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Violência contra a escola

- Ataualpa A. P. Filho

Foto: Pixabay
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“Educação”. É o peso dessa palavra que expõe as contradições de gestores públicos e evidencia o caos de uma sociedade que deteriora os seus valores quando não prioriza os princípios éticos e não adota uma política de reconhecimento dos direitos humanos.

A prática educacional é um ato de amor. Mas, para dedicar-se a ela, é preciso ter coragem, pois consiste em: abrir portas e janelas para mudanças, criar pontes para o interior do ser humano, alicerçar o futuro no presente, esperançar de mãos dadas nos passos dos sonhos, construir certezas para as dúvidas e dúvidas para as certezas, mergulhar em si e encontrar o nós paritariamente em direitos e deveres ao assimilar as lições de vida.

Hoje para ser um profissional da Educação é preciso não medir esforços para enfrentar os desafios que restringem o processo de aprendizagem. Isso ocorre, porque há quem se sinta beneficiado pela falta de pensamento crítico de parte da população menos favorecida economicamente.

Segundo a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e a Cultura (Unesco), a violência escolar consiste em “toda ação ou omissão que cause ou vise causar dano à escola, à comunidade escolar ou a algum de seus membros.” Por essa definição, as escolas das redes públicas do país são as mais lesadas pela omissão de investimentos nos estabelecimentos de ensino, pela má remuneração dos profissionais da educação e pela falta de comprometimento dos gestores públicos com a qualidade do processo de ensino-aprendizagem, principalmente no Ciclo Básico.

O mencionado conceito sobre a violência escolar envolve as agressões físicas, verbais, psicológicas, além das intimidações que se manifestam em bullyng e cyberbullyng. Isso pode ocorrer dentro e fora da sala de aula.

O documento expedito, em 2025, pela UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância) em parceria com UNDIME (União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação), com orientações para o combate à violência extrema contra as escolas, afirma que “os ataques direcionados à instituição escolar são fenômenos complexos, sobretudo porque a escola caracteriza-se por um contexto específico, em que pessoas convivem diariamente por muitas horas, trabalham, estudam e interagem. É um corpo social formado por grupos diversos e complementares que se inter-relacionam, como professores/as, gestores/as, funcionários/as, estudantes e famílias. Trata-se da composição de uma identidade coletiva construída por cada pessoa que integra aquele espaço. É, portanto, um contexto diferente de um ataque a tiros em um terminal central de ônibus, onde as pessoas estão reunidas pontualmente, não convivem e nem ocupam diariamente o mesmo espaço.”

A incivilidade que hoje se constata no ambiente escolar é um reflexo do que ocorre fora dele. Por carregar essa “identidade coletiva”, espelha o “corpo social” chagado não somente pelo que se convencionou chamar de violência urbana, mas também pelos crimes que lesam os cofres públicos pela corrupção com gerenciamento político. O desvio de verba é um crime que afeta a população em segmentos de suma importância para o bem-estar social como: saúde, educação e segurança pública.

Quem atua aqui “na ponta” sabe que é preciso improvisar pela falta de recursos. As condições de trabalho são adversas. E as críticas saltam severamente por quem só enxerga as consequências sem ter o menor conhecimento das causas.

Na segunda-feira passada (23/03), vídeos circularam pelas redes sociais com cenas de violência, envolvendo estudantes do Colégio Estadual Dom Pedro II. E aqui me posiciono em apoio à equipe diretiva do Colégio, porque conheço o esforço hercúleo dessa equipe para mantê-lo com a tradicional qualidade de ensino que sempre foi uma referência na Cidade de Petrópolis. Transcrevo a nota de repúdio assinada pela equipe diretiva:

“O Colégio Estadual Dom Pedro II vem a público manifestar seu mais veemente repúdio ao episódio de violência ocorrido em suas dependências no dia 23 de março de 2026, no turno da noite, envolvendo estudantes.

Ressaltamos que, além da violência em si, o ato de registrar e compartilhar esse tipo de situação contribui para a exposição indevida dos envolvidos, fere princípios éticos e pode causar danos emocionais ainda mais graves aos estudantes.

A escola reforça que não compactua com qualquer forma de agressão física, verbal ou psicológica, prezando sempre por um ambiente seguro, respeitoso e acolhedor para todos. Situações como essa, que se originam, em sua maioria fora do ambiente escolar, vão totalmente contra os valores que promovemos diariamente, baseados no diálogo, na empatia e na convivência pacífica.

Informamos que as medidas cabíveis já estão sendo adotadas, conforme o regimento interno da instituição, incluindo a apuração rigorosa dos fatos e o acompanhamento dos alunos envolvidos, com o objetivo de prevenir novas ocorrências.

Também destacamos a importância da parceria entre escola, famílias e comunidade para a formação de cidadãos conscientes e respeitosos. Reforçamos nosso compromisso com a educação e com a promoção de uma cultura de paz.”

Repito: Educar hoje é um ato de bravura.

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