a empresa não pode ser sinônimo de desmontar seu patrimônio, reduzir direitos ou enfraquecer o papel público dos Correios no Brasil.
Novo local ainda indefinido
Questionado sobre a realocação da unidade e dos funcionários, a estatal respondeu que:
A agência atualmente instalada no fundo do imóvel será remanejada para outro prédio, garantindo a continuidade do acesso da população aos serviços postais. O novo local será divulgado oportunamente.
No momento, para atendimento, os clientes podem se dirigir às agências localizadas na Estrada União Indústria, 11870,Itaipava; na Estrada União Indústria, 19297, Pedro do Rio; na Rua Bingen, 2170, Bingen; na Rua Coronel Veiga, 1988, Coronel Veiga; na Rua Dezesseis de Março, 322, Centro; e Rua do Imperador, 350, Fundos,Centro.
Precarização era alvo de denúncias
Há anos, o sindicato vem denunciando a precarização da unidade. O prédio sofria constantemente com ações de vandalismo, como pichações em sua fachada, além da falta de limpeza no local, incluindo objetos e roupas de pessoas em situação de rua. O prédio ficou fechado de abril de 2024 a fevereiro de 2026 para restauração de sua fachada após atrasos nas obras.
A unidade dos Correios foi fundada em 1848, mas o palácio foi inaugurado somente em 1922 pelo presidente Epitácio Pessoa. São mais de 100 anos de existência. A preservação é garantida pelo Inepac Instituto Estadual do Patrimônio Cultural, por meio do tombamento realizado em 1998.
À imprensa, o Inepac informou que acompanha o processo de venda do imóvel e já encaminhou parecer técnico aos Correios, orientando quanto à necessidade de preservação das diretrizes de tombamento durante todo o processo de transferência da propriedade.
*Com informações do Sintect-RJ
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