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  Mulher

Violência contra mulher cresce durante a pandemia em Petrópolis

O ISP informou que 65 mulheres foram mortas no estado entre março e dezembro de 2020

Renata Almeida – especial para o Diário

 

A residência é o local de acolhimento e proteção de qualquer pessoa. Porém, para algumas mulheres ficar em casa significa um enorme risco. Segundo o Instituto de Segurança Pública (ISP), em um levantamento especial do Núcleo de Estudos do ISP Mulher, 61% dos casos de violência doméstica aconteceram dentro de casa, durante o isolamento social, no ano passado. Em Petrópolis, os dados levantados pelo Centro de Referência de Atendimento à Mulher (CRAM), apontam um crescimento de mais de 220% no atendimento entre os três primeiros meses de 2021 em relação ao mesmo período de 2020.

De acordo com o ISP, os dados levantados em 2020 no período da pandemia, comparados aos números de 2019 apresentam uma queda. Para o Instituto, isso pode indicar uma subnotificação provocada por receio das vítimas se deslocarem até uma delegacia e ter uma exposição ao vírus, como também pelo contato contínuo e o controle do agressor sobre a vítima, podendo então haver subnotificação, principalmente para os crimes de lesão corporal dolosa e estupro.

Os crimes de estupros que aconteceram dentro de casa, aumentaram de 2019 para 2020. De acordo com o ISP Mulher, 75,6% das vítimas que conseguiram realizar um registro de ocorrência relataram terem sido vitimadas dentro de uma residência, enquanto em 2019 esse percentual chegou a 70,8%. Já os casos de feminicídio no estado, o ISP informou que 65 mulheres foram mortas entre março e dezembro de 2020.

“No ano passado ficamos assustados durante a pandemia porque os números diminuíram bastante. Mas foi comprovado que o número de violência tinha aumentado sim. Mas não estava sendo notificado, porque essas mulheres não estavam conseguindo chegar até a delegacia para fazer a denuncia”, relatou a coordenadora do CRAM, Ana Luiza Franco.

No mês de março de 2020, o Centro registrou apenas seis atendimentos até o início do isolamento social. Já em março de 2021 foram 79 atendimentos, um crescimento de mais de 1000%. Diferença que mostra quantos casos subnotificados aconteceram no ano passado na cidade por conta da pandemia.

Segundo a coordenadora, em março deste ano foram 79 atendimentos, destes, em apenas 5 dias, de sexta-feira a terça, tiveram 49 atendimentos remotos, uma média de 9,8 mulheres precisando de ajuda por dia.

“Estamos fazendo o atendimento pelo telefone (whatsapp) 988397387, que agora está sendo usado como início do atendimento. A vítima entra em contato com este número que funciona 24h, que agora é um telefone de triagem e através dele fazemos o encaminhamento para as técnicas responsáveis. Conseguimos dar o suporte psicológico, jurídico e social. A vítima também pode fazer ligações para este número. Já os atendimentos externos estão acontecendo normalmente caso haja necessidade”, contou a Ana Luiza.

A coordenadora explicou que infelizmente a casa é o local mais perigoso para a mulher vítima de violência doméstica. “Este ano, já pensando em toda situação da pandemia,  estamos divulgando nosso atendimento por telefone, inclusive por chamada de vídeo. Para a mulher, vítima de violência doméstica, a casa é o local mais perigoso que tem . Estamos tentando aperfeiçoar em dar o suporte todo pelo telefone . Está sendo bom porque estamos atingindo mais mulheres. Muitas tinham vergonha de chegar até aqui no CRAM por medo , vergonha e hoje o whatsapp ajuda essa mulher a pedir ajuda”, finalizou Ana Luiza Franco.

O CRAM possui o ônibus lilás, um serviço de apoio itinerante que percorre os bairros da cidade. Este ano, em fevereiro e março, a ação com o equipamento atendeu a seis bairros realizando 25 atendimentos. Por conta do decreto municipal de lockdown, as atividades com o ônibus estão suspensas.

 

 



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