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Verão exige cuidados com a saúde infantil

Infectologista alerta pais sobre a tríplice ameaça da estação

Foto: Freepik
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Larissa Martins

O Verão começará no próximo domingo (21), se estendendo até o mês de março de 2026. Neste período há o aumento das temperaturas e maior ocorrência de chuvas, contribuindo para que o organismo fique mais fragilizado e os fatores de risco estejam mais presentes.

É nessa época também que surgem inúmeras doenças comuns da estação como, por exemplo, as Arboviroses. O acúmulo de água da chuva em recipientes e o calor excessivo criam o ambiente ideal para a proliferação do mosquito Aedes aegypti, responsável pela transmissão de dengue, Zika e chikungunya.

Assim, a saúde, principalmente das crianças, se torna uma pauta de urgência máxima. No entanto, o risco para os pequenos vai além. A circulação de vírus respiratórios e a queda na cobertura vacinal reforçam a necessidade de uma estratégia preventiva integral.

Internações

Até o momento, a Secretaria Municipal de Saúde de Petrópolis confirmou que 358 crianças foram internadas por causa de vírus respiratórios neste ano em Petrópolis. No ano passado, o número foi ainda mais alarmante, chegando a 715 hospitalizações.

Em relação à Dengue, duas crianças de até 10 anos foram diagnosticadas com a doença e necessitaram de internação neste ano. Já no ano passado, houve 39 crianças da mesma faixa etária internadas.

Tríplice do verão

O infectologista pediátrico do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), Márcio Nehab, alerta que pais e responsáveis devem manter vigilância em três frentes: controlar arboviroses, prevenir infecções respiratórias e garantir a atualização do calendário vacinal infantil.

O especialista pontua os erros mais comuns ao tentar diferenciar uma febre de dengue de uma gripe simples no início dos sintomas.

“Confundem a ausência de sintomas respiratórios relevantes como algo pouco importante e interpretam a febre alta isolada como gripe, quando na fase inicial da dengue o quadro costuma ser dominado por febre alta de início abrupto, mal-estar intenso e dor no corpo. Essa falta de atenção ao padrão clínico inicial leva muitos a tratarem como virose respiratória algo que merece vigilância mais próxima”, observa.

Segundo ele, alguns sintomas em crianças com dengue ou Zika exigem a ida imediata ao hospital.

“Dor forte na barriga que não passa; vômitos muitas vezes seguidos; inchaço ou sensação de líquido no peito ou na barriga; sangramentos pelo nariz, gengiva ou manchas vermelhas na pele; criança muito parada, muito irritada ou diferente do habitual; barriga aumentada e dolorida ao toque; exames mostrando que o sangue está ficando mais concentrado e as plaquetas estão caindo”, explica.

Com a circulação simultânea de dengue e Covid-19/influenza, existe um risco aumentado de coinfecção em crianças.

“Quadros respiratórios passam a se misturar com quadros febris sem sintomas respiratórios claros. A criança pode começar com tosse ou coriza, sugerindo gripe ou Covid, mas ao mesmo tempo estar desenvolvendo dengue. Isso atrasa a suspeita de dengue porque a presença de sintomas respiratórios faz os cuidadores descartarem a doença. Coinfecções também podem deixar a febre mais prolongada e o mal-estar mais intenso, confundindo ainda mais o diagnóstico inicial. Além disso, o VSR permanece como um dos principais agentes de bronquiolite em bebês, mas os dados recentes do InfoGripe mostram que não há aumento relevante nesta época do ano. A prevenção se tornou muito mais efetiva com a vacinação de gestantes com Abrysvo e com a proteção direta do nirsevimabe para bebês prematuros. Evitar contato com recém-nascidos quando há qualquer sintoma respiratório continua sendo uma medida essencial, pois reduz significativamente o risco de transmissão”, destaca.

Imunização

Márcio deixa um alerta aos pais que ainda não levaram seus filhos para vacinar contra ambas as doenças.

“Procurem uma unidade de saúde e atualizem o calendário imediatamente, sem necessidade de reiniciar esquemas. A criança recebe as doses faltantes conforme a idade e o histórico, recuperando a proteção de forma segura e rápida”, alerta Márcio.

Segundo a Secretaria de Saúde de Petrópolis, 9.231 doses da vacina contra Influenza foram aplicadas, até o momento, neste ano, no grupo prioritário de crianças de 06 meses a menores de 6 anos. Em 2024 foram 12.062 doses, número maior que o atual. A cobertura vacinal do grupo Prioritário este em 56, 07%.

Já em relação à vacina contra a Dengue, foram aplicadas 8.042 doses em jovens de 10 a 14 anos 11 meses e 29 dias, público o qual o SUS faz a cobertura com o imunizante. Em 2024 foram apenas 3.719, destacando o aumento na procura neste ano.

Com informações da Agência Fiocruz

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