Demétrio do Carmo - Especial para o Diário
A Câmara Municipal de Petrópolis realizou, nessa terça-feira (24), audiência pública para a apresentação do Relatório do 3º Quadrimestre de 2025 (setembro a dezembro), com a prestação de contas das ações e investimentos da Secretaria de Proteção e Defesa Civil no período.
A sessão foi conduzida pelo vereador Léo França e participaram os vereadores Thiago Damasceno, Domingos Protetor e Octávio Sampaio, além das vereadoras Professora Lívia e Júlia Casamasso. O secretário municipal de Defesa Civil, Guilherme Moraes, detalhou os dados financeiros e operacionais da pasta, destacando programas preventivos, monitoramento e capacitações realizadas ao longo dos quatro meses.
Entre os principais temas debatidos estiveram o Plano de Contingência do município, a atuação dos Núcleos Comunitários de Defesa Civil (Nudecs), a estrutura dos pontos de apoio em escolas municipais, o sistema de monitoramento do Centro Integrado de Monitoramento e Operações de Petrópolis (Cimop) e a implantação do radar meteorológico banda X.
Conscientização e prevenção
Na apresentação, o secretário ressaltou as ações educativas promovidas no período, como o projeto Escola Resiliente, desenvolvido em parceria com a Secretaria de Meio Ambiente. A iniciativa realizou oficinas em 45 escolas municipais, envolvendo cerca de 3.600 alunos do 6º ao 9º ano em atividades sobre prevenção e percepção de riscos de desastres.
Também foram mencionados o projeto “Comunidade que cuida da vida”, o mapeamento comunitário para definição de rotas de fuga e treinamentos voltados a rodoviários e lideranças locais. Segundo Guilherme Moraes, entre março e novembro de 2025 o curso de Formação Continuada dos Nudecs avançou nas comunidades, ampliando a capacitação de moradores para atuação em situações de emergência.
Questionamentos dos vereadores
Durante a fase de perguntas, a vereadora Professora Lívia questionou a manutenção das câmeras de monitoramento em pleno período chuvoso. O secretário afirmou que os equipamentos são importantes aliados nas ações preventivas, mas destacou que o trabalho da Defesa Civil também se baseia em medições técnicas, vistorias e protocolos próprios, e que a questão remete à Secretaria de Serviços, Ordem Pública e Segurança - SSOP.
Sobre o radar banda X, recentemente noticiado pela imprensa local, Guilherme informou que o equipamento está em fase de testes e ajustes técnicos, incluindo capacitação de profissionais, com previsão de entrada em operação no mês de março.
A parlamentar também questionou a responsabilidade pela abertura dos pontos de apoio, cujas chaves permanecem com diretoras das unidades escolares, embora a Defesa Civil também possua cópias. Para ela, a atribuição deveria ser exclusivamente do órgão, evitando que profissionais da educação sejam expostas a riscos ou atrasos no deslocamento.
Em resposta, o secretário afirmou que a Defesa Civil tem autonomia para abrir as unidades quando necessário e citou episódios recentes em que os pontos foram abertos preventivamente com base nas previsões meteorológicas. Segundo ele, a medida evita a exposição das equipes escolares a situações de risco.
O vereador Thiago Damasceno questionou o funcionamento das sirenes de alerta, recebendo a informação de que todos os equipamentos estão operando normalmente. Ele também cobrou explicações sobre as cancelas instaladas na Rua Coronel Veiga, que atualmente emitem apenas sinais luminosos e sonoros, sem o acionamento das barreiras físicas. De acordo com o secretário, o problema decorre de quebras recorrentes e atos de vandalismo. Em casos de risco de cheia, viaturas da Defesa Civil são deslocadas para orientar motoristas e pedestres.
A vereadora Júlia Casamasso defendeu o reforço de investimentos na área e destacou os avanços na formação dos Nudecs. Ela também voltou a defender projeto de sua autoria que prevê política compensatória, como concessão de folgas, para servidores da educação que atuam em pontos de apoio durante emergências.
Já o vereador Léo França fez cobranças diretas sobre a entrada em operação do radar banda X e a reativação de câmeras desativadas da Secretaria de Serviços, Ordem Pública e Segurança (SSOP). O parlamentar também chamou atenção para a situação da localidade do Ingá, na Posse, que enfrenta constantes desplacamentos de rochas, e cobrou ações mais contundentes e apresentação de projetos por parte do Executivo.
Por fim, questionado se o orçamento da pasta é suficiente para a plena operação o secretário afirmou que sim, citando que as emendas impositivas - repasses determinados por legisladores para a pasta -, ainda não foram realizados.
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